CONTRADIÇÃO NO MDB
Janaina prega mais mulheres na política, mas três caem no MDB
Rosana Martinelli, Ana Cristina Feldner e, agora, Coronel Vânia Rosa, ficaram pelo caminho contrastando com o discurso da deputada
ESPIA AÍ
A dificuldade do MDB em garantir espaço de destaque para lideranças femininas começa a chamar atenção na campanha da deputada estadual, Janaina Riva (MDB), ao Senado. Presidente estadual da sigla, Janaina tem defendido em repetidos discursos uma maior participação das mulheres na política, mas na vida real tem enfrentado uma sequência controversa de episódios envolvendo a “queda” de nomes femininos dentro do próprio partido que comanda.
Primeiro, a ex-prefeita de Sinop, Rosana Martinelli, acabou preterida e ficou fora da disputa para deputada federal, após o rearranjo da chapa proporcional do MDB. Em abril, a própria Janaina havia destacado que a chegada de Rosana fortalecia a nominata federal do partido. Por fim, até mesmo a possibilidade de Rosana compor chapa com Wellington Fagundes (PL), na busca do Executivo Estadual, não passou de especulação.
Depois disso, a delegada aposentada, Ana Cristina Feldner, que marcou época no estado na famigerada Grampolândia Pantaneira, deixou a primeira suplência da chapa da própria Janaina, que de última hora preferiu dar espaço a uma dupla de homens, o produtor agropecuário Aluizo Lima Pereira (MDB) e o vereador por Rondonópolis, Ibrahim Zaher (MDB). Nas últimas horas, mais uma baixa: a vice-prefeita de Cuiabá, Coronel Vânia Rosa (MDB), que recentemente chegou toda animada ao partido, tirando foto com Riva pra lá e pra cá, foi outra a oficializar que não vai mais disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. Ela protocolou nesta segunda-feira (17) requerimento no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) para renunciar à candidatura.
A liderança partidária de Janaina acaba então por tornar gritante a realidade do jogo de poder, que como um tsunami esmaga qualquer retórica romântica com a força maiúscula dos interesses maiores que, de fato, decretam quem entra e quem sai. O silêncio de Riva com o patrolamento feminino em seu próprio partido não é só conivente com o absolutismo masculino, mas sim cúmplice, devido sua posição máxima. Não se trata de mero voto vencido internamente, mas das necessidades eleitorais latentes que se impõem e não há personagem que resista.
DESTAQUE
Jayme rompe com Mauro e aumenta críticas após anos de aliança
Senador chamou grupo ligado ao ex-governador de “quadrilha”, mas ainda possui aliados na gestão de Pivetta
O senador Jayme Campos (União) aumentou o tom das críticas contra o ex-governador Mauro Mendes nesta quinta-feira (13) e classificou como uma “verdadeira quadrilha” o grupo político que, segundo ele, está instalado no Palácio Paiaguás. O parlamentar também acusou integrantes da atual estrutura de poder de tratar Mato Grosso como uma espécie de empresa privada.
As declarações ganham peso diante da trajetória recente de Jayme dentro do grupo político de Mauro. O senador foi aliado do ex-governador desde a eleição de 2018 e permaneceu integrado à base governista durante praticamente todo o segundo mandato, deixando a administração estadual somente em março deste ano, quando Mauro decidiu colocar seu nome na disputa por uma cadeira no Senado.
Mesmo após o afastamento político, Jayme ainda mantém pessoas ligadas ao seu grupo ocupando cargos na administração estadual comandada pelo governador Otaviano Pivetta.
A nova ofensiva ocorreu durante um ato político no qual o senador oficializou apoio às candidaturas de Wellington Fagundes (PL) ao Governo de Mato Grosso e de Janaina Riva (MDB) ao Senado. A movimentação veio na esteira da derrota sofrida por Jayme dentro do União Brasil, quando tentou viabilizar uma candidatura própria ao Palácio Paiaguás, mas acabou sendo vencido pelo grupo que defendia a composição com Pivetta.
As críticas contra Mauro também haviam sido feitas um dia antes, durante pronunciamento no Senado. Na ocasião, Jayme pediu “perdão” aos mato-grossenses pelo apoio dado ao ex-governador em 2018 e afirmou que Mato Grosso teria se transformado em um “antro de corrupção”.
Nesta quinta-feira, o senador voltou a associar suas acusações à Operação Heritage, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas relacionadas a um acordo envolvendo o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi, além da movimentação de créditos entre fundos de investimento e empresas privadas.
O posicionamento marca uma mudança significativa no discurso de Jayme, que durante anos esteve politicamente alinhado ao grupo de Mauro. A ruptura se torna mais evidente no cenário de disputa eleitoral de 2026, após o senador não conseguir consolidar seu projeto político dentro do União Brasil e passar a apoiar adversários do grupo que atualmente comanda o Estado.
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