HOMICÍDIO NO INTERIOR
Homem é morto a tiros em Santo Antônio do Fontoura
Cleison Souza Nunes foi atingido por cerca de cinco disparos durante uma festa em uma propriedade rural; suspeito teria fugido após o crime
DESTAQUE
Um homem identificado como Cleison Souza Nunes foi assassinado a tiros durante um evento de prova de tambor realizado em uma propriedade rural na região do distrito de Santo Antônio do Fontoura. O crime aconteceu na propriedade conhecida como Rancho Leal, localizada a cerca de 2 a 3 quilômetros do distrito.
A Polícia Militar foi acionada por meio do telefone funcional enquanto realizava patrulhamento na região central do distrito. A equipe havia realizado policiamento anteriormente no evento e retornou ao local após receber a informação sobre um possível homicídio.
Ao chegar à propriedade, os policiais encontraram Cleison caído no chão. Uma equipe médica que prestava atendimento durante o evento já havia constatado a morte da vítima.
Conforme os relatos preliminares obtidos pelos militares, o principal suspeito seria o organizador da prova de tambor e proprietário da chácara. As testemunhas, no entanto, não conseguiram esclarecer completamente como o crime aconteceu.
Segundo as informações levantadas no local, Cleison estava acompanhado do primo nas proximidades de um veículo equipado com um sistema de som, que seria utilizado para animar a confraternização após o encerramento da competição.
O equipamento estaria em volume elevado e, ainda de acordo com testemunhas, a vítima já havia sido advertida anteriormente pelo suspeito para diminuir o som.
Em determinado momento, o suspeito teria deixado a região da pista de tambor e seguido até onde estavam Cleison e o primo. As circunstâncias exatas que antecederam os disparos ainda deverão ser apuradas.
Testemunhas relataram à Polícia Militar que o suspeito teria efetuado aproximadamente cinco tiros contra Cleison. Os disparos teriam atingido a vítima pelas costas. Ferido, o homem caiu e morreu ainda no local.
Após o crime, o suspeito teria deixado a propriedade. Até o momento, não foi possível determinar se ele fugiu a pé ou contou com auxílio de outra pessoa. O veículo que pertenceria a ele permaneceu na chácara.
Investigação
Após a ocorrência, a Polícia Militar isolou a área e adotou medidas para preservar a cena do crime e evitar a alteração ou retirada de possíveis vestígios.
O corpo da vítima e objetos que poderiam auxiliar na investigação também foram preservados até a chegada das equipes especializadas.
A Polícia Civil e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foram acionadas para realizar os levantamentos necessários. Os policiais militares permaneceram no local até a chegada das equipes, repassando as informações iniciais coletadas com as testemunhas.
A autoria e a motivação do homicídio ainda deverão ser esclarecidas durante as investigações da Polícia Civil.
DESTAQUE
MPE aponta prejuízos ambientais e cita empresa do “Rei do Porco”
Documento técnico fundamenta Ação Civil Pública sobre contaminação prolongada de efluentes da suinocultura e uso de defensivos agrícolas
Um relatório técnico elaborado pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE-MT) estimou em R$ 2,86 bilhões o passivo ambiental causado por degradação na área onde se situam as nascentes do Rio Paraguai, no município de Alto Paraguai. Entre as partes responsabilizadas pelo levantamento pericial figura a Suinobrás Alimentos Ltda., empreendimento vinculado ao empresário Reinaldo Morais — figura conhecida como “Rei do Porco” e cotado como vice na chapa governamentamental liderada pelo senador Wellington Fagundes (PL).
O processo, uma ação civil pública instaurada em outubro de 2023, corre na 1ª Vara Cível de Diamantino sob a condução do juiz André Luciano Costa Gahyva, que ordenou a notificação dos réus para a apresentação de contestação no início de 2024. A empresa e o réu Leandro Cunha Candiotto respondem pelas alegações de lançamento irregular de resíduos e contaminação do solo no perímetro da Área de Proteção Ambiental (APA) Nascentes do Rio Paraguai.
Vazamento contínuo e mortandade de peixes
Segundo os levantamentos do órgão fiscalizador, um dos episódios mais críticos envolveu o extravasamento contínuo de resíduos de uma das bacias do sistema de tratamento da granja suína. A falha perdurou por 1.084 dias consecutivos, estendendo-se de março de 2016 até março de 2019. Estimativas periciais calculam que cerca de 6,67 milhões de litros de dejetos líquidos deixaram de receber o tratamento adequado no intervalo avaliado, atingindo um olho d’água e espalhando a pluma de poluição na região.
A apuração tomou formato após denúncias de episódios graves de mortandade de peixes e alteração dos corpos hídricos locais. O cálculo econômico do estrago levou em conta custos de remediação, capacidade operacional do complexo industrial e os danos ecológicos diretos e indiretos. Contudo, os próprios técnicos ressaltaram que o montante final de R$ 2,86 bilhões pode ser ainda maior, visto a impossibilidade de precificar com exatidão o prejuízo ao estoque pesqueiro local, que contava com espécimes migratórios essenciais à pesca esportiva, subsistência e turismo.
Múltiplas fontes de poluição
Além da suinocultura, análises efetuadas nas águas dos córregos Amolar, Melgueira, Sete Lagoas e no próprio Rio Paraguai identificaram uma combinação de fatores poluidores. Amostras colhidas confirmaram níveis alterados de cianetos, sulfetos e fósforo — associados aos rejeitos orgânicos —, além de compostos oriundos de fertilizantes e agrotóxicos vinculados à lavoura do entorno.
O laudo do MPE associou o morticínio de peixes ocorrido em março de 2019 a uma convergência de eventos, englobando a falha no manejo dos efluentes da suinocultura, a enxurrada de insumos agrícolas das fazendas vizinhas e o tombamento de um caminhão com defensivos químicos no Córrego Melgueira. O processo judicial prossegue para a apreciação das defesas e julgamento do mérito das sanções requeridas pela Promotoria.
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