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Miriam Belchior detalha investimentos do Novo PAC em infraestrutura e sustentabilidade no Amazonas

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Anúncios e assinaturas de atos voltados ao desenvolvimento do Amazonas nas áreas de infraestrutura, segurança energética, logística hidroviária e ciência marcaram a cerimônia realizada nesta quarta-feira (27), no Estaleiro Juruá, em Iranduba (AM).

Durante o evento, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, detalhou os investimentos federais em andamento no estado por meio do Novo PAC.

“Investir em infraestrutura é investir nas pessoas e no desenvolvimento do Brasil. Somente no Amazonas, são R$ 18 bilhões em recursos do Novo PAC destinados a melhorar a vida da população amazonense e impulsionar o crescimento do estado”, afirmou a ministra.

“Hoje, 100% dos municípios do Amazonas contam com obras e ações do Novo PAC. Isso significa mais escolas em tempo integral, creches, unidades de saúde e ampliação das universidades. Apenas no programa Minha Casa, Minha Vida, já são 27 mil casas e apartamentos destinados às famílias amazonenses. É assim que o Governo do Brasil cuida das pessoas”, completou.

Como parte das ações da União para ampliar a integração e a infraestrutura na Região Norte, o Governo Federal anunciou projetos voltados à proteção socioambiental e ao desenvolvimento sustentável nas obras da rodovia BR-319.

“Ambientalmente, vai ser a estrada mais moderna do mundo. Qualquer estrangeiro que vier dar palpite na questão climática aqui, a gente vai mostrar o que fizemos”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A BR-319 é a única alternativa terrestre que liga Manaus a Porto Velho e atravessa uma das regiões mais sensíveis da Amazônia. A previsão é de que a Parceria Público-Privada (PPP) seja concretizada até 2028 e tenha duração de 20 anos, com valor estimado em R$ 20 bilhões da União ao longo da execução.

O modelo inédito a ser implementado deve servir como referência de gestão ao conciliar a manutenção da rodovia com o monitoramento ambiental do entorno da BR-319, com torres de observação, estações meteorológicas, central de atendimento e gerenciamento de alertas.

“A BR-319 é uma briga que vocês estão tendo há 40 anos. Ela foi feita em 1970 pelo presidente Médici. Possivelmente, o projeto tenha sido errado. Eles não conheciam a área e a estrada afundou. Em muitos lugares a água tomou conta. Só para vocês terem ideia, é tão delicado a área que tem lugar que a gente vai ter que subir três metros para poder fazer a estrada”, mencionou Lula.

A área de influência da BR-319 abrange aproximadamente 270 mil km² nos estados do Amazonas e de Rondônia. O território compreende 18 municípios e um mosaico territorial composto por 33% de Unidades de Conservação federais e estaduais, 19% de Terras Indígenas, 30% de glebas públicas, 10% de assentamentos federais e apenas 8% de áreas privadas.

VIABILIDADE TÉCNICA – Está prevista uma série de escutas à sociedade e ao setor privado para o detalhamento da iniciativa, incluindo audiências públicas em Brasília e São Paulo (SP). Nos próximos meses, será concluído o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para subsidiar a contratação da parceria. A proposta passará por consulta pública e avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU) antes da publicação do edital.

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MOMENTO HISTÓRICO – O ministro dos Transportes, George Santoro, classificou a iniciativa federal da assinatura da ordem de serviço para as obras como um momento histórico. “Todo mundo que está aqui presente sonha em ver a BR-319 toda asfaltada. Esse é trabalho de construção coletiva, desde o início deste governo. A gente avança cada vez mais com infraestrutura nacional, no maior ciclo de investimento da história do Brasil. Chegamos a um acordo histórico em que a gente conseguiu avançar de maneira substancial com esse projeto”, ressaltou o ministro.

DUAS FRENTES – As obras avançam em duas frentes. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) amplia melhorias na manutenção, enquanto o projeto de obra de reconstrução está em licenciamento. Trata-se de uma infraestrutura projetada para resistir aos eventos climáticos extremos. O monitoramento ambiental cobre 50 quilômetros para cada lado da rodovia, protegendo uma floresta que regula o clima e abastece os rios da Amazônia, em uma área equivalente a três vezes o estado do Rio de Janeiro.

PROTEÇÃO AMBIENTAL – Localizada no interflúvio dos rios Purus e Madeira, uma das áreas de maior integridade ambiental na Amazônia, a BR-319 conta atualmente com cerca de 85 mil km² de áreas protegidas. O Governo do Brasil ampliará a proteção ambiental a partir da criação de um corredor de novas Terras Indígenas e Unidades de Conservação (UCs), que totalizarão cerca de 121 mil km².

Em maio, foram realizadas as consultas públicas para as três primeiras UCs federais a serem implementadas – as Reservas de Desenvolvimento Sustentável Tupana Igapó-açu I, Tupana Igapó-açu II e Canaã, todas na porção norte do eixo da rodovia BR-319. Ainda este ano, também serão publicados os estudos de reconhecimento de três Terras Indígenas na região.

PORTAIS DE FISCALIZAÇÃO – Até 2027, serão instalados três portais de fiscalização integrada nos municípios de Humaitá, Careiro e Manicoré (AM), a partir do trabalho integrado do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF), que intensificará imediatamente as operações de controle ambiental ao longo de toda a rodovia por meio do Plano Estratégico de Ações Integradas para BR-319.

SEDE MULTIAGÊNCIAS – Em Humaitá, será implantada, em 2028, uma sede multiagências para atuação conjunta dos quatro órgãos com participação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). As ações fazem parte do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Plano Amas) e têm como foco a intensificação da presença efetiva do Estado para incremento da segurança pública e da proteção ambiental.

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REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA – Além disso, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) realiza um mutirão de análise dos processos de regularização fundiária dos assentamentos rurais da área, enquanto os governos federal e estaduais colocam em prática um plano de trabalho de análise de cerca de 26 mil registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR) que incidem sobre terras públicas federais, que deve ser concluído em 2027. Serão criados, em 2026, quatro escritórios para apoiar o processo de regularização fundiária.

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – No pilar do desenvolvimento sustentável, o Governo do Brasil atuará, junto aos governos estaduais e locais, em diferentes frentes. Uma delas é a promoção de concessões florestais por meio do Serviço Florestal Brasileiro (SFB). Outra medida a ser tomada ainda em 2026 é a conclusão da Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), instrumento voltado à análise integrada dos impactos e oportunidades para o território. O estudo – que abrange o interflúvio dos rios Madeira e Purus, seus municípios e sub-bacias hidrográficas – indicará locais, públicos-alvo e políticas adequadas para a redução dos impactos ambientais relacionados à BR-319. A previsão é de que, em agosto, seja apresentado o resultado final da avaliação, que fornecerá diretrizes para o desenvolvimento sustentável da região.

BIOECONOMIA – As iniciativas para promover o desenvolvimento sustentável envolvem ações de fomento à bioeconomia. Em 2026, haverá o lançamento de uma plataforma de cadastro de empreendimentos comunitários e a formação de 50 agentes de crédito rural para viabilizar o financiamento de atividades sustentáveis na Amazônia. Em 2027, serão anunciados 10 editais para o fortalecimento de cadeias produtivas da sociobioeconomia e a implementação de dois Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia.

RESULTADOS POSITIVOS – As medidas compõem uma política de fortalecimento da presença do Estado na região da BR-319 e chegam em um momento de consolidação de resultados positivos na agenda ambiental. Em 2025, o Amazonas registrou redução de 62% no desmatamento, com 979 km² de área desmatada, em comparação aos 2.594 km² registrados em 2022, segundo o sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A queda do desmatamento nas faixas de 50 km de cada lado da BR-319 foi ainda maior, alcançando, em 2025, 75% em relação ao pico ocorrido em 2022, também de acordo com o Prodes.

 

Fonte: Casa Civil

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Agroecologia e inovação marcam projetos apoiados pelo Da Terra à Mesa

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Projetos apoiados pelo edital Da Terra à Mesa, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), têm demonstrado na prática como diferentes estratégias de inovação podem fortalecer a agricultura familiar nos territórios brasileiros.

De um lado, iniciativas que valorizam a diversidade da agricultura familiar. De outro, ações que incorporam tecnologias para ampliar a produtividade. Em comum, o foco na transição agroecológica, na inclusão produtiva e no fortalecimento das economias locais.

Um dos destaques é a atuação da Rede Sementes da Vida, coordenada pela AGROBIO – Associação Nacional de Fortalecimento da Agrobiodiversidade, que vem implementando corredores agroecológicos em nove estados brasileiros – Goiás, Pará, Pernambuco, Paraíba, Maranhão, Piauí, Sergipe, Bahia e Minas Gerais – e promovendo diversificação produtiva, conservação dos recursos naturais e fortalecimento comunitário.

Ao todo, já foram implantadas 59 áreas de corredores agroecológicos, somando 27,6 hectares, além da realização de capacitações e intercâmbios entre agricultores, fortalecendo a troca de conhecimentos e a construção coletiva de soluções produtivas. A iniciativa, que já beneficiou quase 300 unidades produtivas diretamente e mais de 600 indiretamente, também se destaca pelo perfil do público atendido, com participação expressiva de mulheres (60,1%) e envolvimento de mais de 100 famílias quilombolas.

Segundo Murillo Notine, coordenador-geral da Rede Sementes da Vida, os corredores agroecológicos funcionam como uma estratégia de equilíbrio ecológico e redução da dependência de insumos externos. Segundo ele, os impactos gerados são visíveis na avaliação do solo, qualidade e ampliação da quantidade de sementes colhidas, menor necessidade de insumos externos, aumento da geração de renda e da margem de lucro, além da redução da mão de obra e do uso de insumos para controle de insetos que causam danos à plantação. “Os Corredores Agroecológicos são motivados pela funcionalidade ecológica que desempenham no solo e no equilíbrio e harmonia que produzem nos agroecossistemas. São diferentes configurações possíveis para cada realidade e contexto climático, que atraem diversos agentes de controle biológico, aumentam o número de polinizadores e insetos que são amigos naturais que controlam insetos que podem causar impactos negativos na produção”, explica.

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Murillo destaca ainda que a proposta recupera conhecimentos ancestrais das comunidades tradicionais e fortalece a autonomia produtiva das famílias agricultoras. “As comunidades tradicionais detêm o conhecimento ancestral de manejo do solo e de convivência com a natureza, sendo fundamentais para a difusão do conhecimento tradicional em cultivar, manejar, colher, beneficiar e dar os diferentes usos para cada espécie”, afirma.

Inovação

Em conjunto com ações voltadas à agroecologia, o edital fortalece projetos que apostam também na inovação tecnológica como estratégia de desenvolvimento. É o caso da Coapar, cooperativa que atua no fortalecimento da cadeia do leite por meio da transferência de embriões para melhoramento genético do rebanho.

A tecnologia permite ampliar a produtividade, melhorar a qualidade do leite e aumentar a renda das famílias agricultoras. Antes da implementação do projeto, os agricultores enfrentavam dificuldades relacionadas à baixa qualidade genética do rebanho e ao acesso limitado a tecnologias reprodutivas.

Com a adoção da transferência de embriões, os impactos já começam a ser percebidos nas propriedades atendidas. “Com a introdução do melhoramento genético por meio da transferência de embriões, observa-se um avanço significativo na qualidade do rebanho em um curto intervalo de tempo. Essa biotecnologia permite multiplicar características desejáveis de matrizes superiores, como alta produção leiteira, melhor conversão alimentar, precocidade sexual e resistência a doenças”, destaca a cooperativa.

A proposta busca democratizar o acesso à tecnologia na agricultura familiar por meio da atuação coletiva da cooperativa, assistência técnica e estratégias para redução de custos de produção. “Já se observam melhorias concretas, como maior uniformidade do rebanho, melhores índices reprodutivos e maior organização do sistema produtivo. Trata-se de uma política estruturante, que vai além do aumento dos índices produtivos, ao promover inclusão tecnológica, capacitação dos produtores e fortalecimento da organização coletiva. Nesse contexto, a cooperativa desempenha um papel central, ela atua como articuladora das ações do projeto, facilitando o acesso dos agricultores às tecnologias, insumos e assessoria técnica”, aponta Sônia Mara Chiquelero, Médica Veterinária na Coapar.

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Para o secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia do MDA, Vanderley Ziger, o Da Terra à Mesa demonstra que a inovação na agricultura familiar acontece de diferentes formas, sempre conectada às realidades dos territórios. “O Da Terra à Mesa mostra que inovação na agricultura familiar não significa apenas tecnologia de ponta. Ela também está no resgate dos saberes tradicionais, na organização coletiva, na agroecologia e na construção de soluções adaptadas a cada território.”

Histórico

O edital consolidou-se como uma das principais estratégias de fomento à transição agroecológica no país. Após investir R$ 35 milhões em 2024, a iniciativa foi ampliada para R$ 160 milhões em 2025. O número de entidades apoiadas saltou de 10 para 45, alcançando atualmente 55 organizações em todos os estados brasileiros e quase 29 mil famílias da agricultura familiar.

Com forte participação de mulheres e jovens, ações de capacitação, assistência técnica e entrega de equipamentos produtivos, o Da Terra à Mesa evidencia como diferentes caminhos de inovação podem fortalecer a sustentabilidade, a autonomia produtiva e a geração de renda no campo.

Texto: Mariana Camargo, Ascom SAF/MDA

Edição: Marcelo Carota, Ascom MDA

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar

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