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Curta brasileiro realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo é selecionado para festivais na Itália e na Grécia
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O cinema brasileiro independente ganha novas telas no circuito internacional com o curta-metragem VIOLETA, dirigido, roteirizado e protagonizado por Bi Naluna. Realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio da Prefeitura de Maravilha, do Ministério da Cultura e do Governo Federal, a obra foi selecionada para dois festivais europeus: o Social World Film Festival, em Vico Equense, na Itália, e o Leda’s Monologue Film Festival, em Agrinio, na Grécia. No festival grego, Bi Naluna também concorre ao prêmio de Melhor Atriz.
Gravado em Maravilha, no oeste de Santa Catarina, em coprodução com o Rio Grande do Sul, o curta aborda o luto gestacional a partir de uma narrativa íntima, poética e sensível. Inspirado em experiências autobiográficas da diretora, VIOLETA transforma uma vivência pessoal em reflexão coletiva sobre perda, silêncio, maternidade e acolhimento.
Para Bi Naluna, o filme nasceu da necessidade de romper um tabu social. “Foi muito forte, na minha experiência com a perda dos bebês, perceber o silenciamento que envolve esse luto. Ele é muito invisibilizado e existe um tabu social em torno dessa perda. Eu comecei a me perguntar: se tantas mulheres passam por isso, por que falamos tão pouco sobre o assunto?”, questiona.
A artista conta que, ao compartilhar sua história com pessoas próximas, passou a ouvir relatos semelhantes de outras mulheres. Muitas delas, segundo Bi, também haviam vivido perdas gestacionais em silêncio. Foi a partir dessa escuta que surgiu o desejo de levar o tema para o cinema.
“Foi aí que entendi que precisava falar sobre isso de uma forma mais ampla, não apenas no meu círculo pessoal, mas também como artista. Porque esse silenciamento da dor da perda gestacional está, de certa forma, institucionalizado na nossa sociedade. O cinema me pareceu um espaço potente para romper esse silêncio”, destaca.
Embora parta de uma experiência pessoal, VIOLETA foi concebido como uma ficção capaz de dialogar com diferentes mulheres, contextos e países. A protagonista, Helena, reúne elementos da vivência da diretora, mas também representa dores compartilhadas por muitas mulheres.
“Acredito que o filme é uma espécie de convite: a que nós, mulheres, possamos falar em primeira pessoa do que nos atravessa, porque nossas dores, sim, importam”, diz Bi. Para ela, o reconhecimento internacional da obra mostra que o tema ultrapassa fronteiras: “É uma experiência que transcende culturas e geografias, é algo com o que milhares de nós, infelizmente, nos identificamos”.
O roteiro é assinado por Bi Naluna e Felipe Dagort. Amigo da diretora há muitos anos, o roteirista conta que entrou no projeto a convite dela e percebeu, desde o início, a força da proposta. “De cara eu percebi que se tratava de um filme muito promissor pela relevância do tema e pela visão que a Bi tinha em relação ao modo de abordá-lo”, afirma.
Felipe enfatiza que o processo de escrita exigiu escuta e cuidado, especialmente por se tratar de uma vivência feminina e autobiográfica. “Para abordar um tema como este, sendo um homem que jamais passou por uma situação semelhante, eu precisei me apoiar e confiar plenamente na visão dela, a de quem já havia vivido esse tipo de trauma. Coube a mim ouvir e apenas ajudar a dar forma à narrativa”, relata.
A sensibilidade da abordagem também foi reconhecida pela distribuidora italiana Premiere Film, responsável pela circulação internacional do curta. Em depoimento, a empresa define VIOLETA como “um curta-metragem intenso e, ao mesmo tempo, delicado, que aborda o tema da perda gestacional a partir de uma perspectiva íntima, livre de qualquer retórica”.
Para a Premiere Film, a força da obra está na capacidade de transformar uma experiência pessoal em uma história universal sobre “perda, fragilidade e renascimento”. A distribuidora também ressalta que, mesmo diante dos desafios de circulação impostos pela delicadeza do tema, decidiu apostar no filme por considerá-lo “uma obra corajosa, capaz de criar uma empatia imediata com o público feminino e de abrir um espaço autêntico para reflexão, diálogo e conscientização”.
A produção de VIOLETA fora dos grandes centros também marca a identidade do filme. Segundo Bi Naluna, a realização em Maravilha, com equipe reduzida e recursos limitados, exigiu que os profissionais acumulassem funções e trabalhassem em um processo de intensa colaboração. Durante as filmagens, apenas cinco pessoas integravam a equipe.
“A proximidade da equipe permitiu que a visão artística de cada profissional estivesse muito presente no resultado final. Produzir cinema fora dos grandes centros é essencial para ampliar a diversidade de narrativas e fortalecer a cultura brasileira em toda a sua dimensão territorial”, relembra a diretora.
Para Bi, a trajetória internacional do curta evidencia a importância das políticas públicas de cultura. “A cultura é um direito da população. Fomentar e difundir a cultura é um dever do Estado, não é uma opção”, defende. A diretora ressalta que iniciativas como a Lei Paulo Gustavo permitem que histórias sem apelo necessariamente comercial, mas de grande relevância social, sejam produzidas e encontrem público.
Felipe Dagort também ressalta o papel do fomento público na viabilização de obras como VIOLETA. “Certas narrativas não poderiam ser contadas se não fosse com ajuda do poder público. Um projeto como VIOLETA, sem um apelo comercial evidente, acaba perdendo a disputa pela atenção de produtoras e patrocinadores em rodadas de negócio tradicionais”, avalia.
Para o roteirista, a circulação internacional do curta demonstra o retorno cultural e simbólico desse investimento. “No caso de VIOLETA, o curta tem chamado atenção para questões sociais, que o torna um verdadeiro manifesto pelas mulheres que agora representa o nosso país mundo afora. Qual o valor disso para o Brasil? Quanto custaria uma campanha institucional assim? Certamente muito mais do que o montante que a LPG colocou no projeto. Ou seja, o país sai ganhando”, pontua.
A seleção para o Social World Film Festival foi anunciada internacionalmente durante coletiva de imprensa realizada no Festival de Cannes, no Pavilhão Italiano. Na Grécia, além de integrar a seleção do Leda’s Monologue Film Festival, VIOLETA concorre ao prêmio de Melhor Atriz, com indicação para Bi Naluna.
Para a diretora, a presença do curta em festivais internacionais é também uma conquista simbólica para mulheres que viveram a perda gestacional e para artistas que seguem criando fora dos centros tradicionais de produção.
“Quando VIOLETA conquista um espaço, eu sinto que não é apenas o filme que está sendo visto. Sinto que, junto com ele, estão todas as mães de anjo que por tanto tempo viveram essa dor em silêncio. Estão também as diretoras, roteiristas, produtoras e artistas mulheres que seguem criando, insistindo e ocupando espaços que historicamente nos foram negados”, celebra.
E completa: “Cada vez que uma de nós atravessa uma porta, ela ajuda a mantê-la um pouco mais aberta para as que vêm depois”.
Fonte: Ministério da Cultura
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Projeto Pensando o Direito recebe 109 inscrições em edital sobre políticas de drogas
Brasília, 8/6/2026 – O projeto Pensando o Direito, da Secretaria de Assuntos Legislativos (SAL) do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), encerrou as inscrições do edital sobre políticas de drogas com 109 candidaturas recebidas. A ação é realizada em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad) e a Universidade de Brasília (UnB).
A seleção reuniu pesquisadores das cinco regiões do Brasil, refletindo a diversidade de perfis e experiências presentes na academia brasileira. Entre os participantes estão pesquisadores indígenas e quilombolas que atuam diretamente em seus territórios, contribuindo para ampliar a pluralidade de perspectivas e fortalecer a produção de conhecimento voltada às políticas públicas.
O projeto Pensando o Direito tem como objetivo promover a participação da academia e da sociedade civil na formulação de propostas legislativas e no aperfeiçoamento de políticas públicas, aproximando o conhecimento científico dos processos de elaboração normativa.
Para o secretário nacional de Assuntos Legislativos, Paulo Modesto, o resultado demonstra o alcance nacional da iniciativa e o interesse da comunidade acadêmica em contribuir para um debate público qualificado.
“Nosso objetivo é democratizar o processo de elaboração normativa no Brasil, qualificando o debate legislativo com base no conhecimento científico. O número de inscrições e a diversidade dos participantes mostram a relevância dessa construção coletiva”, afirmou.
Este é o segundo edital lançado em 2026 no âmbito da cooperação entre a SAL, a Senad e instituições de ensino superior. A chamada pública dá continuidade ao trabalho iniciado neste ano com uma seleção realizada em conjunto com a Universidade Federal Fluminense (UFF).
Novos editais
A Secretaria de Assuntos Legislativos prevê o lançamento de novos editais nos próximos meses. Entre os temas previstos estão estudos voltados ao Plano Pena Justa, em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen); pesquisas relacionadas ao enfrentamento da criminalidade, em conjunto com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp); e projetos destinados ao aprimoramento da gestão pública.
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