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Encontro Cultura Viva Educativa discute ensino, pesquisa e extensão na cultura de base comunitária
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Iniciativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas a políticas culturais de base comunitária inspiraram as três mesas do encontro Cultura Viva Educativa, nesta quarta-feira (20), segundo dia da 6ª Teia Nacional – Pontos de Cultura pela Justiça Climática, em Aracruz (ES). Esta agenda conjunta do Ministério da Cultura e do programa IberCultura Viva se dedicou ao que esse campo tem de mais singular: sua capacidade de conectar saberes populares e acadêmicos, gestão pública e organização comunitária, sem hierarquia entre eles.
A manhã começou com a mesa Cooperação Internacional da Cultura Viva Educativa, que teve mediação de Giselle Dupin, coordenadora de projetos especiais da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC, e se dedicou às experiências de articulação entre redes, processos formativos e iniciativas comunitárias de países ibero-americanos.
Na abertura, o argentino Diego Benhabib, consultor de redes e formação do IberCultura Viva, apresentou parte do trabalho realizado nos 12 anos deste programa de cooperação internacional, atualmente composto por governos de 14 países. Ele mencionou uma pesquisa feita por ocasião dos 10 anos do IberCultura Viva, em que foram levantadas as políticas culturais de base comunitária dos países membros e quais teriam sido os aportes do programa para melhorá-las.
“O IberCultura Viva é um horizonte e um modelo de gestão para o desenvolvimento de políticas culturais de base comunitária. Na maioria dos países, o programa tem ajudado a melhorar o diálogo com as organizações sociais, com as redes de cultura comunitária. E tem contribuído tanto em termos acadêmicos quanto em conhecimentos populares para os processos de formação de gestoras e gestores públicos, das organizações e da própria academia”, comentou Benhabib.
Pós-graduação e rede educativa
A principal ação do programa na área de formação é o curso de pós-graduação construído em conjunto com a Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso – Argentina), a partir de 2018, e a criação da Rede Educativa IberCultura Viva, em abril de 2025. Esta rede, que hoje reúne 22 instituições educativas de sete países, se apresenta como um espaço de cooperação entre universidades, centros de formação, escolas populares e organizações comunitárias que compartilham o compromisso com o direito à cultura e o bem viver.
Uma das instituições coordenadoras da Rede Educativa é El Cántaro Bioescuela Popular, uma comunidade de aprendizagem criada em 2007 em Areguá, no Paraguai, e que oferece oficinas criativas populares e atividades socioculturais de acesso gratuito a centenas de crianças, jovens e adultos. Esta organização foi uma das 27 selecionadas na primeira convocatória de Puntos de Cultura lançada pela Secretaria Nacional de Cultura do Paraguai, em 2021.
A diretora e fundadora da instituição, Joe Gimenez, foi uma das convidadas desta primeira mesa do dia, como representante da Rede Educativa IberCultura Viva. Ela contou que a iniciativa foi aprovada em novembro de 2024, na 14ª Reunião do Conselho Intergovernamental IberCultura Viva, e também é uma continuação do Grupo de Trabalho de Sistematização, que já existia no programa desde 2021. Hoje, na rede, instituições de sete países (Argentina, Brasil, Chile, Equador, México, Paraguai e Colômbia) se dividem em quatro grupos de trabalho: mapeamento, formação, sistematização e investigação sobre o impacto gerado pelas políticas públicas nos territórios.
“O mais bonito é que cada uma dessas 22 organizações é única, mas compartilhamos maneiras de fazer, desde o acadêmico, desde o popular. Que isso dialogue de maneira horizontal é um belo processo”, ressaltou Joe. “É um caminho que estamos construindo aos poucos. Queremos somar mais organizações, continuar crescendo. Se hoje somos 22, esperamos que na próxima Teia possamos ser 50. E que aprendamos a construir desde o diferente, porque o olhar do outro enriquece”.
Franco Rizzi, coordenador acadêmico da Pós-Graduação Internacional em Políticas Culturais de Base Comunitária, contou que esse curso surgiu a partir de uma pesquisa encomendada pelo IberCultura Viva em 2017. Na ocasião, descobriu-se que havia uma demanda, mas não havia oferta de ensino em políticas culturais de base comunitária na região ibero-americana. A Flacso-Argentina construiu, então, esta proposta de formação junto com o IberCultura Viva. Em seus oito anos de existência, um total de 954 pessoas (122 do Brasil) receberam bolsas para cursá-lo.
“Quando começamos o curso, imaginávamos que era algo que iria durar dois ou três anos. Mas é uma demanda crescente. A cada ano, nas convocatórias de bolsas para esta pós-graduação, se apresentam aproximadamente 400 pessoas. E, mesmo depois de oito anos, o interesse segue crescendo. Em 2026, foram 630 candidaturas”, afirmou o coordenador acadêmico, lembrando que entre as pessoas matriculadas estava até uma ex-ministra de Cultura (Julieta Brodsky Hernández, que lançou o Programa Puntos de Cultura Comunitaria no Chile, em 2022).
Alexandre Santini, presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, encerrou a mesa contextualizando esse paradigma de política cultural, lembrando a força dos movimentos culturais na América Latina, e a dimensão que a Cultura Viva tomou a partir disso, tornando-se também um ambiente de pesquisa.
“Os pontos de cultura são formadores das suas comunidades, são construtores e produtores de conhecimento. E esse conjunto de conhecimentos é o que conforma isso que nós chamamos de ‘escola latino-americana de política’”, disse ele, referindo-se ao Seminário Cultura Viva Comunitária: Uma Escola Latino-americana de Políticas Culturais, que estreou no México, em abril de 2025, e tem uma segunda edição na 6ª Teia Nacional, na tarde desta quinta-feira (21)
Construção coletiva
Presente nas cinco edições da Teia, desde 2006, Santini falou da construção coletiva, histórica, desta política pública que há duas décadas inspira países ibero-americanos – a Espanha está perto de lançar sua versão do programa Puntos de Cultura, assim como já fizeram Peru, Argentina, Chile, Paraguai, Costa Rica e Uruguai.
“Esse é um processo vivo, dinâmico, que já se ressignificou várias vezes. Se no Brasil a Cultura Viva surge como uma política pública, na maioria dos outros países ela aparece primeiro como uma demanda social, como uma inspiração a partir do modelo brasileiro existente. São processos de mobilização social que depois vão gerar políticas públicas locais e nacionais”, comparou.
Segundo ele, a América Latina, por décadas, foi importadora de modelos de pensar a política e a gestão cultural. “Nos anos 90, todos os que se formavam na gestão cultural na América Latina, de alguma maneira, se formavam a partir das escolas de Girona, de Barcelona. Era onde nós íamos buscar o conhecimento na formação e a qualificação na gestão cultural. O que acontece agora, 20 anos depois? Estão vindo buscar referências de formação aqui na América Latina, a partir das políticas públicas que foram desenvolvidas aqui”.
Valorização de mestras e mestres
A segunda mesa, Direitos Culturais e Valorização de Mestras e Mestres, partiu de uma constatação que perpassa toda a Cultura Viva: saberes existem, circulam e transformam, mas raramente são reconhecidos pelas estruturas formais que definem direitos. Reunindo representantes de instituições públicas, universidades e organizações culturais de Brasil, Argentina e Espanha, o debate girou em torno de reconhecimento, memória, acessibilidade e transmissão de saberes como questões políticas urgentes.

- Foto: Foto: Danilo Zeppelin
Participaram Tião Soares, diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares do Ministério da Cultura do Brasil; Inés de Egaña López, do programa Cultura y Ciudadanía do Ministério de Cultura da Espanha; Patricia Dornelles, coordenadora do Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que tem o apoio do MinC, e o argentino Eduardo Balán, da agrupação cultural El Culebrón Timbal e do Instituto Latino-americano de Promoção da Cultura Viva Comunitária. A mediação foi de Ricardo Nascimento, professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).
Nesta segunda mesa, as intervenções convergiram para a necessidade de ampliar políticas de reconhecimento e cuidado com mestras, mestres e comunidades detentoras de saberes tradicionais, compreendendo os direitos culturais não como concessão, mas como dimensão fundamental da democracia e da diversidade.
Representando o MinC, Tião Soares reforçou a importância da inclusão dos conhecimentos tradicionais no espaço escolar, defendendo que estejam não apenas dentro de universidades ou institutos federais, mas também nas grades curriculares. “Não se pretende que esses conhecimentos tradicionais sejam superiores nem inferiores aos conhecimentos científicos e acadêmicos, mas que eles possam dialogar em pé de igualdade, porque ambos têm a mesma significação, ditos de outra maneira. Portanto, igualar esses conhecimentos é garantir que possamos ter a transmissão de geração em geração”, ressaltou.
Além de destacar o trabalho feito com 54 mestres e mestras para a construção da Política Nacional de Culturas Tradicionais e Populares, instituída por decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (21), em Aracruz, o diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares do MinC comentou o trabalho do Consórcio Notório Saber, composto por universidades e institutos federais (atualmente, IFCE, UnB, Unilab, UECE, UFMG, UFBA). “O consórcio é uma estratégia inovadora para aproximar a academia e o espaço escolar, uma construção de forças e potências para que tenhamos uma política cultural efetivamente democrática, inclusiva e participativa”, disse.
Pesquisa, monitoramento e avaliação

- Foto: Giba/ MinC
Como medir o que a Cultura Viva transforma? Essa foi a tensão produtiva que sustentou a terceira mesa do dia, Pesquisa, Monitoramento e Avaliação da Cultura Viva, por mais de três horas. A questão dos indicadores culturais, da produção de dados e do acompanhamento de políticas públicas colocou em evidência um desafio central: construir metodologias de avaliação comprometidas com os territórios, e não apenas com as exigências burocráticas de prestação de contas.
Participaram desta mesa Deborah Rebello Lima, coordenadora do Consórcio Universitário Cultura Viva na Universidade Federal do Paraná (UFPR); Luana Vilutis, coordenadora do Consórcio na Universidade Federal da Bahia (UFBA); José Márcio Barros, do Observatório da Diversidade Cultural; Sofia Mettenheim, coordenadora-geral de Informações e Indicadores Culturais da Secretaria de Gestão Estratégica do MinC, e Shirley Krenak, representante indígena reconhecida como Notório Saber. A mediação esteve a cargo de Carolina Ruas, subsecretária de Políticas Culturais da Secretaria de Cultura do Estado do Espírito Santo (Secult/ES).
Os debates reforçaram que pesquisa e monitoramento só fazem sentido quando comprometidos com a diversidade cultural, os saberes comunitários e a participação social, produzindo indicadores capazes de reconhecer o que a Cultura Viva move nos territórios e nas formas coletivas de organizar a vida.
Diagnóstico Econômico da Cultura Viva
Em sua apresentação, Luana Vilutis apresentou o Diagnóstico Econômico da Cultura Viva, elaborado pela Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC) e pelo Consórcio Universitário Cultura Viva, formado pelas universidades federais da Bahia, do Paraná e Fluminense (UFF).
A coleta reuniu 2.424 respostas válidas, sendo 2.084 pontos e 340 pontões de cultura, distribuídos em 867 municípios das 27 unidades da federação. Os dados foram coletados entre julho e setembro de 2025, considerando como período de referência as atividades realizadas entre março de 2023 e fevereiro de 2025.
Os resultados mostram, por exemplo, que a rede de pontos e pontões de cultura realiza 80 mil atividades gratuitas por mês (1 milhão por ano), alcançando diretamente 3 milhões de pessoas.Também apontam que 75% dos pontos atuam sempre no território/comunidade; 96% desenvolvem linguagens artísticas; 75% trabalham com formação, capacitação e processos educacionais, e 83% mantêm trabalho voluntário.
O Consórcio Universitário Cultura Viva também apresenta na Teia o ABC Cultura Viva, um livro que reúne verbetes, conceitos e relatos que ajudam a contar a história desta experiência brasileira que há mais de duas décadas inspira países ibero-americanos a desenvolver políticas públicas de base comunitária. Organizada de A a Z, a publicação inclui temas como diversidade cultural, cidadania cultural, economia viva, gestão compartilhada e outros conceitos construídos coletivamente pela rede de pontos e pontões ao longo desses 22 anos de política pública.
Teia Nacional
A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reúne agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as regiões do Brasil.
O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, Unesco e o programa IberCultura Viva.
Fonte: Ministério da Cultura
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6ª Teia inicia articulação para construção do Plano Nacional das Culturas Indígenas
A construção coletiva do Plano Nacional das Culturas Indígenas foi um dos destaques da programação desta quarta-feira (21), na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura pela Justiça Climática, em Aracruz, no Espírito Santo. Representantes de povos originários, organizações indígenas, instituições públicas e diferentes áreas do governo federal participaram da primeira reunião de articulação do Grupo de Trabalho responsável por elaborar diretrizes para a proteção, promoção e fortalecimento das culturas indígenas no país.
As discussões sobre o plano seguem nos demais dias da 6ª Teia, com novas reuniões e encontros de elaboração de propostas previstos na programação até domingo (24). A proposta é consolidar um processo de escuta ativa e qualificada, com protagonismo indígena, para construir uma política pública capaz de reconhecer a diversidade dos povos, territórios, línguas, saberes, modos de vida, memórias e expressões culturais dos povos originários.
Em Aracruz, território Tupiniquim e Guarani, a primeira reunião do GT marcou o início de uma etapa presencial de articulação e construção coletiva que continuará após o fim da 6ª TEIA dos Pontos de Cultura. A iniciativa reúne representantes de organizações indígenas, instituições públicas e órgãos federais que atuam em pautas relacionadas aos direitos, territórios, patrimônios e saberes dos povos indígenas. O objetivo é formular um plano nacional que responda às especificidades das culturas indígenas e dialogue com temas como justiça climática, bem viver, território, cultura alimentar, rituais sagrados, patrimônio material e imaterial, línguas vivas e propriedade intelectual.
A reunião contou com a presença de organizações e articulações indígenas de atuação nacional e regional, entre elas a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a FENEI, o TEKÓ, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), a UMAB e a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA).
A participação dessas representações reforça o caráter coletivo, diverso e territorializado do processo, reunindo vozes de diferentes povos, biomas, gerações e experiências de luta pela proteção dos territórios, dos saberes tradicionais, das línguas, da memória e dos modos de vida indígenas.
Para a diretora de Promoção da Diversidade Cultural do MinC, Karina Miranda da Gama, a reunião inaugura um processo de “escuta ativa e qualificada”. Segundo ela, o GT é composto por organizações, instituições e associações indígenas de diferentes regiões do país, incluindo representações de mulheres indígenas e organizações da Amazônia. “Esse grupo de trabalho tem essa importante missão de começar a desenhar propostas para um plano”, afirmou Karina.
A diretora explicou que o processo parte de uma minuta elaborada em parceria com a Unesco e que o grupo irá trabalhar os eixos de ação propostos em diálogo com temas como justiça climática, bem viver, cultura alimentar, território, rituais sagrados e impactos da crise climática sobre os saberes e fazeres dos povos indígenas.
Karina destacou ainda que a elaboração do plano não será conduzida apenas pelo MinC. A construção envolve também o Ministério dos Povos Indígenas, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Museu Nacional dos Povos Indígenas e outros órgãos federais que dialogam com a pauta. Órgãos do Sistema MinC, como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), também estiveram presentes representados por quadros técnicos.
“É uma construção junto com o Ministério dos Povos Indígenas, junto com a própria Funai, junto com o Museu Nacional dos Povos Indígenas. Então, a gente está chamando todas as organizações federais que dialogam no campo dos povos indígenas”, explicou a Diretora do MinC. Também participou da atividade a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg, que escutou as contribuições dos participantes do encontro.
A presença do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) foi destacada por Giovana Mandulão, secretária de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas da pasta. Para ela, o momento representa parte de um processo histórico de reconstrução das políticas públicas e de fortalecimento da presença indígena no Estado brasileiro. “Por muitos anos, a nossa pauta da cultura foi deixada de lado. Agora é o momento da retomada”, afirmou a gestora do MPI.
Giovana ressaltou que o Ministério dos Povos Indígenas acompanha a elaboração desde o início para contribuir também com a futura implementação do plano. Segundo ela, o desafio é construir uma política que reconheça as peculiaridades dos mais de 300 povos indígenas e das mais de 270 línguas faladas no país.
“É importante a presença do Ministério dos Povos Indígenas para estar junto com os povos também, para a gente pensar nesse fortalecimento da cultura, do reconhecimento. Que seja um plano com a cara e com as vozes dos povos indígenas”, destacou.
Representante dos povos indígenas no Conselho Nacional de Política Cultural, Daiara Tukano afirmou que o plano precisa responder à complexidade das demandas de proteção e promoção das culturas indígenas no Brasil. Para ela, falar de culturas indígenas significa falar também de reparação histórica.
“Quando nós falamos de culturas indígenas, estamos falando da necessidade de políticas de reparação para o dano histórico cometido contra nossos povos e nossos territórios de saber ao longo de todo o processo de formação do Brasil”, afirmou.
Daiara defendeu que o plano considere dimensões como a continuidade das línguas vivas, os saberes guardados por pajés, a ciência indígena, o patrimônio material e imaterial, a repatriação de bens e a autoridade dos povos indígenas sobre sua propriedade intelectual.
“Estamos falando da continuidade de línguas vivas, da continuidade dos saberes guardados por nossos pajés, da nossa ciência, do nosso patrimônio material e imaterial, do retorno daquilo que nos foi retirado, da repatriação, da devolução dos nossos bens e da nossa autoridade sobre a nossa propriedade intelectual”, destacou.
Para Daiara, o Plano Nacional das Culturas Indígenas deve ser uma proposta transversal, capaz de aprimorar o diálogo entre diferentes áreas do governo. Ela citou a necessidade de articulação com o Ministério dos Povos Indígenas, Funai, Ministério da Educação, Ministério da Saúde, Ministério da Justiça e Ministério do Meio Ambiente, entre outros órgãos que atuam em pautas relacionadas aos territórios, patrimônios, saberes e direitos dos povos indígenas.
Exposição reforça escuta da terra
A programação da Teia também contou com a abertura da exposição “Você Já Escutou a Terra?”, com curadoria de Ailton Krenak e Karen Worcman. Realizada pelo Museu da Pessoa em parceria com o Sesc Espírito Santo, a mostra integra a programação da 6ª Teia Nacional Cultura Viva e foi alvo de visita guiada nesta quarta-feira (21), no Sesc Praia Formosa.
Gratuita e aberta ao público, a exposição dialoga com o tema desta edição da Teia— “Pontos de Cultura pela Justiça Climática” — e propõe uma experiência sensorial sobre memória, território, natureza e justiça climática.
Com instalações visuais, ambientes sonoros, registros audiovisuais e relatos de vida coletados nos seis biomas brasileiros entre 2024 e 2025, a exposição convida o público a refletir sobre a relação entre humanidade, natureza, memória e território. No contexto da construção do Plano Nacional das Culturas Indígenas, a mostra amplia o sentido da escuta como prática política, cultural e ambiental.
Teia Nacional
A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reúne agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as regiões do Brasil.
O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, Unesco e o programa IberCultura Viva.
Fonte: Ministério da Cultura
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