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Organização criminosa investigada por sextortion movimenta R$ 4 milhões em dois meses
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Curitiba, 21/5/26 – Com apoio estratégico do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Ciberlab/MJSP), a Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou, nesta quinta-feira (21), a Operação Love Hurts. A ação busca desarticular uma organização criminosa especializada em extorsão sexual por meio de sextortion e lavagem de dinheiro. A iniciativa integra o Programa Brasil Contra o Crime Organizado.
As investigações apontam que o grupo movimentou R$ 4 milhões em apenas dois meses, fazendo mais de 20 vítimas em diferentes regiões do País.
Foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão domiciliar. A operação contou ainda com a colaboração das polícias civis do Espírito Santo (PCES), Goiás (PCGO), Maranhão (PCMA), Paraíba (PCPB) e Rio Grande do Norte (PCRN). O apoio interestadual fortalece a repressão a crimes cibernéticos, fraudes e golpes virtuais.
Do afeto à extorsão
Segundo a investigação, a dinâmica criminosa começou em 2024. Por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, a vítima foi contatada por um perfil falso com o nome “David Green”. O investigado utilizava fotos de terceiros, já identificadas em golpes internacionais, e se apresentava falsamente como médico oncologista em missão de paz na Síria.
Após conquistar a confiança da vítima com manipulação emocional e promessas de casamento — prática que caracteriza, em tese, o chamado romance scam —, o autor induziu a mulher a compartilhar fotos e vídeos íntimos. A partir desse momento, a organização passou a atuar em duas frentes:
• Estelionato sentimental: solicitação de altas quantias sob falsos pretextos, como passagens aéreas e pagamento de multas fictícias relacionadas ao transporte de ouro na Áustria e no Brasil;
• Sextortion: após a vítima demonstrar desconfiança e esgotamento financeiro, o investigado passou a ameaçá-la com a divulgação de imagens íntimas nas redes sociais, exigindo R$ 20 mil.
Ao todo, o prejuízo financeiro da vítima que deu origem às investigações chegou a R$ 63,3 mil, além de grave abalo psicológico.
Atuação do Ciberlab/MJSP
Com suporte estratégico e de inteligência do Ciberlab, a investigação identificou uma divisão estruturada de tarefas em dois núcleos principais:
• Núcleo estrangeiro (operacional): baseado em terminal telefônico com DDI da Nigéria (+234), país associado a redes especializadas em fraudes afetivas, segundo relatos de vítimas. Esse núcleo era responsável pela abordagem, sedução e posterior extorsão;
• Núcleo nacional (“conteiras”): formado por operadores financeiros no Brasil responsáveis por ceder contas bancárias para o recebimento, ocultação e dissimulação dos valores ilícitos, mediante conversão em criptoativos para lavagem de dinheiro.
Golpes em todo o Brasil
As transferências feitas pelas vítimas eram rastreadas e direcionadas para contas de brasileiras que já aparecem como beneficiárias em diversos boletins de ocorrência registrados em vários estados. Segundo a investigação, isso demonstra a dimensão e a continuidade do esquema criminoso.
A operação é resultado do trabalho das polícias civis no enfrentamento a crimes cibernéticos associados à violência psicológica, sexual e patrimonial contra mulheres no ambiente digital, especialmente por meio de fraudes afetivas e sextortion.
O tema recebeu reforço legislativo recente com a sanção, em 20 de maio de 2026, de novas medidas de proteção à mulher e enfrentamento à violência digital. As mudanças ampliam mecanismos previstos na Lei Maria da Penha e fortalecem a atuação integrada dos órgãos de segurança pública.
Apoio do MJSP
A participação do Ciberlab tem sido fundamental para integrar as polícias civis estaduais e sufocar o braço financeiro de organizações criminosas que exploram a vulnerabilidade emocional das vítimas.
“A complexidade dos crimes cibernéticos e o combate às fraudes exigem cooperação entre agências de inteligência altamente especializadas e as polícias civis”, afirmou o delegado da Polícia Civil do Paraná, Kelvin Bressan.
Os investigados poderão responder pelos crimes de extorsão qualificada (art. 158, § 1º, do Código Penal), organização criminosa transnacional (Lei nº 12.850/2013) e lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/1998). Somadas, as penas podem ultrapassar 20 anos de reclusão.
Operação Love Hurts
A ação recebeu o nome de “Operação Love Hurts” — expressão em inglês que significa “O amor machuca” — em referência direta ao estelionato sentimental investigado, também conhecido como romance scam.
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Sisan 20 anos: MDS destaca papel estratégico do sistema para saída do Brasil do Mapa da Fome
O Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), que completa 20 anos em 2026, é o fio que conecta ações públicas para assegurar à população brasileira o direito humano à alimentação adequada. Foi o que destacou a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Valéria Burity, na segunda-feira (18.05). Ela reforçou o papel estratégico do sistema para os avanços na garantia da segurança alimentar e nutricional no Brasil durante sua participação no encontro LUPPA LAB, realizado em Caxias do Sul (RS).
“O Sisan é uma estrutura viva. Sem coordenação, os programas não se conectam. Sem articulação, as políticas perdem alcance. Os 20 anos marcam não apenas uma trajetória histórica, mas a retomada de um projeto estratégico para a garantia do direito humano à alimentação adequada no Brasil”, explicou Burity. “Sair do Mapa da Fome é um marco histórico, fruto de uma mobilização nacional — que não se restringe a um único programa ou ministério. Manter e avançar nessa conquista exige governança permanente, fortalecimento de sistemas alimentares justos e sustentáveis e da proteção social”, completou.
Na mesa de abertura do encontro, a secretária apresentou os principais avanços do Sisan a partir de 2023. Entre eles, a criação da Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome (SECF) do MDS; a reativação da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), composta atualmente por 24 ministérios; a reinstalação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea); a realização da 6ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional; e a aprovação do III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (III Plansan).
A reestruturação do sistema, responsável por promover uma atuação integrada, intersetorial e participativa, levou ao aumento da adesão de municípios, passando de 536, no final de 2022, para 2.243 em abril de 2026, conforme dados da SECF/MDS. Todos os estados brasileiros e o Distrito Federal já aderiram ao sistema. “A ampliação das adesões significa que mais municípios estão comprometidos com planos, conselhos e câmaras intersetoriais de segurança alimentar e nutricional em seus territórios”, reforçou Valéria Burity.
Desafios
Apesar dos avanços, ainda existem desafios no combate à insegurança alimentar e nutricional que afetam, principalmente, as populações mais vulneráveis, como povos indígenas, quilombolas e pessoas em situação de rua. Para alcançar esses públicos, o Governo do Brasil trabalha na construção de protocolos intersetoriais integrados.
O Protocolo Brasil Sem Fome é um deles. Trata-se de uma estratégia que concentra esforços na identificação e no atendimento direto das pessoas que ainda vivem em situação de fome, com foco nos territórios onde há maior concentração de domicílios nessa condição. O protocolo busca integrar ações do Sistema Único de Saúde (SUS), Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e Sisan na identificação, atendimento e acompanhamento de famílias em risco de insegurança alimentar e nutricional.
Estão em construção os protocolos de Referência de Ação Integrada de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) para Povos Indígenas; de Ação Integrada do Sisan em situações de desastre, emergência e calamidade pública; e de Atuação Integrada para Compras da Agricultura Familiar.
LUPPA LAB
O LUPPA LAB é o encontro presencial anual do programa LUPPA (Laboratório Urbano de Políticas Públicas Alimentares) que reúne representantes de governos municipais, sociedade civil e organizações em uma programação voltada ao fortalecimento de políticas públicas municipais para sistemas alimentares sustentáveis, com abordagem sistêmica, intersetorial e participativa.
Assessoria de Comunicação-MDS
Fonte: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
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