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FACÇÃO EM TANGARÁ

PC mira facção suspeita de torturar trabalhadores em Tangará da Serra

Quatro mandados são cumpridos nesta quinta-feira; vítimas foram sequestradas, ameaçadas e agredidas após criminosos suspeitarem de ligação com grupo rival

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POLÍCIA

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (10), a Operação Paralela, em Tangará da Serra, para cumprir quatro ordens judiciais contra suspeitos de integrar uma organização criminosa envolvida em casos de cárcere privado e tortura registrados no município.

A investigação teve início após episódios ocorridos em agosto, quando trabalhadores temporários que prestavam serviços durante um evento na cidade foram abordados por integrantes do grupo. Os criminosos teriam acusado as vítimas, sem provas, de pertencerem a uma facção rival.

Durante a abordagem, os trabalhadores tiveram os celulares recolhidos e os aparelhos foram verificados pelos suspeitos em busca de possíveis contatos ou informações que indicassem ligação com outra organização criminosa. As vítimas também foram amarradas, ameaçadas com facas e submetidas a uma série de questionamentos.

Em seguida, os trabalhadores foram colocados à força em um veículo e levados para outro endereço, onde o interrogatório continuou. Depois de concluírem que eles não tinham qualquer envolvimento com grupos rivais, os criminosos decidiram libertá-los. Antes disso, porém, teriam feito ameaças de morte caso o episódio fosse comunicado às autoridades.

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A apuração policial também identificou um segundo caso relacionado ao mesmo grupo e ocorrido naquela noite. Conforme as investigações, duas pessoas foram levadas para uma área de mata, onde acabaram amarradas e submetidas a agressões físicas e interrogatórios.

As vítimas teriam sido golpeadas com pedaços de madeira enquanto os envolvidos mantinham comunicação com outros integrantes da organização por meio de chamadas de vídeo.

Ao longo da investigação, a Polícia Civil reuniu relatos das vítimas, reconhecimentos de suspeitos, registros de câmeras de segurança e dados relacionados a veículos e deslocamentos. O conjunto de informações possibilitou a identificação de quatro investigados, contra os quais foram expedidas as medidas judiciais cumpridas nesta quinta-feira.

A operação busca esclarecer a atuação individual de cada suspeito e verificar se outros integrantes da organização criminosa participaram dos crimes. As investigações continuam.

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POLÍCIA

Investigação sobre Saúde de Cuiabá vai à Justiça Federal

Terceira Câmara Criminal entendeu que recursos do Fundo Nacional de Saúde estão relacionados aos contratos investigados na Operação Oráculo, que apura pagamentos de R$ 663,5 mil

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Por decisão unânime, a Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso determinou o encaminhamento à Justiça Federal do inquérito que apura suspeitas de irregularidades na Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP), alvo da Operação Oráculo. A investigação, deflagrada em 2024, apura possíveis fraudes que teriam movimentado mais de R$ 660 mil.

A transferência para a esfera federal foi solicitada pela defesa do ex-secretário adjunto de Saúde de Cuiabá, Gilmar de Souza Cardoso. Os advogados Artur Osti e João Octávio Ostrovski argumentaram que os valores investigados seriam provenientes de repasses realizados pelo Fundo Nacional de Saúde ao Fundo Municipal de Saúde.

Inicialmente, a Justiça Estadual rejeitou o pedido para reconhecer a incompetência do Judiciário mato-grossense. A defesa recorreu ao Tribunal de Justiça e citou decisões de tribunais superiores que apontam a competência da Justiça Federal em casos envolvendo possíveis desvios de recursos originários do Fundo Nacional de Saúde.

Recursos federais pesaram na decisão

Ao analisar o recurso, a relatora, desembargadora Juanita Cleit Duarte, considerou que os hospitais Municipal de Cuiabá (HMC) e São Benedito, relacionados aos contratos investigados, recebem financiamento por meio de transferências do Fundo Nacional de Saúde.

Segundo a magistrada, a origem dos recursos estabelece uma ligação direta entre os fatos investigados e verbas submetidas à fiscalização federal. Os contratos de gestão envolvidos também estão inseridos em uma estrutura que prevê controle pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e prestação de contas ao Tribunal de Contas da União (TCU).

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A desembargadora ressaltou que a competência federal não foi reconhecida simplesmente porque os hospitais fazem parte do SUS ou recebem recursos da União. O entendimento levou em conta a relação entre os contratos sob investigação e a utilização de verbas federais.

Com a remessa do inquérito, caberá à Justiça Federal avaliar o conjunto de provas e definir os próximos passos da investigação.

Possível desmembramento

A decisão também abre possibilidade para que parte da apuração seja posteriormente encaminhada à Justiça Estadual, caso o juízo federal considere que não há necessidade de manter todos os fatos reunidos no mesmo processo.

Conforme o voto da relatora, existe uma relação entre as provas referentes à origem e ao caminho percorrido pelos recursos, à execução dos contratos de gestão e à autorização dos pagamentos. Por isso, neste momento, o processamento conjunto na Justiça Federal foi considerado adequado.

A magistrada determinou ainda que a Justiça Federal avalie se os atos e decisões já praticados pela Justiça Estadual de Mato Grosso deverão ser mantidos ou anulados.

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Pagamentos sem licitação

A Operação Oráculo foi conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor). De acordo com a investigação, em 2022 a Prefeitura de Cuiabá teria pago R$ 663.568 a uma empresa que, segundo a polícia, apresentava características de empresa de fachada.

Os valores seriam referentes à contratação de serviços de tecnologia da informação. As apurações apontaram que os pagamentos ocorreram de forma indenizatória, sem a realização de processo licitatório e sem contrato que desse respaldo à prestação dos serviços.

Ainda conforme a investigação, para autorizar os pagamentos bastaria a apresentação de um orçamento.

As diligências realizadas pela Polícia Civil também levantaram suspeitas sobre a atuação da empresa beneficiada. Após receber os pagamentos do município, a companhia teria alterado sua atividade principal e passado a atuar no setor de construção.

Posteriormente, uma empresa originalmente ligada ao comércio de peças, acessórios e lubrificantes teria assumido a razão social da companhia e passado a prestar serviços relacionados à área de tecnologia da informação.

Com a decisão do Tribunal de Justiça, o caso passa agora à análise da Justiça Federal, que deverá avaliar a continuidade da investigação e a validade dos atos já realizados no âmbito estadual.

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