TROCA DE ACUSAÇÕES
Pivetta acusa Wellington de “fazer negócios” no Dnit e na Sinfra
Em debate, Pivetta resgatou passado do adversário no órgão federal e questionou se ele quer “voltar à cena do crime” ao disputar o Governo
POLÍTICA
Favoritos na corrida pelo Palácio Paiaguás, o debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso Otaviano Pivetta (Republicanos) e Wellington Fagundes (PL), realizado nesta terça-feira (18) pela Rádio Centro América, foi marcado por ataques diretos e acusações sobre a atuação dos dois na área de infraestrutura.
O confronto começou com críticas à situação das rodovias e avançou para o passado político de Wellington no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e sua relação com o ex-governador Silval Barbosa.
Pivetta usou o histórico de obras rodoviárias de sua gestão para questionar a atuação de Wellington no setor. Segundo ele, o atual governo concluiu cerca de 7 mil quilômetros de novas rodovias ao longo de sete anos e meio, enquanto Mato Grosso teria chegado a apenas 6,3 mil quilômetros em mais de dois séculos de história.
“Wellington, em sete anos e meio, nós concluímos sete mil quilômetros de novas rodovias, aproximadamente sete mil, até o final desse período seco. Nos 271 anos de história tinha seis trezentos”, afirmou.
Na sequência, Pivetta resgatou a passagem de Wellington pelo governo de Silval Barbosa e citou Sinézio, atual chefe de gabinete do candidato do PL. Também mencionou delações relacionadas ao grupo político do ex-governador.
“O senhor foi parceiro do Silval Barbosa na Secretaria de Obras, com o seu chefe de gabinete atual, Sinézio, e foi delatado pelo Silval por corrupção. O senhor quer voltar à cena do crime agora, pedindo para o povo voto pra ser governador de Mato Grosso? É isso que o senhor quer?”, questionou.
Wellington rebateu afirmando que sempre atuou em favor dos municípios e de Mato Grosso, independentemente de quem estivesse no comando do Estado. Sobre Sinézio, disse que o aliado não responde a processo e foi inocentado.
“Eu posso garantir que eu conheço Sinézio, ele não tem nenhum processo. Ele foi julgado e foi inocentado. Agora eu quero dizer que eu não ajudei só o governo de Silval, ajudei todos os governos. Eu não olho por sigla partidária, olho para os municípios, para o Estado”, respondeu.
O candidato do PL também defendeu sua atuação na infraestrutura e citou recursos destinados a Mato Grosso e aos municípios. Entre os exemplos, destacou a duplicação da BR-163 entre Cuiabá e Rondonópolis, que classificou como um antigo sonho do Estado.
“Olha, a duplicação da BR-163 de Rondonópolis a Cuiabá era um sonho, que parecia impossível, era o maior trecho de acidentes frontais do Brasil”, afirmou.
Pivetta voltou ao ataque na réplica e questionou a influência exercida por Wellington no Dnit durante diferentes governos federais. O candidato do Republicanos citou os governos Lula, Dilma, Michel Temer e Jair Bolsonaro, além do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
“O senhor é especialista em estrada, o senhor mandou no Dnit, no governo Lula 1, 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, e o Bolsonaro chegou lá e expulsou o senhor do Dnit. Tarcísio é quem tirou o senhor de lá”, afirmou.
Pivetta ainda acusou Wellington de ter mantido influência sobre indicações no órgão federal por cerca de duas décadas e relacionou esse período às condições das rodovias de Mato Grosso.
“O senhor ficou 20 anos indicando o diretor do Dnit aqui, fazendo negócios e as nossas rodovias caindo aos pedaços. Pessoas se matando nas rodovias porque não tinha conserva, não tinha obra, não tinha nada, só desesperança”, declarou.
Wellington, então, direcionou as críticas para a atual gestão estadual. O candidato acusou o governo de favorecer empresas próximas ao grupo político e citou as obras no Portão do Inferno como exemplo.
“Vocês estão fazendo obra para a panelinha de vocês. Olha o Portão do Inferno, eles conseguiram esfarelar R$ 12 milhões com uma empresa sem dispensa de licitação da panelinha deles”, afirmou.
Ele também citou apontamentos do Tribunal de Contas sobre rodovias estaduais e defendeu sua atuação à frente do Dnit, afirmando que as estradas federais estavam bem conservadas durante sua passagem pelo órgão.
“Eu quero lembrar as estradas federais, todas elas, desde que eu estive à frente, estão extremamente bem conservadas”, declarou.
No último embate sobre infraestrutura, Pivetta voltou a ironizar a relação do adversário com as rodovias federais e retomou as acusações sobre supostos negócios envolvendo o setor.
“O senhor sempre gostou de estrada federal para todo ano liberar dinheiro e participar dos negócios. Essa é a sua profissão, foi conhecido com essa forma. Nós estamos assumindo e fazendo as coisas acontecer no Mato Grosso”, afirmou.
DESTAQUE
Wellington anuncia impugnação de candidatura de Pivetta
Senador afirma que coligação questionará registro do governador com base em decisão envolvendo compra de unidade móvel de saúde
O senador Wellington Fagundes (PL) afirmou, durante debate realizado pelo Portal Primeira Página e pela Rádio Centro América nesta terça-feira (18), que sua coligação apresentou uma ação para contestar o registro de candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo de Mato Grosso.
Segundo Wellington, o pedido de impugnação tem como fundamento uma condenação do Tribunal de Contas da União (TCU) relacionada à aquisição de uma Unidade Móvel de Saúde durante a gestão de Pivetta como prefeito de Lucas do Rio Verde.
“O pedido de impugnação está sendo feito pela nossa coligação e quem vai decidir é a Justiça”, afirmou o senador durante o debate.
O processo teve origem em um convênio firmado entre o município e o Ministério da Saúde para a compra de uma unidade equipada com consultórios médico e odontológico. Em 2012, o TCU determinou que Pivetta devolvesse R$ 17,3 mil aos cofres públicos e aplicou multa de R$ 10 mil. A decisão apontou irregularidades relacionadas a superfaturamento na aquisição e na montagem da estrutura.
A disputa judicial, porém, não terminou com a decisão do Tribunal de Contas. Em primeira instância, a Justiça Federal anulou os acórdãos do TCU e afastou a existência do débito, sob o argumento de que não havia comprovação de dolo ou culpa por parte de Pivetta.
A União recorreu e, em novembro de 2024, a 12ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) reverteu a sentença. Por unanimidade, os desembargadores restabeleceram os efeitos da decisão do TCU e entenderam que não caberia ao Judiciário revisar o mérito técnico-administrativo da Corte de Contas na ausência de ilegalidade evidente.
O julgamento também estabeleceu que o TCU pode determinar o ressarcimento de valores aos cofres públicos independentemente da comprovação de dolo ou culpa.
Defesa recorre ao STF
A defesa de Pivetta, representada pelo advogado Rodrigo Cyrineu, recorreu da decisão. Em janeiro de 2025, foi apresentado recurso extraordinário com o objetivo de levar a discussão ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Conforme o andamento processual atualizado em 17 de agosto de 2026, o recurso permanece em tramitação na Vice-Presidência do TRF-1.
Na argumentação, os advogados sustentam que Pivetta não poderia ser responsabilizado pessoalmente pelo ressarcimento sem que fosse comprovada sua participação dolosa ou culposa. A defesa também menciona decisão proferida na esfera criminal relacionada aos mesmos fatos, na qual, segundo a peça, não teria sido identificado dolo específico do então prefeito nem acordo com os participantes da licitação para aumentar os preços.
O recurso pede a revisão do acórdão do TRF-1 e a anulação da decisão do TCU que estabeleceu o ressarcimento e a multa.
Cyrineu também argumenta que mudanças recentes na legislação eleitoral reforçam a tese apresentada pela defesa. De acordo com o advogado, a Lei Complementar nº 219/2025 passou a estabelecer expressamente que o simples exercício de função pública, sem comprovação de dolo, não seria suficiente para configurar inelegibilidade.
Defesa cita caso Romoaldo
Outro argumento utilizado pela defesa é o precedente envolvendo o ex-deputado estadual Romoaldo Júnior. Segundo Cyrineu, decisões da Justiça Eleitoral admitem que uma absolvição criminal relacionada aos mesmos fatos possa repercutir na análise de eventual inelegibilidade decorrente de julgamento de contas.
O advogado afirmou que o entendimento adotado no caso de Romoaldo reforçaria a segurança jurídica da candidatura de Pivetta enquanto o processo permanece em discussão.
Durante o debate, Pivetta teve direito de resposta após as declarações de Wellington. O governador, contudo, não detalhou a controvérsia jurídica e concentrou sua manifestação na trajetória política e administrativa construída em Lucas do Rio Verde.
“Com 36 anos eu adentrei na política. Fizemos de Lucas uma das melhores cidades do Brasil, reconhecidamente”, declarou.
Pivetta também afirmou que nunca teria utilizado funções públicas para obter benefícios pessoais e defendeu sua atuação como gestor.
Com o questionamento anunciado por Wellington, a discussão sobre a elegibilidade de Pivetta passa a integrar oficialmente a disputa eleitoral. A definição caberá à Justiça Eleitoral, que deverá analisar os efeitos da condenação do TCU e a existência, ou não, dos requisitos legais para eventual inelegibilidade.
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