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ALERTA NA CAPITAL

Ataques de escorpião lideram ocorrências de animais peçonhentos

Apesar da concentração de casos na Grande Morada da Serra e no Ribeirão da Ponte, Cuiabá registra queda de acidentes na comparação anual.

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No decorrer do mês de julho, a Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá contabilizou 48 atendimentos médicos decorrentes de ataques de animais peçonhentos. Do conjunto de pacientes socorridos, 36 possuem domicílio na própria capital, enquanto 12 são oriundos de outras localidades do estado.

Os escorpiões despontaram como os principais causadores desses incidentes entre os moradores cuiabanos. O aracnídeo esteve associado a 29 episódios, o que corresponde a 60,42% de todas as ocorrências registradas com residentes do município. O mapeamento epidemiológico destacou, ainda, a territorialização dos casos em pontos específicos da cidade.

A região da Grande Morada da Serra e o bairro Ribeirão da Ponte figuraram no topo das áreas com maior número de notificações ao longo do mês. Enquanto a Grande Morada da Serra mantém histórico frequente entre os pontos críticos, o Ribeirão da Ponte apresentou uma elevação recente no volume de registros.

A distribuição espacial do problema atingiu, ao todo, 24 bairros cuiabanos. Houve notificações em vetores de expansão urbana da Zona Leste e em localidades como Altos do Coxipó, Planalto, Pedra 90 e Ribeirão do Lipa.

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Queda nos índices em 2026

Embora determinadas regiões demandem vigilância contínua, os indicadores gerais apontam uma retração expressiva dos acidentes no comparativo anual. Dados consolidados até a 30ª Semana Epidemiológica indicam que a média semanal de ocorrências despencou de 21,2 registros em 2025 para 7,9 em 2026.

A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, ressalta que o monitoramento geográfico é crucial para direcionar e fortalecer o combate aos acidentes.

“O mapeamento revela pontos de maior adensamento de casos que exigem fiscalização constante. Contudo, a prevenção preventiva começa no âmbito doméstico, com o asseio dos quintais, remoção de entulhos e vedação de ralos e frestas que servem de esconderijo para essas espécies. Nosso papel é monitorar os dados e instruir a comunidade para conter os riscos”, pontuou a gestora.

Recomendações e cuidados

A pasta de Saúde orienta os moradores a manterem lotes e quintais limpos, livres do acúmulo de detritos, restos de construção, madeiras e lixo orgânico, além de preservar a vegetação ao redor das moradias devidamente aparada.

Em áreas externas — sobretudo locais com mato alto, entulhos ou iluminação precária —, recomenda-se o uso rigoroso de calçados fechados. Outras medidas essenciais incluem a instalação de telas em ralos, além da vedação de frestas sob portas e paredes. A orientação reforça ainda que nunca se deve introduzir as mãos em buracos, troncos ocos ou pilhas de materiais sem visibilidade interna.

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Atendimento de emergência

Na eventualidade de uma picada ou contato com animal peçonhento, a orientação é buscar socorro médico de forma imediata. Em Cuiabá, o pronto-socorro especializado funciona na unidade de emergência do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), onde opera o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox).

O HMC fica localizado na Rua Orivaldo M. de Souza, s/n, no bairro Ribeirão do Lipa, com funcionamento ininterrupto (24 horas). Para esclarecimentos e orientações, a população pode entrar em contato pelos telefones (65) 3318-6913 ou 0800-722-6001.

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MPE aponta prejuízos ambientais e cita empresa do “Rei do Porco”

Documento técnico fundamenta Ação Civil Pública sobre contaminação prolongada de efluentes da suinocultura e uso de defensivos agrícolas

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Um relatório técnico elaborado pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE-MT) estimou em R$ 2,86 bilhões o passivo ambiental causado por degradação na área onde se situam as nascentes do Rio Paraguai, no município de Alto Paraguai. Entre as partes responsabilizadas pelo levantamento pericial figura a Suinobrás Alimentos Ltda., empreendimento vinculado ao empresário Reinaldo Morais — figura conhecida como “Rei do Porco” e cotado como vice na chapa governamentamental liderada pelo senador Wellington Fagundes (PL).

O processo, uma ação civil pública instaurada em outubro de 2023, corre na 1ª Vara Cível de Diamantino sob a condução do juiz André Luciano Costa Gahyva, que ordenou a notificação dos réus para a apresentação de contestação no início de 2024. A empresa e o réu Leandro Cunha Candiotto respondem pelas alegações de lançamento irregular de resíduos e contaminação do solo no perímetro da Área de Proteção Ambiental (APA) Nascentes do Rio Paraguai.

Vazamento contínuo e mortandade de peixes

Segundo os levantamentos do órgão fiscalizador, um dos episódios mais críticos envolveu o extravasamento contínuo de resíduos de uma das bacias do sistema de tratamento da granja suína. A falha perdurou por 1.084 dias consecutivos, estendendo-se de março de 2016 até março de 2019. Estimativas periciais calculam que cerca de 6,67 milhões de litros de dejetos líquidos deixaram de receber o tratamento adequado no intervalo avaliado, atingindo um olho d’água e espalhando a pluma de poluição na região.

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A apuração tomou formato após denúncias de episódios graves de mortandade de peixes e alteração dos corpos hídricos locais. O cálculo econômico do estrago levou em conta custos de remediação, capacidade operacional do complexo industrial e os danos ecológicos diretos e indiretos. Contudo, os próprios técnicos ressaltaram que o montante final de R$ 2,86 bilhões pode ser ainda maior, visto a impossibilidade de precificar com exatidão o prejuízo ao estoque pesqueiro local, que contava com espécimes migratórios essenciais à pesca esportiva, subsistência e turismo.

Múltiplas fontes de poluição

Além da suinocultura, análises efetuadas nas águas dos córregos Amolar, Melgueira, Sete Lagoas e no próprio Rio Paraguai identificaram uma combinação de fatores poluidores. Amostras colhidas confirmaram níveis alterados de cianetos, sulfetos e fósforo — associados aos rejeitos orgânicos —, além de compostos oriundos de fertilizantes e agrotóxicos vinculados à lavoura do entorno.

O laudo do MPE associou o morticínio de peixes ocorrido em março de 2019 a uma convergência de eventos, englobando a falha no manejo dos efluentes da suinocultura, a enxurrada de insumos agrícolas das fazendas vizinhas e o tombamento de um caminhão com defensivos químicos no Córrego Melgueira. O processo judicial prossegue para a apreciação das defesas e julgamento do mérito das sanções requeridas pela Promotoria.

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