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Banco Mundial reduz projeção de crescimento global para 2,5% e alerta para risco de desaceleração econômica severa
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O Banco Mundial revisou para baixo sua expectativa para o crescimento da economia global em 2026 e acendeu um sinal de alerta para os riscos associados ao prolongamento da guerra no Oriente Médio. Em seu mais recente relatório de Perspectivas Econômicas Globais, a instituição projeta expansão de 2,5% para o próximo ano, mas admite que o crescimento poderá cair para apenas 1,3% em um cenário de agravamento da crise energética e aumento das turbulências financeiras.
A nova projeção representa uma redução em relação às estimativas divulgadas no início do ano e marca o menor ritmo de crescimento global desde o período da pandemia de Covid-19.
Guerra no Oriente Médio aumenta riscos para a economia mundial
Segundo o Banco Mundial, o principal fator de deterioração das perspectivas econômicas é o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que se estende há meses e tem provocado impactos diretos sobre os mercados globais de energia.
O fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, provocou forte elevação dos preços internacionais da energia, ampliando pressões inflacionárias em diversas economias e elevando os custos de produção em vários setores.
Além do petróleo, os fertilizantes também registraram altas expressivas, ampliando as preocupações com a produção agrícola mundial e com o abastecimento global de alimentos.
Para países exportadores de commodities agrícolas, como o Brasil, o cenário exige atenção redobrada, uma vez que oscilações nos custos de energia e fertilizantes afetam diretamente a competitividade do agronegócio e a rentabilidade das cadeias produtivas.
Petróleo mais caro pode pressionar inflação e juros
No cenário considerado base pelo Banco Mundial, o petróleo Brent deverá registrar preço médio de US$ 94 por barril ao longo deste ano, representando alta de aproximadamente 36% em relação ao nível observado em 2025.
Nesse contexto, a inflação global deverá permanecer próxima de 4%, mantendo a necessidade de políticas monetárias mais restritivas em diversas economias.
Entretanto, caso as interrupções no fornecimento de energia se prolonguem, a instituição estima que o petróleo possa atingir média de US$ 115 por barril, elevando a inflação mundial para cerca de 4,4% e reduzindo o crescimento econômico global para 2,1%.
O cenário mais pessimista prevê uma combinação de choque energético e instabilidade financeira, com deterioração da confiança dos investidores, aumento da volatilidade dos mercados e desaceleração da atividade econômica para apenas 1,3%.
Segundo Ayhan Kose, vice-economista-chefe do Banco Mundial, a principal preocupação está na possibilidade de os impactos sobre energia e mercados financeiros se reforçarem mutuamente.
“Nesse cenário, a confiança pode se deteriorar rapidamente e provocar uma desaceleração econômica muito mais intensa do que a atualmente projetada”, avaliou.
Crescimento global segue abaixo da média histórica
Mesmo com alguma recuperação prevista para os anos seguintes, o Banco Mundial avalia que a economia mundial continuará crescendo em ritmo inferior ao observado na década passada.
As projeções apontam expansão de 2,8% em 2027 e 2028, desempenho ainda abaixo da média registrada durante os anos 2010.
Entre os fatores estruturais que limitam o crescimento estão:
- Menor expansão populacional;
- Redução dos investimentos privados;
- Queda dos investimentos públicos;
- Aumento do endividamento governamental;
- Crescimento mais lento do comércio internacional;
- Ambiente persistente de juros elevados.
De acordo com o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, a economia global apresenta atualmente menor capacidade de absorver choques em comparação aos períodos anteriores.
“A economia mundial está menos resiliente e mais vulnerável a eventos geopolíticos, financeiros e inflacionários”, destacou.
Economias emergentes enfrentam maiores dificuldades
O relatório mostra que os países em desenvolvimento devem sentir os efeitos mais intensos do atual cenário global.
A previsão de crescimento para essas economias foi reduzida para 3,6% em 2026, abaixo dos 4,4% registrados em 2025 e no menor patamar desde o fim da pandemia.
Segundo o Banco Mundial, diversos países emergentes enfrentam uma situação semelhante a uma “década perdida”, marcada pela dificuldade em reduzir a diferença de renda per capita em relação às economias avançadas.
China, Estados Unidos e Europa desaceleram
Entre as principais economias do mundo, a tendência também é de moderação do crescimento.
Para os Estados Unidos, o Banco Mundial manteve a previsão de expansão de 2,2% em 2026, mas projeta desaceleração gradual para 2,1% em 2027 e 2% em 2028.
Na zona do euro, a expectativa é de crescimento de apenas 0,8% em 2026, abaixo dos 1,4% registrados em 2025, refletindo os impactos dos custos energéticos mais elevados e do ambiente de juros ainda restritivo.
Já a China teve sua projeção revisada para baixo. A segunda maior economia do mundo deverá crescer 4,2% em 2026, após expansão estimada em 5% neste ano.
Oriente Médio sofre os maiores impactos
As revisões mais severas ocorreram justamente nas regiões diretamente afetadas pelo conflito.
O Banco Mundial reduziu em 2,7 pontos percentuais sua estimativa para o crescimento do Oriente Médio, Norte da África, Afeganistão e Paquistão, projetando avanço de apenas 1,6% em 2026, contra 4% registrados em 2025.
Países exportadores de energia, como Emirados Árabes Unidos e Iraque, estão entre os mais afetados pela queda das exportações e pelas interrupções logísticas provocadas pela guerra.
Apesar do cenário desafiador, a instituição acredita que a região poderá registrar recuperação mais consistente a partir de 2027, quando o crescimento poderá voltar a atingir cerca de 5%, desde que haja normalização das condições geopolíticas e dos fluxos energéticos.
Agronegócio deve acompanhar custos e demanda global
Para o agronegócio mundial, o relatório reforça a necessidade de monitoramento constante dos mercados de energia, fertilizantes e alimentos.
O aumento dos custos de produção, aliado à desaceleração econômica global, pode afetar tanto a rentabilidade dos produtores quanto a demanda internacional por commodities agrícolas.
Em um ambiente de maior volatilidade, decisões relacionadas a investimentos, comercialização e gestão de riscos tendem a ganhar ainda mais importância para produtores, cooperativas e empresas ligadas ao setor agropecuário.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Paraná projeta safra recorde de cevada em 2026 e fortalece liderança nacional na produção
O Paraná caminha para registrar uma safra histórica de cevada em 2026. Impulsionado pelas condições climáticas favoráveis e pela expansão da área cultivada, o estado deve colher mais de 550 mil toneladas do cereal, consolidando sua posição como principal produtor brasileiro.
As informações constam no mais recente Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado nesta semana.
Área cultivada cresce 21% e reforça expectativa de produção recorde
O plantio da cevada já alcançou 44% da área prevista para a safra 2026, beneficiado pelo clima favorável e pelos níveis adequados de umidade no solo.
A projeção aponta para uma área recorde de 126 mil hectares, crescimento de 21% em relação aos 104 mil hectares cultivados na temporada anterior. Com isso, a produção estadual deverá superar 550 mil toneladas, ampliando ainda mais a participação paranaense no abastecimento nacional.
Segundo o engenheiro agrônomo e analista do Deral, Carlos Hugo Godinho, o avanço dos trabalhos foi favorecido pelas condições climáticas observadas nas últimas semanas.
“As chuvas registradas em maio foram importantes para garantir a umidade necessária ao desenvolvimento das lavouras, enquanto o período mais seco recente permitiu acelerar o plantio”, destacou.
Apesar do cenário positivo, os técnicos acompanham com atenção os possíveis impactos do fenômeno El Niño. A expectativa de maior volume de chuvas durante a primavera pode comprometer a qualidade dos grãos no período da colheita.
Paraná lidera produção nacional de cevada
O estado mantém ampla liderança na produção brasileira de cevada. O segundo maior produtor do país, o Rio Grande do Sul, tem previsão de colher cerca de 100,4 mil toneladas.
De acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção nacional deverá atingir 678,7 mil toneladas em 2026, representando aumento de 7,2% em comparação ao ciclo anterior.
Safra de milho segue em desenvolvimento e mantém potencial produtivo
O boletim também destaca o avanço da segunda safra de milho 2025/26, cuja estimativa permanece em 17,5 milhões de toneladas.
A colheita começou de forma pontual na região Oeste, principal polo produtor do estado. Até o momento, aproximadamente 14 mil hectares foram colhidos, volume que representa menos de 1% da área total cultivada.
Dos 2,9 milhões de hectares plantados, cerca de 24% das lavouras já estão na fase final de desenvolvimento e praticamente livres dos riscos de geadas. Os demais 76% ainda demandam monitoramento das condições climáticas durante as próximas semanas.
Exportações de carne de peru ganham força
A cadeia produtiva de perus também apresentou resultados positivos. Em 2025, o Paraná ampliou sua participação nas exportações brasileiras da proteína, alcançando 22,61% do total nacional.
Os embarques estaduais somaram 14.875 toneladas, avanço expressivo em relação às 8.692 toneladas exportadas no ano anterior.
No cenário nacional, a carne de peru brasileira foi destinada a 88 mercados internacionais, com destaque para os países das Américas, responsáveis por 63,05% das compras, e da África, com participação de 31,15%.
Maior oferta pressiona preços do brócolis
No segmento de hortaliças, o aumento sazonal da produção provocou queda nos preços do brócolis no mercado atacadista.
A região de Curitiba, responsável por mais de 75% da produção estadual, registrou ampliação da oferta nas primeiras semanas de junho. Como resultado, o preço médio praticado no entreposto da capital recuou para R$ 8,33 por quilo, valor 28,6% inferior ao observado no mesmo período do mês anterior.
Balança comercial de lácteos fecha quadrimestre com superávit em volume
O setor lácteo paranaense encerrou o primeiro quadrimestre de 2026 com saldo positivo em volume comercializado no mercado externo.
As exportações alcançaram 4,3 mil toneladas, superando as importações, que totalizaram 3,1 mil toneladas no período.
Entretanto, a balança comercial permaneceu deficitária em valor financeiro. Enquanto as vendas externas geraram receita de US$ 8,1 milhões, as importações somaram US$ 11,4 milhões.
O resultado reflete o perfil da pauta comercial do setor. O Paraná exporta predominantemente produtos de menor valor agregado, como manteiga, enquanto importa itens com maior valor de mercado, especialmente queijos.
Agronegócio paranaense mantém trajetória de crescimento
Os números apresentados pelo Deral reforçam o bom momento vivido pelo agronegócio paranaense. A expectativa de safra recorde de cevada, o avanço do milho, o fortalecimento das exportações de proteína animal e o desempenho positivo de diferentes cadeias produtivas demonstram a diversidade e a força do setor no estado.
Mesmo diante dos desafios climáticos e das oscilações de mercado, o Paraná segue ampliando sua relevância no cenário agropecuário nacional e consolidando sua posição entre os principais polos produtores do Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio



