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Etanol além da cana: trigo, soja, batata-doce e até resíduos alimentares impulsionam nova revolução dos biocombustíveis no Brasil

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O Brasil está vivendo uma nova transformação no setor de biocombustíveis. Tradicionalmente sustentada pela cana-de-açúcar e, mais recentemente, pelo milho, a indústria nacional de etanol avança para uma fase marcada pela diversificação de matérias-primas, incorporando culturas como trigo, cevada, sorgo, soja, batata-doce, resíduos alimentares e até agave.

A chamada “terceira onda” dos biocombustíveis promete ampliar a oferta de energia renovável, gerar novas fontes de renda para produtores rurais e fortalecer a segurança energética do país em um cenário global marcado por volatilidade nos mercados de petróleo.

Com um mercado estimado em cerca de US$ 20 bilhões, o Brasil mantém a segunda maior indústria de etanol do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A expansão das alternativas produtivas surge em um momento estratégico para o setor.

Diversificação fortalece a transição energética

Especialistas e empresas do setor avaliam que o futuro dos biocombustíveis dependerá da integração de diferentes fontes de biomassa, reduzindo a dependência de uma única cultura.

A proposta ganha relevância em meio ao aumento da demanda global por combustíveis renováveis e à necessidade de ampliar a produção sem comprometer a sustentabilidade do sistema agrícola.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta que a produção brasileira de etanol alcançará aproximadamente 40 bilhões de litros em 2026. Desse total, cerca de 28,5 bilhões de litros deverão ser originados da cana-de-açúcar, enquanto mais de 11 bilhões de litros virão de outras matérias-primas, principalmente milho, mas também trigo, soja e outros cereais.

Trigo lidera nova fronteira do etanol no Sul

O Rio Grande do Sul desponta como protagonista da nova fase dos biocombustíveis. A empresa Be8 está investindo R$ 1,7 bilhão na construção da primeira biorrefinaria brasileira em larga escala voltada à produção de etanol a partir de trigo e grãos de inverno.

A unidade, localizada em Passo Fundo (RS), tem previsão de iniciar operações em março de 2027 e capacidade para produzir 220 milhões de litros de etanol por ano.

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Além do combustível, a planta deverá gerar importantes coprodutos para a pecuária, incluindo 155 mil toneladas anuais de DDG (grãos secos de destilaria) e 27 mil toneladas de glúten de trigo, ampliando a rentabilidade da cadeia produtiva.

A iniciativa também cria novas perspectivas para culturas de inverno que historicamente enfrentam limitações de mercado, fortalecendo a diversificação agrícola no Sul do país.

Soja e batata-doce ganham espaço na produção de biocombustíveis

A busca por eficiência econômica tem levado empresas a explorar matérias-primas antes pouco valorizadas para a produção de etanol.

No setor da soja, indústrias como Caramuru e CJ Selecta passaram a transformar o melaço gerado no processamento da oleaginosa em combustível renovável, agregando valor a um subproduto de baixa rentabilidade.

Já em São Paulo, produtores encontraram uma alternativa para aproveitar excedentes de batata-doce que frequentemente permaneciam no campo por falta de viabilidade comercial. A transformação do tubérculo em etanol e ração animal cria uma nova fonte de receita e reduz desperdícios na propriedade rural.

A tecnologia permite que volumes anteriormente descartados passem a integrar uma cadeia produtiva com valor agregado.

Resíduos alimentares também viram combustível

A economia circular também ganha espaço na indústria brasileira de biocombustíveis.

Empresas especializadas em gestão ambiental estão utilizando resíduos alimentares descartados por indústrias para produzir etanol. Xaropes de refrigerantes, alimentos vencidos e outros materiais orgânicos passaram a ser transformados em combustível renovável.

Embora ainda represente uma parcela pequena da produção nacional, essa alternativa demonstra o potencial de aproveitamento energético de resíduos que antes seriam destinados a aterros sanitários.

Agave pode abrir nova fronteira no semiárido brasileiro

Outra aposta promissora vem do semiárido brasileiro. A Shell investe aproximadamente R$ 100 milhões em pesquisas para avaliar o potencial do agave como matéria-prima para a produção de etanol.

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Conhecida internacionalmente por seu uso na fabricação de tequila e mezcal, a planta apresenta elevada resistência à seca e pode se tornar uma alternativa estratégica para regiões com restrições hídricas.

Caso os estudos confirmem sua viabilidade econômica, o cultivo poderá ampliar as oportunidades de produção de biocombustíveis em áreas atualmente pouco exploradas para esse fim.

Setor aposta no crescimento da demanda

Apesar do avanço das novas tecnologias, parte da indústria sucroenergética demonstra preocupação com a expansão acelerada da oferta de etanol, especialmente diante dos atuais desafios enfrentados pelo mercado de açúcar.

Por outro lado, representantes do setor acreditam que o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina e a ampliação da infraestrutura de abastecimento devem sustentar o crescimento da demanda nos próximos anos.

A expectativa é que a mistura obrigatória de etanol na gasolina avance para 32%, o que poderá adicionar cerca de 1 bilhão de litros ao consumo anual do biocombustível no Brasil.

Especialistas projetam ainda que os combustíveis produzidos a partir de grãos possam representar entre 40% e 45% da produção nacional dentro dos próximos cinco a seis anos.

Brasil amplia liderança mundial em energia renovável

A expansão das matérias-primas para produção de etanol reforça uma das principais vantagens competitivas do agronegócio brasileiro: a capacidade de transformar diferentes culturas agrícolas e resíduos em energia renovável.

Com investimentos bilionários, inovação tecnológica e novas oportunidades para produtores rurais, a terceira onda dos biocombustíveis sinaliza uma profunda transformação no setor energético nacional, consolidando o Brasil como uma das principais referências globais na produção sustentável de combustíveis renováveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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MMA celebra Dia Nacional da Educação Ambiental e mobiliza país para o Junho Verde

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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) celebra, nesta terça-feira (3/6), o Dia Nacional da Educação Ambiental, com uma série de iniciativas voltadas à conscientização da sociedade sobre a importância da participação cidadã na proteção do meio ambiente e no enfrentamento da crise climática. A programação integra as ações do Junho Verde, campanha nacional dedicada à promoção da educação ambiental em todo o país. 

Como parte das comemorações, o MMA realiza o encontro “Protocolos e Práticas para a Educação Socioambiental em Cenários de Eventos Extremos”. O evento, iniciado na terça-feira (2/6) na Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, prossegue na manhã desta quarta-feira no Sesc 24 de Maiotambém na capital paulistaO encontro reúne especialistas, pesquisadores, gestores públicos e lideranças nacionais para discutir estratégias de educação ambiental voltadas ao fortalecimento da capacidade de resposta da sociedade diante de eventos climáticos extremos.  

A iniciativa prevê debates, painéis, intercâmbio de experiências e a formação de grupos de trabalho responsáveis por contribuir para a elaboração de protocolos e diretrizes de educação socioambiental aplicados a situações de emergência climática.  

Para o diretor de Educação Ambiental e Cidadania do MMA, Marcos Sorrentino, o Brasil já conta com protocolos consolidados. “O desafio agora é ampliar esses instrumentos, propondo protocolos que integrem a dimensão educativa desde a origem e fortaleçam o uso dos já existentes”, pontuou. 

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A programação conta com a participação de representantes do MMA, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Faculdade Zumbi dos Palmares, do Sesc-SP e de organizações parceiras. 

Mobilização digital 

Também nesta quarta-feira, o MMA lança a campanha “Educação Ambiental Vira o Jogo”, iniciativa que busca dar visibilidade a experiências socioambientais desenvolvidas em diferentes territórios e contextos sociais. A proposta busca conectar coletivos, escolas, universidades e a sociedade civil, incentivando o compartilhamento de fotos e vídeos de projetos socioambientais nas redes sociais com a hashtag #EducacaoAmbientalViraOJogo. 

“A nossa intenção é mostrar que a educação ambiental está em vários espaços para além da escola, e que todos somos ou podemos ser educadores ambientais”, explicou Sorrentino. O mutirão digital visa capturar práticas transformadoras que vão das salas de aula às comunidades tradicionais, empresas e órgãos públicos, reafirmando o caráter transversal da agenda e as diretrizes da Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). 

Saiba como participar da campanha aqui 

Junho Verde  

Instituído pela Lei nº 14.393/2022, o Junho Verde é uma iniciativa nacional voltada à ampliação do debate sobre a conservação ambiental e a sustentabilidade. A campanha busca promover o entendimento da população sobre a importância da preservação dos ecossistemas, da redução da poluição e do uso responsável dos recursos naturais, em benefício das atuais e futuras gerações. 

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Ao longo do mês, órgãos públicos, instituições de ensino, empresas, entidades da sociedade civil, comunidades tradicionais e povos indígenas realizam atividades de educação ambiental em diferentes regiões do país. A programação contempla temas como conservação da biodiversidade, uso racional da água, mudanças climáticas, transição ecológica, turismo sustentável, consumo consciente e valorização dos conhecimentos tradicionais. 

As ações do Junho Verde reforçam o compromisso do Governo do Brasil com a promoção da cidadania ambiental e com a construção de uma sociedade mais preparada para enfrentar os desafios da emergência climática, por meio da informação, da participação social e da educação ambiental. 

O Dia Nacional da Educação Ambiental foi instituído pela Lei nº 12.633/2012 e é celebrado anualmente em 3 de junho. A data marca os 20 anos da histórica Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, realizada no Rio de Janeiro, e busca sensibilizar a sociedade sobre a importância de práticas educativas voltadas à conservação, ao uso sustentável dos recursos naturais e ao fortalecimento da consciência ecológica voltada para o futuro. 

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
imprensa@mma.gov.br

(61) 2028-1227/1051
Acesse o Flickr do MMA

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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