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Glifosato volta ao centro do debate após decisão nos EUA e ação judicial no Brasil

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O glifosato voltou a ocupar o centro das discussões sobre regulação agrícola após uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos e o avanço de uma ação judicial no Brasil que busca proibir o uso do herbicida. Os dois movimentos evidenciam abordagens distintas em relação à segurança jurídica e ao futuro de um dos defensivos agrícolas mais utilizados no mundo.

Nos Estados Unidos, a Suprema Corte decidiu, por sete votos a dois, manter entendimento favorável ao herbicida comercializado como Roundup, reduzindo o alcance de milhares de ações judiciais movidas em âmbito estadual. Segundo a interpretação apresentada pelo presidente do Grupo Cabrera, Antonio Cabrera, a decisão reforça que, uma vez aprovado e rotulado pela autoridade reguladora federal competente, o produto não deve estar sujeito a exigências divergentes impostas por estados ou tribunais locais.

Na avaliação de Cabrera, o julgamento amplia a previsibilidade regulatória para produtores e empresas do setor, fortalecendo a uniformidade das regras aplicadas aos defensivos agrícolas.

Brasil enfrenta nova disputa judicial sobre o herbicida

Enquanto os Estados Unidos caminham para consolidar um entendimento sobre a competência regulatória federal, o cenário brasileiro segue em direção oposta.

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Em 2026, o Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação contra a União e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), solicitando o banimento do glifosato no país. A ação pede o cancelamento dos registros do produto e a proibição de sua produção, importação, exportação, comercialização e utilização em território nacional.

O processo reacende um debate que envolve aspectos ambientais, de saúde pública, jurídicos e econômicos, além dos impactos sobre os sistemas de produção agrícola brasileiros.

Ferramenta é considerada estratégica para o plantio direto

Especialistas do setor destacam que o glifosato desempenha papel relevante na agricultura moderna, especialmente na adoção do sistema de plantio direto, amplamente utilizado nas principais regiões produtoras de grãos do Brasil.

Nesse sistema, o herbicida é empregado na dessecação da cobertura vegetal antes do plantio, reduzindo o revolvimento do solo e contribuindo para o controle da erosão, a conservação da umidade, a manutenção da estrutura física do solo e o aumento da sustentabilidade da produção.

Materiais técnicos da Embrapa reconhecem o uso do glifosato como uma das ferramentas empregadas no manejo do plantio direto, prática considerada importante para a agricultura conservacionista.

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Competitividade do agronegócio entra no debate

Antonio Cabrera também destaca que o Brasil figura entre os líderes mundiais na adoção do sistema de plantio direto, enquanto países europeus, como a Alemanha, apresentam participação significativamente menor dessa tecnologia.

Na visão do dirigente, a diferença entre os cenários regulatórios pode influenciar diretamente a competitividade do agronegócio brasileiro. Segundo ele, eventuais decisões judiciais que restrinjam o uso do glifosato podem impactar práticas consolidadas de manejo agrícola e elevar os desafios para a produção de alimentos.

O debate sobre o futuro do herbicida deve permanecer em evidência nos próximos meses, acompanhando o andamento da ação judicial no Brasil e as discussões técnicas e regulatórias envolvendo um dos insumos mais utilizados pela agricultura mundial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Importação de defensivos agrícolas recua 6,8% em 2026, mas genéricos ganham espaço no mercado brasileiro

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Importações de defensivos entram em fase de ajuste em 2026

As importações brasileiras de defensivos químicos somaram US$ 4,28 bilhões entre janeiro e maio de 2026, resultado que representa uma queda de 6,8% em relação ao mesmo período do ano passado, quando as compras externas alcançaram US$ 4,59 bilhões.

Em volume, também houve retração. As importações passaram de 537,3 mil toneladas para 502,6 mil toneladas, uma redução de 6,5%, acompanhada pela queda dos preços médios dos produtos.

Os dados fazem parte do levantamento do CropData, plataforma de inteligência da CropLife Brasil, que ampliou suas funcionalidades para o segmento de defensivos químicos, oferecendo informações detalhadas sobre importações de produtos formulados, ingredientes ativos e comercialização no mercado interno.

Segundo a entidade, o cenário não indica redução da proteção das lavouras, mas sim uma reconfiguração das estratégias de compra adotadas pelos produtores rurais.

Produtos genéricos ampliam participação nas compras externas

De acordo com a CropLife Brasil, a principal mudança observada em 2026 é o avanço da participação dos defensivos genéricos — produtos pós-patente amplamente disponíveis no mercado internacional.

O gerente executivo da entidade, Renato Gomides, destaca que a combinação entre margens mais apertadas, aumento do endividamento rural, dificuldades de acesso ao crédito e crescimento das recuperações judiciais tem levado os produtores a buscar alternativas com melhor relação custo-benefício.

Além disso, Gomides ressalta que o longo prazo para aprovação de novas tecnologias no Brasil também influencia esse movimento.

Segundo ele, a demora nos processos regulatórios reduz a oferta de produtos inovadores no mercado nacional, favorecendo a maior utilização de moléculas já consolidadas e disponíveis globalmente.

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Herbicidas lideram importações de produtos formulados

Entre os defensivos formulados importados, os herbicidas continuam sendo a principal categoria comercializada pelo Brasil.

Nos cinco primeiros meses de 2026, esse segmento movimentou aproximadamente US$ 471 milhões, com volume de 112 mil toneladas, mantendo a liderança tanto em valor quanto em quantidade importada, apesar da retração em comparação com 2025.

Na sequência aparecem:

  • Inseticidas: US$ 295 milhões;
  • Fungicidas: US$ 249 milhões.

Todos os segmentos apresentaram redução em valor, volume e preço médio no período.

Segundo a CropLife Brasil, os herbicidas representam 34% do valor total das importações de produtos formulados e quase 45% do volume adquirido pelo país.

O protagonismo da categoria está diretamente relacionado ao sistema produtivo brasileiro, especialmente ao plantio direto, em que o controle químico das plantas daninhas é considerado essencial para preservar o solo, reduzir processos erosivos e garantir maior produtividade em culturas como soja, milho e algodão.

China domina fornecimento de herbicidas ao Brasil

A China permanece como a principal fornecedora de herbicidas formulados para o mercado brasileiro.

Entre janeiro e maio de 2026, o país asiático respondeu por:

  • 72% do valor importado, equivalente a aproximadamente US$ 338 milhões;
  • 90% do volume adquirido, com cerca de 100 mil toneladas.

Na sequência aparecem os Estados Unidos e a Alemanha, considerando o valor das importações. Em volume, os maiores fornecedores depois da China são Estados Unidos e Índia.

Plataforma amplia monitoramento por ingrediente ativo

Outra novidade apresentada pelo CropData é a ferramenta que permite acompanhar as importações por ingrediente ativo.

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A funcionalidade reúne informações sobre até 19 princípios ativos, permitindo comparar produtos técnicos e formulados, além de apresentar indicadores de valor, volume, preço médio e origem das importações.

O objetivo é ampliar a transparência sobre a dinâmica do mercado brasileiro de defensivos e facilitar análises sobre abastecimento, competitividade e dependência externa.

Mercado interno comercializou 826 mil toneladas em 2024

A plataforma também passou a disponibilizar dados sobre a comercialização de defensivos formulados no mercado interno, utilizando informações oficiais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Os dados mais recentes mostram que, em 2024, foram comercializadas 826 mil toneladas de produtos formulados no Brasil.

Considerando a área agrícola destinada às principais culturas — incluindo grãos, café, cana-de-açúcar, hortifrutigranjeiros, eucalipto e pinus —, o consumo médio foi de 7,73 quilos por hectare.

Esse indicador segue a metodologia utilizada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) para mensurar o uso de defensivos agrícolas nos diferentes países.

Setor busca equilíbrio entre custos, inovação e competitividade

Os números mostram que o mercado brasileiro de defensivos químicos passa por um período de ajuste, marcado por menor volume de importações, redução dos preços médios e maior participação de produtos genéricos.

Ao mesmo tempo, o setor reforça a necessidade de maior previsibilidade regulatória para acelerar o acesso a novas tecnologias, fator considerado estratégico para manter a competitividade da agricultura brasileira e ampliar as opções de manejo disponíveis aos produtores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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