QUESTÃO AGRÁRIA
MT lidera conflitos no campo e resgates por trabalho escravo
Relatório da Comissão Pastoral da Terra aponta aumento de ameaças de despejo, atuação de grupos armados e disputas por água no estado.
COTIDIANO
Mato Grosso liderou em 2025 os registros de resgates de trabalhadores em situação análoga à escravidão e contabilizou 63 conflitos no campo envolvendo quase 54 mil pessoas, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (19) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT-MT).
Os dados fazem parte da publicação “Conflitos no Campo Brasil 2025”, lançada em Cuiabá.
De acordo com o levantamento, a maior parte dos casos no estado está relacionada a disputas por terra. Foram 53 ocorrências, atingindo 11.841 famílias. Assentados, posseiros e quilombolas aparecem entre os principais grupos afetados.
O relatório também aponta 200 registros de pistolagem, ligados a ameaças, intimidações e atuação de grupos armados em áreas de conflito.
Outro dado apresentado pela CPT é o crescimento das ameaças de despejo judicial. Em 2025, foram contabilizados 4.701 casos, aumento superior a 300% em relação ao ano anterior.
A região Norte concentra o maior número de municípios envolvidos em conflitos agrários no estado. Ao todo, 26 cidades da região registraram ocorrências. Em Mato Grosso, o número total chegou a 48 municípios.
No recorte sobre trabalho escravo, Mato Grosso liderou o país em número de trabalhadores resgatados. Segundo a CPT, 606 pessoas foram retiradas de condições análogas à escravidão em duas operações realizadas no estado.
O principal caso ocorreu em Porto Alegre do Norte, onde 586 trabalhadores foram encontrados durante a construção de uma usina de etanol. Outro resgate aconteceu em Nova Maringá, envolvendo 20 pessoas que atuavam no corte e empilhamento de madeira.
As disputas por água também cresceram em Mato Grosso. Foram oito conflitos registrados em 2025, afetando 1.491 famílias. As ocorrências envolvem disputas por acesso a recursos hídricos, barramentos e contaminação da água.
Em todo o país, a CPT registrou 1.593 conflitos no campo em 2025, uma redução de 28% em relação ao ano anterior. Apesar disso, o número de assassinatos no campo dobrou no período, passando de 13 para 26 vítimas.
COTIDIANO
MT está entre os estados com mais internações por álcool no país
Mato Grosso teve taxa de 203,9 internações atribuíveis ao álcool para cada 100 mil habitantes em 2024, segundo o estudo
O consumo abusivo de álcool segue refletindo diretamente na saúde pública em Mato Grosso. Dados do relatório “Álcool e a Saúde dos Brasileiros – Panorama 2025”, divulgado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), mostram que o estado registra uma das maiores taxas de internações relacionadas ao álcool no Brasil. É o 9º entre os 26 Estados e o Distrito Federal.
Segundo o levantamento, Mato Grosso teve taxa de 203,9 internações atribuíveis ao álcool para cada 100 mil habitantes em 2024, ficando entre os estados com maiores índices do país. Já a taxa de mortes relacionadas ao consumo alcoólico chegou a 37,7 óbitos por 100 mil habitantes em 2023.
O estudo aponta que as regiões Centro-Oeste e Norte concentram um dos perfis mais preocupantes de consumo excessivo de álcool no Brasil. Entre os fatores de risco identificados estão homens entre 25 e 44 anos, com ensino médio, e pessoas que consomem sete ou mais doses em uma única ocasião com maior frequência.
Apesar de o levantamento nacional mostrar redução no consumo abusivo de álcool — que caiu de 17% para 15% entre 2023 e 2025 — o padrão de ingestão pesada ainda preocupa especialistas, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste.
A pesquisa também identificou mudança no comportamento dos brasileiros em relação à bebida. O percentual de pessoas que afirmam não consumir álcool subiu de 55% para 64% nos últimos dois anos. Entre jovens de 18 a 24 anos, a abstenção aumentou de 46% para 64%.
Mesmo assim, os impactos seguem elevados. Nacionalmente, as internações parcialmente atribuíveis ao álcool cresceram 50,3% entre 2010 e 2024, enquanto o total de internações relacionadas ao consumo alcoólico aumentou 24,2% no período.
Outro dado que chamou atenção no relatório foi o aumento expressivo das internações e mortes relacionadas ao álcool entre pessoas com mais de 55 anos. O crescimento das internações nessa faixa etária chegou a 105% entre 2010 e 2024, enquanto os óbitos aumentaram 51%.
Entre as principais causas de internações ligadas ao álcool estão acidentes de trânsito, quedas e outras lesões não intencionais. Já as mortes estão associadas principalmente à cirrose hepática, doenças cardíacas e acidentes de trânsito.
O relatório completo do CISA foi elaborado com base em dados do Datasus, Sistema de Informações Hospitalares (SIHSUS), Sistema de Mortalidade (SIM), além de pesquisa domiciliar realizada pela Ipsos em todo o país.
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