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Emprego feminino avança e políticas de igualdade salarial se ampliam, aponta 5º Relatório de Transparência Salarial

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O Governo do Brasil, por meio dos Ministérios das Mulheres e do Trabalho e Emprego, divulgou nesta segunda-feira (27) o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, que consolida a implementação da Lei nº 14.611/2023 e evidencia avanços na promoção da igualdade de oportunidades no mercado de trabalho.

Os dados mostram que o número de mulheres ocupadas cresceu 11%, saltando para 8 milhões de trabalhadoras, com um destaque para a inclusão de mulheres negras, cuja presença no mercado formal avançou 29%, totalizando 4,2 milhões de trabalhadoras. Apesar da maior inserção, a desigualdade salarial média de 21,3% permanece estável em relação ao ano anterior, com variações que indicam maior distância em ocupações de nível superior e empresas de maior porte. 

“Quando defendemos a igualdade salarial, não estamos defendendo puramente aquele número nominal de valor do salário das mulheres e homens numa empresa. Estamos falando da função que essa mulher está, das condições de trabalho em que ela se encontra, dos direitos que ela já tem garantidos e que muitas vezes não são cumpridos”, disse. 

O levantamento, baseado em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do eSocial e de informações prestadas por 53,5 mil empresas com 100 ou mais empregados, também mostrou que o mercado formal segue em expansão, com crescimento de 7% no emprego (de 18 milhões para 19,3 milhões) e de 5,5% no número de estabelecimentos (de 50,7 mil para 53,5 mil).

Ela enfatizou que a autonomia econômica das mulheres é central para garantir direitos e enfrentar desigualdades, especialmente em contextos de violência e vulnerabilidade.

Durante o evento, a secretária Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados do Ministério das Mulheres, Joana Passos, apresentou um conjunto de diretrizes voltadas à elaboração, pelas empresas, de planos de mitigação das desigualdades salariais. 

“Essas diretrizes são orientações para que as empresas olhem para si e avancem na promoção da equidade. O mais importante é que esse plano exista, seja construído com a participação de trabalhadoras e trabalhadores e expresse o compromisso social das empresas com essa pauta, que é urgente no Brasil”, afirmou a secretária.  

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Conquistas na política de igualdade

O relatório também registra progressos na implementação de políticas de equidade dentro das empresas. Cresceu o número de estabelecimentos com menor diferença salarial entre homens e mulheres, assim como a adoção de medidas voltadas à permanência e à ascensão profissional feminina.

Houve um crescimento substancial na oferta de jornadas flexíveis, que passou de 40,6% para 53,9%, e no auxílio-creche, de 22,9% para 38,4% das empresas. As licenças-maternidade e paternidade estendidas também avançaram para quase 30% dos estabelecimentos, enquanto o planejamento de cargos e salários passou a ser adotado por 66,8% das empresas monitoradas. 

Diversidade na contratação de mulheres   

Entre as empresas que prestaram informações, 48,7% declararam adotar políticas de promoção de mulheres e 34,1% políticas de contratação. Em relação à diversidade, 27,1% afirmaram incentivar a contratação de mulheres negras, e houve crescimento nas ações voltadas a mulheres indígenas (de 8,2% para 11,2%) e mulheres vítimas de violência (de 5,5% para 10,5%). Ao todo, 7% dos estabelecimentos afirmam contratar mulheres em situação de violência. 

 Avanço nos estados   

O relatório apresenta ainda um panorama atualizado, por unidades da federação, de estabelecimentos que trabalham com diversas políticas de incentivo à contratação de mulheres. Neste ponto, Minas Gerais lidera com 34,7% dos estabelecimentos. Junto com o Espírito Santo, se destacou nacionalmente com 11,6% de estabelecimentos com políticas de incentivo à contratação de mulheres vítimas de violência doméstica.

Os dois estados também são aqueles onde os estabelecimentos têm mais políticas de incentivo à contratação de mulheres LGBTQIAP+: 24,6% no Espírito Santo e 23,3% em Minas Gerais. 

Já Rondônia lidera em relação a políticas de incentivo à contratação de mulheres com deficiência (27,1%), enquanto o Pará é o destaque no percentual de estabelecimentos com políticas de incentivo à contratação de mulheres negras (24,8%).

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Os resultados refletem o impacto das políticas públicas do Governo do Brasil  voltadas à ampliação da participação feminina e à inclusão produtiva, além do fortalecimento de ações afirmativas nas empresas.

Desigualdade ainda é desafio

Apesar dos avanços, o relatório mostra que a desigualdade salarial persiste. No salário de admissão, a diferença chegou a 14,3%, e, na massa de rendimentos, as mulheres passaram de 33,7% para 35,2%, ainda abaixo dos 41,4% que representam no emprego. Para alcançar a equivalência, seria necessário um acréscimo estimado de R$ 95,5 bilhões na renda feminina.

As diferenças também variam conforme o porte das empresas e o nível das ocupações, sendo mais acentuadas em cargos de maior remuneração.

A ministra da Igualdade Racial, Raquel Barros, lembrou que, “durante muito tempo, esse tema não foi tratado como prioridade, mas hoje o governo assume essa agenda e avança com políticas públicas e com a transparência salarial, que tira o problema da invisibilidade e mostra onde estão as desigualdades”, afirmou. 

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que o 5º relatório representa avanço, e destacou que a equidade depende da atuação conjunta de governo, empresas e sociedade. Segundo ele, a igualdade vai além do salário e envolve acesso a oportunidades, progressão na carreira e autonomia econômica. 

“Estamos falando do direito das mulheres de receber igual na mesma função, mas a lei vai além disso: ela é um farol para empresas e poderes públicos ampliarem o acesso das mulheres aos espaços de poder e decisão”, sublinhou Luiz Marinho. 

 

Sobre a Lei 14.611

A Lei nº 14.611, sancionada em 3 de julho de 2023, reforça a igualdade salarial entre homens e mulheres e altera o artigo 461 da CLT. A norma determina que empresas com 100 ou mais empregados adotem medidas como transparência salarial, fiscalização contra discriminação, canais de denúncia, programas de diversidade e apoio à capacitação de mulheres. 

Acesse aqui os dados do Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios.

 

Fonte: Ministério das Mulheres

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Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas reforça luta por direitos e valorização da categoria

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Celebrado em 27 de abril, o Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas evidencia tanto conquistas históricas quanto os desafios enfrentados por milhões de mulheres no Brasil. A data, inspirada em Santa Zita, considerada padroeira da categoria, também convida à reflexão sobre a valorização e as condições de trabalho dessas profissionais.

No país, o trabalho doméstico é a ocupação de cerca de 5,8 milhões de pessoas, sendo 92% mulheres e 61,5% mulheres negras, segundo dados da Secretaria Nacional de Cuidados e Família. Trata-se da principal atividade que emprega mulheres no Brasil, especialmente aquelas com baixa escolaridade e oriundas de famílias de baixa renda. Apesar dessa relevância, a categoria ainda convive com altos índices de informalidade, que atingem cerca de 70% das trabalhadoras, de acordo com o Instituto Doméstica Legal.

A precarização também se reflete na renda: em 2024, o salário médio foi de R$1.189, abaixo do salário mínimo vigente à época. Além disso, as trabalhadoras domésticas constituem o maior grupo profissional dentro da força de trabalho de cuidado remunerado no país, mas seguem expostas à desproteção social, trabalhista e previdenciária, além de situações de invisibilidade e, em casos extremos, trabalho análogo à escravidão.

Diante desse cenário, avançam debates sobre políticas públicas voltadas à categoria, com foco na ampliação da formalização, na qualificação profissional e no fortalecimento da participação dessas mulheres nos espaços de controle social. Essas iniciativas têm sido construídas de forma coletiva, considerando as dimensões de gênero e raça que atravessam a realidade do trabalho doméstico.

Mais do que uma data comemorativa, o 27 de abril reforça a urgência de medidas que garantam reconhecimento, direitos e melhores condições de vida para mulheres que desempenham papel fundamental no cuidado e na sustentação dos lares brasileiros.

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Política Nacional de Cuidados 

A Política Nacional de Cuidados, instituída pela Lei nº 15.069 e sancionada em dezembro de 2023, é uma iniciativa do Governo Federal que busca reorganizar o cuidado no Brasil, com impacto direto na realidade das trabalhadoras domésticas. Aprovada por unanimidade no Senado, a política foi construída de forma interministerial, com a participação de 20 ministérios, sob coordenação do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e do Ministério das Mulheres, em diálogo com estados, municípios, Distrito Federal, sociedade civil, setor privado e organismos internacionais.

A política reconhece o cuidado como um direito de todas as pessoas, o direito de cuidar, ser cuidado e ao autocuidado, e estabelece que sua implementação ocorrerá de forma gradual, por meio de um Plano Nacional de Cuidados. Entre seus principais objetivos está a promoção do trabalho decente no setor de cuidados, com garantia de direitos trabalhistas e previdenciários, além da ampliação de oportunidades de formação e qualificação profissional.

Nesse contexto, as trabalhadoras domésticas são um público central, a política busca enfrentar a informalidade, a baixa remuneração e a desproteção social que ainda marcam a categoria, ao mesmo tempo em que propõe valorizar e profissionalizar o trabalho doméstico e de cuidados. Ao reconhecer essas trabalhadoras como parte fundamental da estrutura de cuidado no país, a iniciativa também contribui para reduzir desigualdades de gênero e raça e ampliar a autonomia econômica dessas mulheres.

Fórum para Diálogo com Trabalhadoras Domésticas Remuneradas 

O Fórum para Diálogo com Trabalhadoras Domésticas Remuneradas tem como objetivo o fortalecimento da participação das trabalhadoras domésticas nos espaços de controle social tem sido apontado como essencial para garantir que suas demandas influenciam políticas públicas. A agenda também inclui ações de formação e qualificação profissional, além do debate sobre estratégias para ampliar a formalização no setor.

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Outro ponto central é a construção de subsídios que considerem as dimensões de gênero e raça, contribuindo para políticas mais eficazes. As discussões também avançam na promoção do trabalho digno, com foco na garantia de direitos e melhores condições para essas trabalhadoras.

PEC das Domésticas

A chamada PEC das Domésticas (Emenda Constitucional nº 72/2013) representou um marco na garantia de direitos para a categoria ao estabelecer a igualdade de condições trabalhistas entre trabalhadoras domésticas e os demais trabalhadores. A medida definiu, por exemplo, a jornada de até oito horas diárias e 44 semanais, além de assegurar direitos como salário-maternidade, auxílio-doença, aposentadoria e pensão por morte.

Em 2015, esses avanços foram regulamentados pela Lei Complementar nº 150, que detalhou e ampliou as garantias para a categoria. A legislação tornou obrigatório o recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) por parte dos empregadores e assegurou direitos como seguro-desemprego, salário-família, adicional noturno e pagamento de horas extras, além de indenização em caso de demissão sem justa causa.

Historicamente marcada pela informalidade e pela exclusão de direitos, a categoria passou, a partir dessas medidas, a contar com um conjunto mais amplo de proteções trabalhistas e previdenciárias. Ainda assim, a efetivação desses direitos segue como um dos principais desafios, diante dos altos índices de informalidade que persistem no setor.

Fonte: Ministério das Mulheres

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