Search
Close this search box.

BRASIL & MUNDO

Pesquisa apoiada por conselheiros do Confoco debate a criminalização burocrática e propõe caminhos para a segurança jurídica das OSCs

Publicados

BRASIL & MUNDO

O papel estratégico das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) na execução de políticas públicas e na garantia de direitos fundamentais ganhou um diagnóstico profundo com o lançamento do relatório da pesquisa “Criminalização burocrática das organizações da sociedade civil”. O estudo, estruturado por especialistas, revela que o setor, que responde por mais de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, enfrenta sérios gargalos de sustentabilidade causados pelo sufocamento administrativo. O conceito de criminalização burocrática abordado no relatório evidencia o uso desproporcional de normativas rígidas, emaranhados cadastrais e interpretações excessivamente punitivas por parte dos órgãos de fiscalização e controle. Esse cenário, em vez de ordenar, muitas vezes paralisa as instituições que atuam direto nos territórios onde o poder público enfrenta limites de alcance.

A advogada Paula Storto, conselheira do Confoco na vaga do Núcleo de Estudos Avançados no Terceiro Setor (NEATS) e uma das autoras da pesquisa, detalha o tamanho desse impacto estrutural:“A burocracia excessiva escancara a desorganização do Estado brasileiro em relação ao setor sem fins lucrativos: mesmo representando mais de 4% do PIB e exercendo um papel público essencial, as OSCs ainda enfrentam um verdadeiro emaranhado de regras e cadastros que consome tempo das lideranças e drena recursos que deveriam ir para suas atividades.”

O debate central proposto pelo estudo gira justamente em torno do desvirtuamento dessas regras de controle. Para Laís de Figueirêdo Lopes, também vice-presidente do Confoco pelo NEATS e coautora do estudo, as exigências estatais perderam a função primordial de transparência para se tornarem barreiras punitivas: “A burocracia não pode ser instrumento de criminalização de quem promove direitos. A burocracia deve organizar, não criminalizar as organizações”.

Historicamente, os movimentos sociais e as organizações que atuam na linha de frente de vulnerabilidades extremas são os mais afetados por esses entraves administrativos. Ao analisar esse panorama, Iara Sanchez, conselheira do Confoco e representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), aponta que um dos grandes desafios atuais para a eficácia do marco legal é a ausência de regras claras de transição para o passivo de parcerias firmadas sob o regime anterior à lei de 2014. Antes da vigência do MROSC, as relações entre o poder público e a sociedade civil eram regidas pela lógica dos convênios tradicionais, um modelo desenhado para a articulação entre órgãos estatais que não respeitava a realidade e a natureza jurídica das entidades privadas sem fins lucrativos. Essa inadequação estrutural gerou um acúmulo de processos antigos que são julgados sob critérios rígidos e desatualizados, o que perpetua uma grave insegurança jurídica e anula o caráter inovador da nova legislação, conforme detalha a conselheira:

Leia Também:  Brasil e Suriname iniciam tratativas para acordo de cooperação no turismo

“Apesar dos avanços que tivemos com o MROSC, ainda há muito a avançar. É fundamental que esse marco legal seja mais conhecido e, principalmente, aplicado de fato pelos órgãos da administração pública, pelos órgãos de controle e também pelo Judiciário. Outro ponto central é a questão da prescrição, principalmente para lidar com o passivo que ficou de antes do MROSC. Como a lei não é retroativa, muitos casos antigos continuam gerando problemas sérios para as organizações e seus dirigentes. A gente está, em 2026, instruções discutindo convênios lá do início dos anos 2000, ou seja, situações que já têm mais de 20 anos, e isso acaba perpetuando uma lógica de responsabilização que precisa ser revista.”

Para superar essa barreira, defende-se o alinhamento urgente da administração pública com a jurisprudência recente dos tribunais superiores, de modo a garantir a estabilidade das relações institucionais: “Por isso, é essencial avançar no debate sobre prescrição e decadência, especialmente em relação aos marcos interruptivos. O que defendemos, em linha com o que o Supremo [Tribunal Federal] vem decidindo, é que, por segurança jurídica, a prescrição deve acontecer uma única vez e sempre com a devida notificação do responsável.”

Leia Também:  ODS serve pra quê? Assista o vídeo e fique por dentro

A urgência dessa pauta impulsionou uma forte mobilização política e articulação territorial, o que aproximou o Confoco e as redes de base da Secretaria-Geral da Presidência da República, sob a liderança do ministro Guilherme Boulos, com o objetivo de firmar compromissos práticos para mitigar tais entraves. A conselheira Candice Ferreira de Araújo, também vice-presidente do Confoco, pontua a relevância dessa soma de esforços:

“A acolhida de Guilherme Boulos ao tema da criminalização burocrática reafirma a urgência de enfrentar essa agenda. A experiência da Bahia evidencia que é na resistência e na articulação das organizações da sociedade civil que os direitos se sustentam, mas essa não pode ser uma responsabilidade isolada das OSCs. É fundamental que Executivo e Legislativo assumam esse debate como prioridade institucional. Do lugar do ELO, seguimos atentas às demandas que emergem da Bahia e de outros territórios, onde a resistência tem sido decisiva, mas também onde se explicita, com ainda mais força, a necessidade de compromisso efetivo do poder público na superação da criminalização burocrática.”

O relatório completo da pesquisa está disponível para consulta pública na biblioteca de publicações da Secretaria-Geral da Presidência da República e se consolida como um subsídio técnico essencial para a preservação do espaço cívico e o fortalecimento da democracia brasileira.

Fonte: Secretaria-Geral

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

BRASIL & MUNDO

Conectando a Rio Nature Climate Week com a Agenda de Ação Climática Global

Publicados

em

A Rio Nature Climate Week é um passo importante no enfrentamento da crise climática.

O evento acontecerá de 01 a 06 de junho, no Rio de Janeiro, ocupando diferentes espaços icônicos e territórios da cidade, com eventos presenciais, híbridos e transmissões globais.

A estrutura da Semana está diretamente conectada aos seis eixos da Agenda de Ação Climática Global, que passou a vigorar na COP30 e será consolidada na COP31, para acelerar a Era da Implementação do combate às mudanças climáticas.

Os seis eixos são:

(1) Transição energética, industrial e dos transportes;

(2) Cuidando das florestas, dos oceanos e da biodiversidade;

(3) Transformando a agricultura e os sistemas alimentares;

(4) Construindo resiliência para cidades, infraestrutura e água;

(5) Promoção do desenvolvimento humano e social; e

(6) Liberar facilitadores e aceleradores, incluindo financiamento, tecnologia e capacitação.

A Rio Nature Climate Week se une aos esforços das presidências das COPs 30 e 31, bem como a UNFCCC e os times dos Campeões de Alto Nível de Clima, que têm trabalhado juntos para avançar cada vez mais na implementação de ações de mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia e formação.

A estrutura definida durante a COP30, com os seis eixos, 30 objetivos, a reunião de mais de 400 atores em Grupos de Ativação e a criação de Planos de Aceleração de Soluções (PAS), configura uma base sólida que já vem promovendo esses avanços. Essa estrutura tem sido constantemente referendada pelos principais atores da agenda climática, como reflete o engajamento na implementação dos Planos.

Leia Também:  Corrente de comércio chega a de US$ 13,5 bi na 3° semana de maio

Conforme afirmou o Secretário-Executivo da ONU para Mudanças do Clima, Simon Stiell, a COP de Belém marcou uma nova era de implementação, e as Semanas de Clima de 2026 ajudarão a mostrar como a implementação prática dos compromissos e resultados da COP pode se concretizar e trazer grandes benefícios para governos, empresas, comunidades e pessoas em larga escala.

Reconhecemos que é preciso elevar a Agenda de Ação Climática, uma parte vital do Acordo de Paris, na qual já estamos vendo um enorme progresso no mundo real e precisamos ver muito mais nos anos cruciais que virão.

Em sua primeira carta, divulgada no último dia 13 de abril, o presidente designado da COP 31, Murat Kurum, afirma que esta edição da COP será conhecida como a “COP do Futuro”, com uma abordagem focada na implementação e guiada por três princípios fundamentais: Diálogo, Consenso e Ação. E a Rio Nature Climate Week é um instrumento rumo à COP31

A cidade do Rio de Janeiro é mundialmente associada a acordos internacionais fundamentais para a manutenção da vida no planeta. As convenções sobre clima, biodiversidade e combate à desertificação nasceram na Rio 92, e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, na Rio+20, em 2012.

É fundamental que a cidade continue sendo referência agora, na nova fase da cooperação internacional da agenda climática, com a mobilização de esforços para a implementação de soluções.

Leia Também:  Lançamento da campanha educativa: "Separação e destinação adequada de resíduos sólidos"

Ao adotar a estrutura oficial da Agenda de Ação definida durante a COP30, a Rio Nature Climate Week se alinha à implementação do Balanço Global do Acordo de Paris e contribui para a renovação e o fortalecimento da agenda climática rumo à COP 31.

Participação do MDA

Por meio de sua Assessoria Internacional, o MDA participará da Rio Nature Climate Week, onde apresentará o Plano de Aceleração de Soluções (PAS) TERRA, em parceria com entes internacionais, que demonstra como é possível expandir territórios agroecológicos e agroflorestais, com foco no fortalecimento de organizações da agricultura familiar e de povos e comunidades tradicionais, para acelerar transições para sistemas alimentares mais sustentáveis e resilientes.

“Aproveitaremos a oportunidade para convidar atores estatais e não-estatais a se somarem ao mutirão pela transição agroecológica e agroflorestal por meio do nosso Plano de Aceleração de Soluções TERRA, que terá como piloto o Programa Nacional de Floresas Produtivas, na Amazônia”, antecipa Thomas Patriota, chefe da Assessoria Internacional do MDA e coordenador do PAS TERRA.

Para mais informações sobre Rio Nature Climate Week, clique AQUI.

Texto: Ascom da Agenda de Ação da Presidência da COP30

Edição: Marcelo Carota, Ascom MDA

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍCIA

BRASIL E MUNDO

AGRO E ECONOMIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA