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Grupo de Trabalho da Seleção Feminina da Justiça e Segurança Pública mobiliza ações para prevenir feminicídios e proteger mulheres

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Brasília, 24/6/2026 – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, anunciou nesta quarta-feira (24) a criação do Grupo de Trabalho da Seleção Feminina da Justiça e Segurança Pública, iniciativa voltada ao enfrentamento da violência contra as mulheres e à redução dos índices de feminicídio no País.

Na reunião de instalação do colegiado, o ministro destacou a urgência do tema e propôs que o grupo produza relatórios periódicos, realize encontros regulares e contribua para uma política pública baseada em evidências.

“Hoje é o nosso marco zero. Estamos capturando esse sentimento de alegria e brasilidade que envolve o futebol para que, durante e depois da Copa, esse time continue jogando. Queremos identificar o que funciona na rede de proteção, chamar atenção para o que não funciona e construir estratégias de comunicação que ampliem o alcance dessa causa”, afirmou.

Primeiro tempo: escuta em campo

A secretária de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, lembrou que o Brasil registrou, pela primeira vez desde 2014, redução nos índices de feminicídio. “Queremos um espaço de escuta qualificada e permanente, capaz de fortalecer duas agendas fundamentais: o acesso das mulheres à Justiça e o acesso das mulheres à Segurança Pública”, afirmou.

Reunião para criação do Grupo no Ministério da Justiça e Segurança Pública. Foto: Tom Costa/MJSP
Reunião para criação do Grupo no Ministério da Justiça e Segurança Pública. Foto: Tom Costa/MJSP
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A magistrada Andremara dos Santos (TJBA) defendeu que as ações tenham continuidade além dos grandes eventos. “O enfrentamento ao feminicídio precisa integrar de forma definitiva as estratégias da segurança pública”, disse.

A tenente-coronel Claudia Moraes, da Polícia Militar do Rio de Janeiro, chamou atenção para um gap estrutural: “A violência contra a mulher ainda não entrou na agenda da segurança pública como deveria. Precisamos garantir que o aumento das denúncias seja acompanhado pela preparação das instituições que estão na ponta.”

A delegada Luana Vaz Davico, do Distrito Federal, destacou os desafios no acolhimento: “As mulheres muitas vezes não querem procurar as delegacias porque não se sentem acolhidas pelo sistema. Precisamos construir protocolos que ampliem os pontos de atendimento.”

Jogo em todo o campo

A advogada Alice Bianchini enfatizou a dimensão territorial: “Precisamos olhar para a territorialidade e compreender as especificidades de cada contexto para que as políticas alcancem as mulheres.”

A defensora pública Alessia Tuxá alertou para as barreiras enfrentadas por mulheres indígenas: “Precisamos garantir que as políticas públicas alcancem os territórios e atendam efetivamente essas mulheres.”

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Nenhuma jogadora deixada para trás

A procuradora Anamaria Barroso sintetizou o desafio central: “Nosso desafio é garantir que o serviço chegue à mulher invisível, aquela que passa pela polícia, pelo hospital, pela Defensoria Pública e muitas vezes desiste de buscar ajuda.”

O grupo reúne representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública, da Polícia Militar, do Judiciário e da sociedade civil, com foco na articulação entre União, estados e municípios. O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, encerrou a reunião destacando os avanços na integração de dados sobre feminicídio e o papel do grupo na qualificação das informações para orientar as ações de prevenção.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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Oficinas encerram 1º ciclo do programa Língua Indígena Viva no Direito

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As oficinas de comunicação intercultural de direitos realizadas nas comunidades Tikuna, Kaingang e Kaiowá encerraram, neste mês de junho, o ciclo do programa Língua Indígena Viva no Direito (LIVD) dedicado à tradução de textos jurídicos para as três línguas indígenas mais faladas no Brasil.

O projeto da Advocacia-Geral da União (AGU) — em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) — é executado pela Organização da Sociedade Civil Instituto de Direito Global (IDGlobal) e tem como objetivo promover a cidadania entre as comunidades originárias.

As oficinas são a última etapa do projeto, com foco na formação das comunidades indígenas em relação aos conteúdos traduzidos: a Constituição Federal de 1988, a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).

Após a validação dos textos pelas próprias comunidades, uma versão compilada das traduções foi entregue a cada grupo indígena envolvido neste ciclo do projeto. Também foram produzidos conteúdos audiovisuais sobre os instrumentos jurídicos, com apoio da Escola Superior da AGU (ESAGU) e participação de dirigentes da AGU, equipe do LIVD, além de dirigentes e pesquisadores indígenas do IDGlobal.

Os conteúdos, legendados ou produzidos nas línguas indígenas, foram disseminados para as comunidades e estão disponíveis na página do programa em Kaingang, Tikuna e Kaiowá.

Comunidade Kaiowá - Foto: Daniel Estevão/AscomAGU
Comunidade Kaiowá – Foto: Daniel Estevão/AscomAGU

Direitos legais

A oficina que encerrou o primeiro ciclo do programa ocorreu na terça-feira (23), no Tekoha Laranjeira Nhãnderu (Casa de Reza Kaiowá), em Rio Brilhante (MS). Durante o evento, o Conselho Nacional de Justiça participou com serviços itinerantes de diferentes órgãos judiciais, fortalecendo a parceria entre os poderes Executivo e Judiciário para ampliar o acesso dos povos originários à justiça e à cidadania.

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A pesquisadora kaiowá Jhelice Franco foi uma das participantes do encontro, que reuniu cerca de 100 pessoas. Jhelice pertence à comunidade Kaiowá, é estudante de Direito na Universidade do Mato Grosso do Sul e trabalhou no projeto auxiliando os tradutores tradicionais em relação aos termos jurídicos. Para ela, o Língua Indígena Viva no Direito vai fortalecer a comunidade na luta por seus direitos.

“Durante muito tempo nossos direitos ancestrais e legais nos foram negados. Foi só em 1988 que a Constituição nos reconheceu como sujeitos de direito, mas ainda assim permanecemos distantes devido à dificuldade de acesso aos textos”, explica Jhelice. “Com a versão para nossa língua, os Kaiowá poderão entender o que de fato está escrito e terão acesso a um conhecimento importante para continuarem reivindicando questões relevantes para a comunidade”, analisa.

Comunidade Kaingang - Foto: Anderson Teles/IDGlobal
Comunidade Kaingang – Foto: Anderson Teles/IDGlobal

Caminhos e estratégias

A primeira oficina foi realizada em 19 de junho, na Aldeia Kógũnh Mág, em Canela (RS), onde a comunidade Kaingang reuniu crianças, jovens e adultos em atividades de capacitação sobre os conteúdos jurídicos. O público adulto também participou de discussões sobre desafios climáticos, direitos indígenas e estratégias comunitárias de proteção, questões discutidas em Kaingang com a participação do pesquisador Ademir Garcia.

“Foi um dia para celebrar a conclusão da tradução de relevantes documentos jurídicos e um momento de reflexão sobre caminhos e estratégias de acesso à justiça e à educação”, destacou o cacique kaingang Maurício Salvador.

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No dia 20 de junho, foi a vez dos Tikuna receberem a compilação das traduções e participarem da formação realizada na comunidade de Umariaçu II, em Tabatinga (AM). O público foi composto por lideranças locais e regionais, jovens e comunicadores, que atuarão como multiplicadores de conteúdo.

A oficina foi coordenada pelo pesquisador tikuna Maykon Flores e abordou temas como direitos e garantias fundamentais, acesso à saúde, educação e cultura, preservação do meio ambiente e defesa dos territórios indígenas.

O pesquisador destacou que a oficina foi muito importante para o povo Tikuna, por proporcionar espaço para o debate sobre os direitos garantidos pela Constituição. Maykon Flores acredita que o aprendizado poderá ser levado para outros pontos da comunidade indígena,  fortalecendo ainda mais as lideranças Tikuna.

Comunidade Tikuna - Foto: Pedro Federal/IDGlobal
Comunidade Tikuna – Foto: Pedro Federal/IDGlobal

Balanço do ciclo

Em pouco mais de um ano, a equipe do Língua Indígena Viva no Direito entregou 1,5 mil versões de textos jurídicos traduzidos, realizou 12 visitas presenciais a diferentes territórios indígenas e participou de eventos, seminários e encontros institucionais e acadêmicos sobre a temática.

O programa ampliou o diálogo intercultural do Estado brasileiro com 118 mil falantes de três línguas indígenas, promovendo a igualdade, fortalecendo a cidadania e valorizando a cultura dos povos envolvidos.

A perspectiva do programa é ampliar sua atuação para incluir outras línguas indígenas faladas no Brasil e outros documentos jurídicos relevantes, conforme a Portaria Interministerial AGU/MPI/MJSP nº 1, de 18 de abril de 2024.

Assessoria Especial de Comunicação Social da AGU

Fonte: Advocacia-Geral da União

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