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Oficinas encerram 1º ciclo do programa Língua Indígena Viva no Direito
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As oficinas de comunicação intercultural de direitos realizadas nas comunidades Tikuna, Kaingang e Kaiowá encerraram, neste mês de junho, o ciclo do programa Língua Indígena Viva no Direito (LIVD) dedicado à tradução de textos jurídicos para as três línguas indígenas mais faladas no Brasil.
O projeto da Advocacia-Geral da União (AGU) — em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) — é executado pela Organização da Sociedade Civil Instituto de Direito Global (IDGlobal) e tem como objetivo promover a cidadania entre as comunidades originárias.
As oficinas são a última etapa do projeto, com foco na formação das comunidades indígenas em relação aos conteúdos traduzidos: a Constituição Federal de 1988, a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).
Após a validação dos textos pelas próprias comunidades, uma versão compilada das traduções foi entregue a cada grupo indígena envolvido neste ciclo do projeto. Também foram produzidos conteúdos audiovisuais sobre os instrumentos jurídicos, com apoio da Escola Superior da AGU (ESAGU) e participação de dirigentes da AGU, equipe do LIVD, além de dirigentes e pesquisadores indígenas do IDGlobal.
Os conteúdos, legendados ou produzidos nas línguas indígenas, foram disseminados para as comunidades e estão disponíveis na página do programa em Kaingang, Tikuna e Kaiowá.
Direitos legais
A oficina que encerrou o primeiro ciclo do programa ocorreu na terça-feira (23), no Tekoha Laranjeira Nhãnderu (Casa de Reza Kaiowá), em Rio Brilhante (MS). Durante o evento, o Conselho Nacional de Justiça participou com serviços itinerantes de diferentes órgãos judiciais, fortalecendo a parceria entre os poderes Executivo e Judiciário para ampliar o acesso dos povos originários à justiça e à cidadania.
A pesquisadora kaiowá Jhelice Franco foi uma das participantes do encontro, que reuniu cerca de 100 pessoas. Jhelice pertence à comunidade Kaiowá, é estudante de Direito na Universidade do Mato Grosso do Sul e trabalhou no projeto auxiliando os tradutores tradicionais em relação aos termos jurídicos. Para ela, o Língua Indígena Viva no Direito vai fortalecer a comunidade na luta por seus direitos.
“Durante muito tempo nossos direitos ancestrais e legais nos foram negados. Foi só em 1988 que a Constituição nos reconheceu como sujeitos de direito, mas ainda assim permanecemos distantes devido à dificuldade de acesso aos textos”, explica Jhelice. “Com a versão para nossa língua, os Kaiowá poderão entender o que de fato está escrito e terão acesso a um conhecimento importante para continuarem reivindicando questões relevantes para a comunidade”, analisa.
Caminhos e estratégias
A primeira oficina foi realizada em 19 de junho, na Aldeia Kógũnh Mág, em Canela (RS), onde a comunidade Kaingang reuniu crianças, jovens e adultos em atividades de capacitação sobre os conteúdos jurídicos. O público adulto também participou de discussões sobre desafios climáticos, direitos indígenas e estratégias comunitárias de proteção, questões discutidas em Kaingang com a participação do pesquisador Ademir Garcia.
“Foi um dia para celebrar a conclusão da tradução de relevantes documentos jurídicos e um momento de reflexão sobre caminhos e estratégias de acesso à justiça e à educação”, destacou o cacique kaingang Maurício Salvador.
No dia 20 de junho, foi a vez dos Tikuna receberem a compilação das traduções e participarem da formação realizada na comunidade de Umariaçu II, em Tabatinga (AM). O público foi composto por lideranças locais e regionais, jovens e comunicadores, que atuarão como multiplicadores de conteúdo.
A oficina foi coordenada pelo pesquisador tikuna Maykon Flores e abordou temas como direitos e garantias fundamentais, acesso à saúde, educação e cultura, preservação do meio ambiente e defesa dos territórios indígenas.
O pesquisador destacou que a oficina foi muito importante para o povo Tikuna, por proporcionar espaço para o debate sobre os direitos garantidos pela Constituição. Maykon Flores acredita que o aprendizado poderá ser levado para outros pontos da comunidade indígena, fortalecendo ainda mais as lideranças Tikuna.
Balanço do ciclo
Em pouco mais de um ano, a equipe do Língua Indígena Viva no Direito entregou 1,5 mil versões de textos jurídicos traduzidos, realizou 12 visitas presenciais a diferentes territórios indígenas e participou de eventos, seminários e encontros institucionais e acadêmicos sobre a temática.
O programa ampliou o diálogo intercultural do Estado brasileiro com 118 mil falantes de três línguas indígenas, promovendo a igualdade, fortalecendo a cidadania e valorizando a cultura dos povos envolvidos.
A perspectiva do programa é ampliar sua atuação para incluir outras línguas indígenas faladas no Brasil e outros documentos jurídicos relevantes, conforme a Portaria Interministerial AGU/MPI/MJSP nº 1, de 18 de abril de 2024.
Assessoria Especial de Comunicação Social da AGU
Fonte: Advocacia-Geral da União
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Ministro dos Transportes acompanha início das obras da Estrada Boiadeira, no Paraná
Estratégica para o escoamento da produção agropecuária do noroeste paranaense, a BR-487/PR entrou em uma nova fase nesta quarta-feira (24), com o início dos serviços do trecho entre Serra dos Dourados, em Umuarama, e Cruzeiro do Oeste. O ministro dos Transportes, George Santoro, fez uma visita técnica para acompanhar o andamento da obra, a qual recebe R$ 343,9 milhões em investimentos por meio do Novo PAC.
“O Paraná é um dos estados celeiros do país e, pelo Porto de Paranaguá, sai um volume muito grande da produção nacional para exportação. Hoje o Brasil gasta 15% do Produto Interno Bruto (PIB) em custos logísticos, quando a média mundial é 7%. Ficamos muito tempo sem investir e isso é muito ruim. Precisamos reduzir esses custos”, afirmou o ministro dos Transportes, George Santoro.
O empreendimento contempla a implantação e pavimentação de 37,39 quilômetros da rodovia, além de serviços de terraplenagem, drenagem, obras de arte correntes e sinalização.
“A nossa região vai crescer muito com a Estrada Boiadeira. Umuarama e Maria Helena já estão e se desenvolvendo com essa rodovia. Quero agradecer ao Governo do Brasil por esses investimentos que estão chegando aos municípios e contribuindo para o desenvolvimento regional”, destacou o prefeito de Maria Helena (PR), Marlon Rancer.
Logística para o agronegócio
Conhecida como Estrada da Boiadeira, a BR-487 teve origem em rotas utilizadas por tropeiros que transportavam gado entre Mato Grosso do Sul e Paraná. Ao longo das décadas, a rodovia se tornou um importante eixo para a integração regional.
O corredor atende uma região marcada pela produção de soja, milho, cana-de-açúcar, proteína animal e insumos agroindustriais, além de conectar áreas produtoras aos principais corredores logísticos do Sul do país e ao Porto de Paranaguá.
“A Estrada Boiadeira é um sonho de mais de 60 anos para a nossa região. Agora, finalmente, estamos vendo esse projeto sair do papel. A obra vai reduzir o tempo de viagem e trazer mais segurança para quem passa por aqui diariamente”, destacou João Batista, morador da região.
Com a conclusão das obras, a expectativa é ampliar a eficiência logística e reduzir os custos do transporte de cargas. Haverá redução de aproximadamente 80 quilômetros no deslocamento entre Naviraí (MS) e Paranaguá (PR), além de cerca de 30 quilômetros entre Icaraíma (PR), na divisa com Mato Grosso do Sul, e Cruzeiro do Oeste (PR), tornando o transporte de cargas mais eficiente e competitivo.
Infraestrutura fortalecida
O estado também se consolidou como um dos principais polos da carteira de investimentos do Ministério dos Transportes. Em menos de três anos, foram leiloados seis trechos de rodovias no Paraná, com previsão de R$ 96,2 bilhões em aportes da iniciativa privada, formando o maior pacote de concessões rodoviárias da América Latina. Entre os destaques estão os leilões dos lotes 4 e 5, realizados em 2025, que juntos somam quase R$ 30 bilhões em investimentos, além da inauguração da Ponte da Integração, em Foz do Iguaçu, e da revitalização da Ponte Ayrton Senna, obras que fortalecem a integração logística e ampliam a competitividade regional.
“Aqui no Paraná, alcançamos o melhor patamar já registrado na conservação da malha rodoviária. Também viabilizamos o maior ciclo de investimentos já contratado pelo estado em infraestrutura de transportes. Isso é fruto de muito trabalho e de um direcionamento do presidente Lula voltado à reestruturação do país”, afirmou o ministro dos Transportes, George Santoro.
Os resultados também se refletem na qualidade da malha rodoviária federal. De acordo com o Índice de Condição da Manutenção (ICM), do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), 68% das rodovias federais do Paraná são classificadas como boas em 2026, frente aos 43% registrados em 2022.
Integração ferroviária
A agenda no Paraná também incluiu discussões sobre a integração entre os diferentes modais de transporte. Santoro participou de reunião com representantes do setor produtivo para discutir temas relacionados à infraestrutura ferroviária e às oportunidades de integração logística no estado.
Assessoria Especial de Comunicação
Ministério dos Transportes
Fonte: Ministério dos Transportes
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