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Ministra Esther Dweck destaca avanços históricos na gestão de pessoas no ENGP 2026
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A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, encerrou, nesta terça-feira (16/6), em Brasília, o primeiro dia do Encontro Nacional de Gestão de Pessoas 2026 (ENGP 2026) com um balanço das transformações promovidas pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) desde 2023. Diante de centenas de profissionais da área de gestão de pessoas reunidos no auditório do DNIT, a ministra destacou o papel das servidoras e dos servidores na construção de um Estado mais eficiente, justo e democrático.
A ministra contextualizou os desafios enfrentados pela gestão de pessoas no início do atual governo. “Assumimos um quadro de falta de reajuste, de desmotivação e um déficit enorme de pessoal, com redução de mais de 70 mil servidores”, afirmou. Segundo Esther, esse diagnóstico orientou a atuação do MGI em diferentes frentes, como a retomada dos concursos públicos, a reestruturação de carreiras, o fortalecimento da governança, a transformação digital, a qualificação das relações de trabalho e as ações de enfrentamento ao assédio e à discriminação.
Na frente de recomposição do quadro de servidores, os números são expressivos. “Na nossa gestão, retomamos concursos, com a entrada de 21 mil pessoas, mas constatamos também que houve a saída de 17 mil, excetuando universidades e institutos. Apesar de todos os esforços, constatamos que ainda falta gente“, disse Dweck, reconhecendo que o desafio da recomposição da força de trabalho segue como prioridade da gestão.
A maior reestruturação de carreiras em um mandato
O ponto alto do discurso foi o detalhamento da reestruturação de carreiras promovida pelo MGI em parceria com diferentes órgãos da administração federal e apoio do Legislativo. “Fizemos a maior reestruturação na área de gestão de pessoas no período de um mandato. Saímos de 2 para 8 carreiras transversais, com lógica de valorização, de transversalidade e adequação a essa nova realidade“, afirmou.
Para Dweck, a estabilidade do servidor público não é um privilégio individual, mas uma garantia institucional para o Estado e para a sociedade. “Defendemos, ao longo da gestão, a estabilidade do servidor público, não como benefício individual, mas como garantia para o Estado e a sociedade. Os servidores públicos estáveis vão defender a Constituição, vão valorizar o país, conhecer o que precisa ser feito e denunciar o que está errado. Por isso a necessidade da transversalidade para a estabilidade“, declarou. A ministra também destacou avanços na avaliação de desempenho, como a unificação de procedimentos do estágio probatório como exemplo concreto de modernização da gestão.
Espaços de diálogo e inovação
Além das carreiras, a ministra elencou outras conquistas estruturantes da gestão. Na governança, destacou o papel do ConectaGente como espaço de diálogo, troca de informações e inovação entre os órgãos do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal, o SIPEC. “Esse espaço de diálogo e conexão ajuda muito na inovação no dia a dia“, disse. Na transformação digital, ressaltou o avanço na reorganização e disponibilização de dados públicos, com marcos normativos que ampliam o acesso e a transparência.
No campo das relações de trabalho, a ministra lembrou da extensão de direitos aos trabalhadores terceirizados — recesso, piso de categoria, auxílio-creche e jornada de 40 horas —, conquistas que ganharam ainda mais relevância diante da aprovação, pelo Congresso Nacional, da nova escala de trabalho na mesma semana de implementação das medidas. E no campo da proteção, destacou o programa de enfrentamento ao assédio e à discriminação, criado desde o início da gestão no âmbito do Pacto Federal de Combate ao Feminicídio.
Ao final da participação, Esther Dweck agradeceu o trabalho das equipes de gestão de pessoas e destacou a importância das servidoras e dos servidores para a melhoria contínua do Estado. “Quero agradecer a cada pessoa servidora, porque o trabalho de vocês é fundamental para a melhoria constante do Estado. As pessoas que entendem cada mudança, cada lógica nessa reestruturação estão aqui. Vocês fazem isso no dia a dia de vocês.”
Celebração de conquistas e renovação de compromissos
O discurso da ministra foi acompanhado por uma série de falas que deram ao encerramento do primeiro dia um tom de reconhecimento coletivo. Representantes de ministérios parceiros e servidoras e servidores compartilharam experiências sobre o impacto das mudanças em suas áreas de atuação e nas carreiras da administração pública federal.
Rafael Viana, Analista Técnico Executivo, resumiu o sentimento de parte dos presentes no auditório. “Hoje é um dia de grande alegria para nós servidores. A meu ver, desde a CF 88, é a principal medida de combate à desigualdade. A criação dessa carreira transversal é um golaço dessa gestão, um ganho absurdo nas últimas décadas.”
O secretário-executivo do Ministério da Educação, Vinicius Roda, destacou a dimensão estratégica da valorização dos profissionais que atuam na política educacional. “A valorização da carreira dos profissionais do MEC é muito mais do que o servidor em si. Lidamos com milhares de pessoas e precisamos atrair, reter e valorizar o servidor que lida com essa área. Esse é um momento de celebração, mas também de renovação de compromisso”, afirmou.
Jussara Cardoso, representante do PEC MEC, destacou o alcance coletivo das medidas. “Foi um processo que reafirmou que as melhores soluções para o serviço público surgem quando há compromisso com o interesse público. Educação pública é um dos maiores ativos do país, pois gera oportunidade para milhares de brasileiros. Valorização das carreiras é um investimento no futuro do país.”
A perspectiva de quem vivencia as mudanças no cotidiano também marcou o evento. Bruna Maria dos Santos, representante do PEC do MinC, ressaltou a importância do reconhecimento das especificidades da carreira. “Eu me sinto extremamente acolhida. A carreira do servidor do MINC tem diversas peculiaridades e entender esse contexto é fundamental para as nossas conquistas.”
O secretário de Relações de Trabalho, José Lopez Feijóo, contextualizou o esforço de reconstrução do diálogo com as categorias no serviço público. “Tivemos que fazer um processo de redemocratização das relações de trabalho a partir de 2023. Foram 56 acordos e 760 horas de negociações para fazer valer os direitos dos servidores e servidoras, aposentados e pensionistas. Isso foi possível por um governo que acredita em democracia e por uma ministra que abraça essa causa”, afirmou.
Já o secretário de Gestão de Pessoas, José Celso Cardoso Júnior, avaliou que o momento sintetiza uma mudança de orientação na administração pública federal. “Esse é um momento de celebração, porque transformamos o Estado por meio das pessoas. Esse primeiro momento é de avaliação positiva, a despeito de muitos limites que ainda temos que superar.”
Para o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Marcio Tavares, a reestruturação representou uma conquista histórica para o MinC. “A transformação que celebramos foi conduzida pelo MGI com muito diálogo e compromisso. Aguardávamos há mais de 20 anos a reestruturação das carreiras de nossos servidores e veio nessa gestão. Nossa identidade é construída pelo trabalho de cada servidor, cada servidora. Todos são agentes de transformação. O Estado só se valoriza com a valorização do servidor”, disse.
Sobre o ENGP 2026
O 4º Encontro Nacional de Gestão de Pessoas (ENGP) acontece de 16 a 19 de junho na sede do DNIT, em Brasília (DF), com o tema “Transformação do Estado pela Gestão de Pessoas“. Promovido pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o maior evento da área no setor público brasileiro busca fortalecer a rede do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal (Sipec) por meio da escuta, da orientação e da construção coletiva entre os órgãos.
O encontro permite que servidoras e servidores de todo o país se atualizem sobre diretrizes, políticas, sistemas e projetos da área, esclareçam dúvidas e conheçam boas práticas de gestão de pessoas. As informações compartilhadas ajudam cada instituição a aprimorar seus processos internos e a fortalecer a gestão de pessoas no Executivo federal.
Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos
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Cultura é investimento: seminário internacional debate novos modelos de financiamento para o setor criativo
O fortalecimento da economia criativa como vetor de desenvolvimento, geração de renda, cidadania e soberania cultural marcou a programação da tarde do Seminário Internacional Caminhos para Fomento e Financiamento em Economia Criativa, realizado nesta terça-feira (16), no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro. Promovido pelo Ministério da Cultura (MinC) e pelo Sebrae Nacional, o encontro reuniu representantes de instituições públicas, bancos, organismos internacionais, especialistas e empreendedores criativos para discutir alternativas de crédito, investimento e financiamento para projetos culturais e negócios criativos.
No painel de encerramento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a importância de reconhecer a cultura em suas dimensões simbólica, cidadã e econômica. Segundo ela, o momento é de construção de políticas capazes de ampliar o alcance do setor e consolidar a economia criativa como uma estratégia estruturante para o país.
“A cultura trabalha a dimensão do sentimento, de representatividade, de fortalecimento de memória, de fortalecimento de direção pras novas gerações, identidade cultural, num país que tem essa potência que é o nosso país”, salientou.
A titular do MinC também reforçou que o investimento em cultura produz efeitos econômicos e sociais concretos. “Investir em cultura é potente, dá resultado rápido, gera reflexos de sociabilidade”, disse. Ao defender a cultura como campo de cultivo permanente, a ministra comparou o setor à agricultura: “A cultura também é uma forma de agricultura, porque ela também é cativada, é cultivada, é você jogar o adubo, é você fortalecer a terra. E a gente colher bons frutos”.
Durante sua fala, a ministra apresentou dados sobre o impacto da Lei Rouanet em 2024. De acordo com Margareth, 98 milhões de pessoas foram impactadas diretamente pelos investimentos realizados por meio do mecanismo no ano passado. Ela também ressaltou que o desenvolvimento da cultura depende de articulação coletiva. “O talento é unitário, mas a entrega é coletiva”, afirmou.
Para a secretária de Economia Criativa do MinC, Cláudia Leitão, o seminário marca um passo importante na construção de uma política de Estado para o setor: “A economia criativa brasileira precisa ser compreendida como estratégia de desenvolvimento. Estamos falando de cultura, trabalho, renda, inovação, identidade e território. Quando aproximamos trabalhadores da cultura, bancos públicos, organismos internacionais e setor produtivo, criamos condições para que a criatividade brasileira tenha acesso a crédito, dados, garantias e instrumentos permanentes de financiamento”.
O encerramento contou ainda com a participação de Rodrigo Soares, diretor-presidente do Sebrae Nacional, e Glaucia Camargos, presidente do Conselho da Indústria Criativa da Firjan. Na ocasião, Glaucia realizou a entrega do framework da Unesco traduzido para a ministra Margareth Menezes, documento considerado um marco para o avanço das estatísticas culturais no Brasil.
“Ministra, é um marco histórico”, comemorou Glaucia. Segundo ela, o documento contribui para dar identidade e base técnica ao setor. “Dá uma identidade a todos nós, a todos nós produtores”, completou.
Rodrigo Soares enfatizou a atuação do Sebrae no apoio aos pequenos negócios criativos, por meio de instrumentos como o fundo de aval Acredita Sebrae e ações de qualificação para internacionalização. “O Sebrae tem o seu fundo de aval, que ele tá aqui pra apoiar em todos os segmentos, o Acredita Sebrae. Contem conosco pra que possamos cada vez mais apoiar a economia criativa, gerando renda, gerando cidadania”, declarou.
Desafios do fomento no Brasil passam por reforma tributária, garantias e novas regras
Antes do encerramento, o painel Fomento para a Economia Criativa no Brasil: desafios e oportunidades debateu o cenário atual das políticas de fomento, os impactos da reforma tributária sobre mecanismos estaduais e municipais de incentivo e as possibilidades abertas por novos instrumentos de financiamento. A mesa contou com Daniele Barros, secretária de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro; Thiago Rocha Leandro, secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC; e Rodrigo Barreto, gerente jurídico tributário da Firjan, com mediação de Carlos Paiva, assessor especial da ministra da Cultura.
Rodrigo Barreto chamou atenção para os riscos que a extinção de incentivos fiscais estaduais e municipais pode representar para o setor cultural. “O incentivo fiscal no setor da cultura, ele não é necessariamente um incentivo fiscal, porque ninguém deixa ali de pagar tributo, no final das contas, é só um fomento”, avaliou. Segundo ele, a perda desses mecanismos pode afetar especialmente as políticas culturais nos estados e municípios: “O setor cultural corre risco, especialmente o setor cultural estadual, os setores culturais municipais, com a falta desse recurso”.
Daniele Barros ressaltou a importância da previsibilidade das políticas públicas e da construção de instrumentos de garantia para ampliar o acesso de trabalhadores e empresas culturais ao fomento. Ela também citou o programa Emprega Cultura, desenvolvido para aproximar trabalhadores da cultura e empresas que demandam profissionais do setor: “Nós construímos pensando no trabalhador da cultura e na empresa que emprega fazedores de cultura”.
Para Daniele, inovação no campo cultural não se limita à tecnologia. “Uma política de garantias é uma inovação, porque muita das vezes a gente pensa inovação em algo que tá ligado a uma tecnologia. E não necessariamente iniciativas inovadoras estão atreladas a ações tecnológicas”, completou.
Thiago Rocha Leandro abordou o Marco do Fomento e as mudanças nos processos de seleção e prestação de contas. Para o secretário, o desafio é ampliar escala sem perder de vista a diversidade territorial e a simplificação dos procedimentos. “Nunca se teve tanto fomento pra cultura e nunca se teve tanta demanda. A novidade muitas vezes pode surgir daí, porque a gente precisa de escala”, discursou. Segundo ele, “o marco do fomento dá uma revolução no processo de prestação de conta, mas antes também no processo de seleção”.
Modelos de financiamento reúnem experiências do Brasil, Chile e Reino Unido
O painel Modelos de financiamento e investimento para a economia criativa abriu os debates centrais da tarde com foco em casos de investimento, parcerias com empresas e sustentabilidade financeira de projetos criativos. A mesa reuniu Felipe Mujica, especialista em economia internacional e ex-diretor do Chile Criativo; Rafael Ferraz, head de Artes do British Council; Carmen Couto, superintendente de Desenvolvimento do Nordeste da Sudene; e Murilo Albuquerque, gerente do Centro Corporativo de Cultura do Banco do Nordeste do Brasil. A mediação foi de Andrea Guimarães, diretora de Desenvolvimento da Economia Criativa da Secretaria de Economia Criativa do MinC.
Felipe Mujica apresentou a experiência chilena de planejamento de longo prazo para o setor criativo. Segundo ele, o programa Chile Criativo foi pensado desde o início com horizonte de dez anos. “O programa está pensado desde o começo para dez anos à frente. E essa ideia, bem, pro Chile, dez anos é longo prazo”, pontuou. Mujica destacou que o modelo combina alianças público-privadas e articulação entre instituições públicas. “O interessante é que essa é uma parceria, uma aliança público-privada, mas é público-pública também”, complementou. De acordo com ele, o setor criativo chileno avançou de 1,6% para 2,78% do PIB.
Rafael Ferraz apresentou a experiência do British Council com programas voltados à sustentabilidade no setor cultural, especialmente em festivais: “A gente lançou esse programa para promover a sustentabilidade no setor cultural através dos festivais”. Para ele, práticas sustentáveis também se tornaram elemento de valor econômico. “A sustentabilidade se tornou um ativo econômico, atraindo marcas e patrocinadores que percebem o valor dado pelo público a práticas responsáveis”, relembrou.
Carmen Couto abordou a importância da cooperação institucional para o desenvolvimento da economia criativa, sobretudo em territórios que ainda enfrentam desafios de estruturação. “Sem parceiros, sem cooperação, sem articulação, a gente não é nada”, ressaltou. Ela também destacou que a área de economia criativa ainda está em processo de consolidação e precisa de articulação para gerar impacto local. “Quando você escuta o depoimento dessas mulheres que receberam esses recursos, elas estão hoje participando da economia de seus municípios”, frisou.
Murilo Albuquerque apresentou a atuação do Banco do Nordeste no apoio à base da economia cultural e criativa, com foco em microcrédito orientado e capilaridade territorial. “O banco utiliza sua capilaridade para oferecer microcrédito orientado a agentes culturais, somando cerca de 2 bilhões de reais”, evidenciou. Murilo também apontou a circulação da produção como um dos maiores desafios do setor. “Circular a produção é o grande gargalo que nós temos, em qualquer linguagem artística”, analisou.
Inspirações criativas: ancestralidade, empreendedorismo negro e cultura periférica
Ao longo da tarde, a programação também apresentou experiências de empreendedores criativos apoiados por linhas de financiamento e fomento. As inspirações criativas trouxeram perspectivas de territórios, comunidades tradicionais, população negra e periferias, apontando caminhos para o desenvolvimento de modelos sustentáveis de economia criativa.
Isaac Amajune Pá, da Comunidade Balatiponé-Umutina, em Mato Grosso, apresentou a experiência do Ponto de Cultura e Memória Bolorie. Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta e da Preta Hub, defendeu a necessidade de tratar a cultura e a diversidade como estratégias econômicas de desenvolvimento. Raffa Rafuagi, fundador do Museu do Hip-Hop do Rio Grande do Sul e do Hub Atividade, apresentou a cultura hip-hop como ecossistema de economia criativa, inovação e impacto social.
A programação da tarde reforçou a necessidade de combinar investimento público, crédito, garantias, cooperação internacional, dados, sustentabilidade e modelos de negócio enraizados nos territórios. Ao reunir experiências locais, nacionais e internacionais, o seminário apontou caminhos para ampliar o acesso a instrumentos permanentes de financiamento e fortalecer a economia criativa brasileira como política de desenvolvimento econômico, social e cultural.
Fonte: Ministério da Cultura




