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Movimentos sociais e Consea discutem territórios como vias de soberania alimentar

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“O mundo hoje nos empurra para acreditar que as soluções e os sucessos são individuais. E nós temos aqui como provas vivas de que não acreditamos e não vivemos essa narrativa. [Nós acreditamos] que as soluções são pelo caminho coletivo, pelo caminho da solidariedade horizontal. Pelo caminho do aprender junto com o outro, de realizar junto com o outro. Para que as transformações profundas ocorram para todos e para todas”. Essa é a visão que a presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Elisabetta Recine, compartilhou no Encontro Nacional + 2 anos.

O evento, iniciado em Brasília na última segunda-feira (8.06), tem como objetivo discutir o trabalho desenvolvido desde a 6º Conferência Nacional, realizada em 2023. Espaço de trocas entre a sociedade e o Governo do Brasil, o Encontro Nacional + 2 anos discute a segurança alimentar e nutricional no país, para construção e o fortalecimento de políticas públicas que permitam que o combate à fome avance. Dentro dessa perspectiva, as cozinhas solidárias e outras iniciativas que emergem nos territórios se fizeram presentes para trazerem várias colaborações sobre o tema.

Vereadora no município do Rio de Janeiro, Maíra do MST, apontou a participação social como elemento fundamental de constituição de soluções comunitárias e locais em meio à pandemia. “Foram os movimentos sociais que subiram as favelas, as periferias, distribuindo marmitas solidárias.”

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Ana Paula Ribeiro, liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, destacou a importância do contato dos conselhos de segurança municipais, estaduais e distritais com experiências sociais locais. “Os conselhos de segurança alimentar precisam manter contato com as organizações territoriais a fim de levar a construção da agenda para as cozinhas e assembleias de iniciativas locais. Não é só o território que tem que chamar. Pode ir lá conversar, construir uma formação, construir uma atividade.”

Além das barreiras entre o institucional e o comunitário, o encontro também abordou a comunicação como um desafio na agenda da segurança alimentar. “Esse desafio da gente chegar com uma informação de qualidade, com uma informação que mostre e contribua para que as pessoas desenvolvam o seu senso crítico e recolham informações para olhar o mundo a partir das suas perspectivas”, considerou a presidente do Consea, Elisabetta Recine.

De acordo com o jornalista João Peres, representando a sociedade civil, a lógica dos algoritmos das big techs nas plataformas digitais interrompeu um momento positivo dos espaços virtuais. Dedicado à cobertura investigativa de temas ligados à alimentação, João sublinha a necessidade de reconhecimento das iniciativas populares voltadas à segurança alimentar como uma frente diante do desafio de comunicação.

“A gente tem esse histórico no Brasil, que a gente conhece bem, a ideia de que as soluções são construídas por corporações, de que são elas as detentoras da inovação, da tecnologia, daquilo que traz respostas em tempo real para as nossas urgências. Essas soluções construídas pela sociedade acabam não tendo o devido protagonismo. É preciso a gente lembrar que a sociedade brasileira construiu uma agenda 20, 30 anos atrás. E como essa agenda se desdobrou e trouxe novos desafios e novas ideias. Comunicar sobre essas ideias, eu acho super importante”, avaliou.

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O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, que ressaltou a necessidade de uma estrutura robusta de soberania alimentar diante de um cenário global desafiador e instável, reconheceu a importância das iniciativas populares de segurança alimentar tais como as cozinhas solidárias.

“As cozinhas solidárias representam não apenas um espaço de segurança alimentar, elas representam a comunidade. Num momento em que o nosso povo, no Brasil e no mundo, está ali oito horas por dia numa tela – em que mesmo no meio da multidão, a gente nunca esteve tão sozinho – resgatar vínculos comunitários, resgatar raízes, reconstruir redes de solidariedade, é um desafio de todos nós. E as cozinhas solidárias fazem isso”, enfatizou o minsitro.

Assessoria de Comunicação – MDS

Fonte: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome

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Exposição de Portinari na China reforça cooperação cultural entre Brasil e China

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As cores, os trabalhadores, as paisagens e os personagens que ajudaram a construir a identidade visual do Brasil ganharam, nesta terça-feira (9), um dos palcos culturais mais importantes do mundo. O secretário-executivo do Ministério da Cultura (MinC), Márcio Tavares, participou, em Pequim, da abertura da exposição O Brasil de Portinari, realizada no Museu Nacional da China, uma das instituições museais mais visitadas do planeta. A cerimônia contou ainda com a presença da presidenta do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Fernanda Castro, do embaixador do Brasil na China, Marcos Galvão, e do diretor do Museu Nacional da China, Luo Wenli.

Viabilizada por meio da Lei Rouanet, a mostra reúne cerca de 50 obras originais de Candido Portinari e marca a primeira grande exposição do artista brasileiro na Ásia. A iniciativa integra a programação do Ano Cultural Brasil-China 2026 e permanecerá aberta ao público até 10 de outubro.

A abertura reuniu representantes de instituições culturais brasileiras e chinesas e marcou mais um capítulo da cooperação entre os dois países no âmbito do Ano Cultural Brasil-China 2026, iniciativa que busca ampliar os intercâmbios culturais e fortalecer os laços entre as duas nações.

Durante a solenidade, Márcio Tavares destacou o papel da cultura como instrumento de aproximação entre os povos e ressaltou os valores compartilhados entre Brasil e China presentes na obra do artista.

“Hoje, ao inaugurarmos a exposição O Brasil de Portinari neste magnífico Museu Nacional da China, não estamos apenas abrindo as portas para uma mostra de arte. Estamos celebrando o encontro de duas identidades nacionais que, apesar da distância geográfica, partilham valores fundamentais sobre o que significa ser humano”, afirmou.

Segundo o secretário-executivo, a exposição simboliza um momento importante da relação entre os dois países.“Estamos em pleno Ano Cultural Brasil-China, uma iniciativa que celebra não apenas meio século de relações diplomáticas, mas o desejo genuíno de que nossos povos se celebrem para além das trocas comerciais. E quem melhor para celebrar nossa cultura senão Candido Portinari?”, ressaltou.

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Foto: Tarcisio Boquady/MinC
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Ao abordar a trajetória do artista, Márcio lembrou que Portinari transformou a realidade brasileira em uma linguagem universal capaz de dialogar com diferentes culturas.“Assim como a arte tradicional chinesa valoriza profundamente a harmonia entre o homem e a natureza, e a dignidade do trabalho que sustenta a vida, Portinari dedicou sua genialidade a retratar o trabalhador. Quando vocês observarem suas obras verão uma declaração de profundo respeito”, destacou.

A exposição é resultado de mais de quatro décadas de trabalho do Projeto Portinari, criado por João Candido Portinari, filho do artista, responsável pela localização, catalogação e preservação de mais de cinco mil obras e documentos relacionados ao legado do pintor.

Para viabilizar a chegada do acervo à China, foi realizada uma complexa operação logística internacional, envolvendo rígidos protocolos de conservação, segurança e transporte especializado. A iniciativa é fruto de uma articulação entre instituições brasileiras e chinesas, reunindo esforços do Ministério da Cultura, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), do Projeto Portinari e do Museu Nacional da China.

Lei Rouanet como instrumento de projeção internacional

Em seu discurso, Márcio Tavares também ressaltou a importância da Lei Rouanet para a realização da exposição e para a promoção internacional da cultura brasileira.
“É importante ressaltar que a magnitude deste projeto só foi possível graças à Lei Rouanet, o principal instrumento de fomento à cultura no Brasil. Esta política pública é um dos motores que permitem que o patrimônio artístico brasileiro rompa fronteiras e alcance palcos tão prestigiosos quanto este”, afirmou.

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De acordo com ele, a legislação desempenha um papel estratégico não apenas para o financiamento cultural, mas também para a diplomacia e a presença internacional do país.“A Lei Rouanet não é apenas um mecanismo de financiamento; é uma ferramenta estratégica de soberania cultural e diplomacia, garantindo que a nossa identidade seja preservada e projetada globalmente, fortalecendo a economia criativa e aproximando civilizações através da arte”, completou.

A mostra conta com patrocínio master da Petrobras, patrocínio da Pátria Investimentos e incentivo do Governo do Brasil, por meio dos ministérios da Cultura, das Relações Exteriores e da Embratur, via Lei Rouanet.

Intercâmbio com instituições chinesas

A participação na abertura da exposição dá continuidade à agenda de intercâmbio cultural realizada pela delegação brasileira na China nos últimos dias. Em Pequim, Márcio Tavares visitou o 798 Art District e o Centro Nacional de Artes Cênicas (NCPA), dois dos principais polos de produção artística e inovação cultural do país.

Antes de chegar à capital chinesa, a missão passou por Xangai, onde o secretário-executivo visitou instituições de referência internacional, como o West Bund Museum, o Tank Shanghai, o China Art Museum e a Power Station of Art. A agenda incluiu ainda reunião com o vice-secretário municipal de Cultura e Turismo de Xangai, voltada ao fortalecimento da cooperação cultural entre os dois países.

As atividades integram os esforços do Ministério da Cultura para ampliar a presença internacional da cultura brasileira, fortalecer parcerias institucionais e consolidar as ações do Ano Cultural Brasil-China 2026.

Brasil e China

As relações diplomáticas entre Brasil e China, estabelecidas em 1974, consolidaram-se como uma das mais relevantes no cenário global. A parceria se estende a fóruns internacionais como o BRICS e o G20 e abrange áreas estratégicas como tecnologia, energia, sustentabilidade e cultura.

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Fonte: Ministério da Cultura

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