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MTE resgata 35 trabalhadores em condições análogas à escravidão no interior de São Paulo
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O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou, no dia 20 de maio, 35 trabalhadores durante operação de fiscalização realizada em conjunto com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública da União (DPU). Os trabalhadores, que atuavam no corte de cana-de-açúcar, foram encontrados em condições análogas à escravidão em uma fazenda no município de Gabriel Monteiro, no interior de São Paulo.
De acordo com informações da equipe de auditores-fiscais do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo, entre os resgatados havia um adolescente de 17 anos, situação considerada uma das piores formas de trabalho infantil. Os trabalhadores não possuíam carteira de trabalho assinada e, por isso, estavam sem acesso a direitos básicos, como férias, 13º salário e benefícios previdenciários.
Segundo a fiscalização, o recrutamento era feito por um empreiteiro contratado pelo proprietário da fazenda. Os trabalhadores eram aliciados em estados do Nordeste e em municípios do interior paulista com promessas de registro formal, alojamento adequado e cumprimento das normas trabalhistas, o que não se confirmou.
Condições degradantes de trabalho
Os trabalhadores realizavam o corte manual da cana utilizando facões, permanecendo em pé durante toda a jornada, sob intensa exposição ao sol e à chuva. A jornada ocorria de segunda-feira a domingo, sem descanso semanal.
A equipe de fiscalização constatou que não havia instalações sanitárias no local de trabalho, obrigando os trabalhadores a realizarem suas necessidades fisiológicas no canavial. Também não havia local adequado para refeições, que eram feitas no chão, em meio à plantação e sem qualquer proteção contra intempéries.
Nenhum equipamento de proteção individual era fornecido, como botas, luvas e caneleiras, nem itens de proteção contra a exposição solar, como chapéus e protetor solar. O transporte até a frente de trabalho era realizado em ônibus sem autorização para transporte de trabalhadores e em condições inadequadas de segurança.
Alojamentos precários
Os trabalhadores estavam alojados em duas casas alugadas pelo empreiteiro no município de Santo Antônio de Aracanguá. Segundo a fiscalização, os ambientes apresentavam condições degradantes de habitação.
Os trabalhadores dormiam em colchões velhos espalhados pelo chão, sem roupas de cama e sem armários para guardar pertences pessoais. Alguns utilizavam papelão para se proteger do frio. A inspeção também identificou fogões com botijões de gás instalados dentro dos quartos, situação que oferecia grave risco de explosão e intoxicação.
Providências adotadas
A Inspeção do Trabalho determinou a imediata paralisação das atividades e a dispensa dos trabalhadores por culpa do empregador. Os resgatados foram encaminhados para hospedagem em hotel, com despesas custeadas pelo proprietário da fazenda.
Foram apuradas verbas rescisórias no valor de R$ 415.012,45. Também foi firmado Termo de Ajustamento de Conduta com o MPT e a DPU, prevendo o pagamento de R$ 111 mil por danos morais individuais aos trabalhadores e R$ 150 mil por dano moral coletivo.
Os valores das verbas rescisórias e das indenizações individuais foram pagos integralmente em 22 de maio de 2026.
Os trabalhadores já estão retornando às cidades de origem com passagens custeadas pela fazenda e receberam guias para acesso ao seguro-desemprego especial para trabalhadores resgatados, com direito a três parcelas de R$ 1.621,00.
Denúncias
Denúncias de trabalho análogo ao de escravo podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê Trabalho Escravo, lançado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
BRASIL & MUNDO
Comissão Nacional de População e Desenvolvimento realiza 8ª Reunião Ordinária em Brasília
Foi aberta nesta segunda-feira (25), na sede do IBGE em Brasília, a 8ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional de População e Desenvolvimento (CNPD), com uma oficina dedicada ao tema “População, Desenvolvimento e Produção de Informação”.
A mesa de abertura do evento, que segue até o dia 27, contou com a participação do diretor de Pesquisas do IBGE, Gustavo Junger, da a representante no Brasil do Fundo de População das Nações Unidas da ONU (UNFPA), Florbela Fernandes, e do presidente da CNPD, Richarlls Martins.
Evidências – “Sem evidências, não há política pública inteligente”, disse a representante da ONU, Florbela Fernandes. Ela destacou ainda a trajetória de liderança regional e global do Brasil no tema.
O presidente da CNPD, Richarlls Martins, ao dar boas-vindas aos participantes, ressaltou a importância da parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE para o trabalho da comissão. O instituto realiza censos como o Demográfico, Agropecuário e o da População em Situação de Rua que aportam qualidade à informação para o estado brasileiro.
Richarlls lembrou ainda a ampliação da participação social no trabalho da CNPD, refletida no engajamento comunitário na construção de políticas públicas. O trabalho desenvolvido pela comissão está registrado no livro “Populações e desenvolvimento: 30 anos pensando, repensando e construindo o Brasil”, que será lançado esta semana em Brasília.
8ª Reunião – Nesta terça-feira (26), a programação da 8ª Reunião Ordinária da CNPD, inclui um debate sobre “Trabalho, Trabalhadores e Trabalhadores por Aplicativo”, na parte da manhã, e “Laicidade e Famílias”, na parte da tarde.
No encerramento, na quarta-feira (27), será apresentado o sumário executivo da oficina “População, Desenvolvimento e Produção de Informação”.
CNPD – A Comissão Nacional de População e Desenvolvimento cumpre importante papel no sentido de orientar o governo em temas ligados à população e desenvolvimento, preparar relatórios a serem apresentados pelo Brasil em foros internacionais, realizar pesquisas, entre outras funções. Com representação paritária do governo e sociedade civil, foi instituída pelo Decreto 11.966 de 27 de março de 2024.
Fonte: Secretaria-Geral
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