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Rodas de diálogo e construção coletiva marcam sétimo dia do 7º Congresso Latino-americano e Caribenho das Culturas Vivas Comunitárias
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Nesta quinta-feira (23), a programação do 7º Congresso Latino-americano e Caribenho de Culturas Vivas Comunitárias foi dedicada aos Círculos da Palavra. Essas rodas de conversa, em torno das quais se organizam esses congressos, abordam temas do trabalho comunitário realizado pelas organizações em seus territórios, como Arte e Cultura para a Transformação Social; Infâncias e Juventudes; Povos Originários; Saúde e Bem Viver, entre outros. Doze delas se realizaram neste que foi o sétimo dia do evento na Colômbia, e o terceiro em Medellín.
O programa IberCultura Viva esteve presente nesses espaços de construção e fortalecimento de alianças público-comunitárias, reafirmando seu compromisso com a sociedade civil e com as políticas culturais construídas a partir dos territórios.
Márcia Rollemberg, secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura do Brasil (MinC) e presidenta do IberCultura Viva, participa do evento esta semana, ao lado de João Pontes, diretor da Política Nacional Cultura Viva (PNCV) e representante do Brasil no Conselho Intergovernamental IberCultura Viva, e Giselle Dupin, coordenadora de Projetos Especiais da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC/MinC).
Para Márcia, esta sétima edição do congresso – que começou em Pasto no dia 17, seguiu para Cali e desde quarta-feira (22) se realiza em Medellín, onde segue até domingo (26) – recupera o caráter dialógico das culturas vivas comunitárias, ao reunir diversos setores da sociedade (movimentos sociais, governos, universidades, escolas populares e outros aliados) em torno do fortalecimento de uma agenda compartilhada.
“Medellín, em 1991, foi apontada como um dos territórios mais violentos do mundo e reverteu esse cenário unindo juventudes, pessoas idosas, trabalhos manuais e ludicidade. A cultura de base comunitária mostrou que a transformação social nasce da escuta e da criação coletiva”, disse a secretária do MinC, ao visitar a Corporación Picacho con Futuro, nascida numa ladeira de Medellín em 1987.
Rodas paralelas
Na manhã desta quinta (23), na programação que envolve o IberCultura Viva, os caminhos se abriram em paralelo: organizações se reuniram em Moravia, em um espaço articulado pela Red Cultural Comuna 4 e pela Corporación Picacho con Futuro, para compartilhar experiências, desafios e horizontes no Círculo da Palavra que ganhou o nome de Governança, Participação, Legislação e Políticas Públicas.
Ao mesmo tempo, representantes de governos participaram do Círculo da Rede IberCultura Viva de Cidades e Governos Locais, na Casa Zea Betsabé, aprofundando o debate sobre legislação e políticas públicas junto ao Ministério das Culturas da Colômbia e o programa IberCultura Viva.
À tarde, os caminhos convergiram na Corporación Picacho con Futuro, em um grande círculo, onde as propostas levantadas pela manhã foram apresentadas, debatidas e enriquecidas coletivamente. Mais do que um intercâmbio, o que se viveu foi um exercício de escuta ativa, em que as diferenças contribuem para abrir caminhos comuns.
Nesta sexta-feira (24), na Universidade de Antioquia, Márcia Rollemberg, João Pontes e Giselle Dupin participam do lançamento da publicação IberCultura Viva: más de 10 años de integración de base comunitaria y derechos culturales. O livro mapeia as políticas culturais de base comunitária da região ibero-americana, suas trajetórias, tensões e formas de organização, com ênfase no protagonismo da sociedade civil.
Saiba mais sobre o congresso aqui e no site www.iberculturaviva.org
Fonte: Ministério da Cultura
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Diálogos SNIIC debate desafios do cálculo do PIB da Cultura e anuncia novos boletins de dados do MinC
A 7ª edição dos Diálogos SNIIC, realizada na tarde desta sexta-feira (24), colocou no centro do debate um dos temas mais estratégicos para o campo cultural: a mensuração do Produto Interno Bruto (PIB) da Cultura. O encontro, promovido pelo Ministério da Cultura (MinC), reuniu especialistas da Firjan, Fundação Itaú e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para discutir metodologias, desafios e caminhos possíveis para qualificar os indicadores do setor.
Durante a abertura, a subsecretária de Gestão Estratégica do MinC, Letícia Schwarz, enfatizou que compreender os mecanismos por trás dos dados é essencial para o avanço das políticas públicas. “Se a gente quer impactar o PIB da cultura, a gente precisa, cada um de nós, entender quais alavancas podemos puxar”, explicou. Ela também ressaltou que o papel da cultura vai além de seu valor simbólico: “A cultura importa não só pela emancipação e cidadania, mas também pelo seu papel econômico no desenvolvimento”.
O debate evidenciou que não há uma única forma de calcular o PIB da cultura — e que as escolhas metodológicas impactam diretamente os resultados. Diferenças na seleção de atividades, nas bases de dados e nas formas de mensuração explicam por que estudos distintos chegam a números variados sobre a participação da cultura na economia brasileira.
Representando a Firjan, Paulo Vitor Ramalho apresentou o Mapeamento da Indústria Criativa 2025, destacando a transversalidade do setor. “Quase 80% dos profissionais criativos atuam fora do setor criativo, mostrando sua transversalidade”, informou. Segundo o estudo, o chamado PIB criativo representou cerca de 3,59% do PIB nacional em 2023, com base na massa salarial. Ramalho ponderou, no entanto, que os números devem ser lidos com cautela: “O PIB criativo é uma aproximação, não um valor exato, toda metodologia é imperfeita”.
Na mesma linha, Esmeralda Macana, da Fundação Itaú, reforçou a necessidade de múltiplas abordagens para compreender o setor. “Abordagens metodológicas diferentes levam a resultados diferentes – por isso o diálogo é essencial”, declarou. A pesquisa apresentada pela instituição estima que a economia criativa movimentou R$ 280 bilhões em 2020, o equivalente a 3,11% do PIB brasileiro. Esmeralda também chamou atenção para desigualdades estruturais. “As desigualdades dentro da economia criativa são ainda maiores que no resto da economia brasileira”, completou.
Já os pesquisadores Leonardo Athias e João Hallak trouxeram a perspectiva do IBGE, com um exercício metodológico que opta por utilizar o termo “contribuição econômica da cultura” em vez de PIB, por rigor conceitual. “PIB é conceito de Contas Nacionais e exige harmonizações e procedimentos específicos”, reforçou Athias.
A estimativa apresentada pelo estudo se baseia no Valor Adicionado Bruto (VAB) de um recorte mais específico das atividades culturais, indicando participação de cerca de 1,05% em relação ao PIB em 2023. A abordagem mais restrita ajuda a evidenciar como diferentes delimitações do que é considerado cultura impactam diretamente os resultados.
O contraste entre os números evidenciou um ponto central do encontro: a necessidade de harmonização conceitual e avanço na produção de dados oficiais. Para a coordenadora-geral de Informações e Indicadores Culturais da SGE, Sofia Leonor Von Mettenheim, esse é um passo estratégico. De acordo com ela, é fundamental diferenciar economia criativa e cultura: “É muito importante termos esses dados da economia criativa, mas que a gente possa discriminar o que é específico da cultura”.
Além do debate técnico, o MinC anunciou iniciativas para ampliar o acesso e a sistematização de dados. Entre elas, o lançamento, ainda neste semestre, de três novos boletins no âmbito do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIC): o Monitora Cultura, com acompanhamento periódico das políticas do MinC; o Boletim Avalia, voltado à análise de políticas públicas; e o Boletim Pesquisa, com aprofundamentos temáticos baseados em evidências.
Os dois últimos serão lançados em conjunto e terão como primeiro tema as ações afirmativas na Política Nacional Aldir Blanc, incluindo análises sobre a aplicação de cotas raciais, para povos indígenas e pessoas com deficiência em editais culturais.
Ao longo do encontro, também foram destacados os efeitos indiretos da cultura na economia, como o impacto sobre o turismo e o consumo. “Cada real movimentado pela Lei Rouanet pode gerar outros 7,6 reais na economia”, lembrou Letícia Schwarz. Ela também apontou lacunas na mensuração atual. “Consumo de celular hoje é motivado em grande parte pelo acesso à cultura, e isso não está na conta do PIB cultural”, frisou.
O evento reforçou o papel do SNIIC como espaço de articulação entre governo, pesquisadores e instituições, com o objetivo de consolidar uma cultura de dados no setor cultural brasileiro. A expectativa é que o avanço na produção e na integração de indicadores contribua para políticas públicas mais precisas, transparentes e alinhadas à complexidade da cultura no país.
Fonte: Ministério da Cultura
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