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“Se parar, enferruja”: como o Envelhecer nos Territórios fortalece direitos e transforma vidas no interior de Minas Gerais

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“A gente não pode parar. Se parar, enferruja. Se parar, a gente endurece.” A frase dita por Maria Souza Venceslau, de 73 anos, resume não apenas a forma como ela encara a vida, mas também o espírito que move centenas de pessoas idosas alcançadas pelo Programa Envelhecer nos Territórios. Moradora do povoado de Amoras, no município de Amparo do Serra (MG), dona Maria cultiva sua horta, faz caminhadas diárias e mantém uma rotina ativa ao lado da família e da comunidade.

“Faço minha caminhada todo dia. É bom para a saúde. Envelhecer com saúde é ótimo”, conta ela, orgulhosa de manter a pressão controlada e de seguir em movimento.

Mas a trajetória da aposentada também carrega marcas difíceis. Entre elas, a perda de um neto de apenas 18 anos em um acidente de moto. “Isso aí é difícil, abala a gente muito”, relembra. Ainda assim, Maria escolhe olhar para a vida com leveza. Para ela, um dos segredos da longevidade é simples: “Ser feliz, viver rindo”.

Foi durante uma das visitas realizadas pelos agentes do Programa Envelhecer nos Territórios que ela percebeu que sua história, suas necessidades e sua experiência de vida importavam. “O pessoal do Envelhecer veio aqui, passou de casa em casa. Eu gostei, é muito bom. Me senti vista”, afirma.

Mais do que uma visita, o encontro representou reconhecimento. Em comunidades rurais, onde o acesso à informação nem sempre chega com facilidade, iniciativas como essa ajudam a aproximar as políticas públicas das pessoas que mais precisam delas.

Ao falar sobre os direitos da população idosa, ela é categórica: “Pessoas idosas têm todos os direitos, não estão jogadas fora não”.

Escuta que gera transformação

(Foto: Tatiana Nahuz/MDHC)
(Foto: Tatiana Nahuz/MDHC)

A poucos metros da casa de dona Maria, vive Vicente Vaz, de 93 anos. Bem-humorado, ele conta que continua realizando pequenas atividades no dia a dia e não gosta de ficar parado. “Ainda capino. Não gosto de ficar parado. Falam comigo que eu ainda vou para 270 anos”, brinca.

Histórias como as de dona Maria e seu Vicente foram encontradas durante o trabalho realizado pelo Programa Envelhecer nos Territórios nos municípios mineiros de Amparo do Serra, Barra Longa, Diogo de Vasconcelos e Santa Cruz Escalvado.

A coordenadora da iniciativa na região, Ana Carina Reis, explica que o programa vai muito além da coleta de dados. Segundo ela, o principal aprendizado foi perceber o quanto a escuta e a atenção podem impactar a vida das pessoas idosas.

“Durante esse processo, a gente percebeu a necessidade de escuta e de atenção às pessoas idosas. Muitas cidades ainda não estão preparadas para olhar para esse público como prioridade, mesmo quando são justamente essas pessoas que ajudaram a construir a história daqueles territórios”, destaca.

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O trabalho começou com a formação de agentes locais de direitos humanos da pessoa idosa. Depois, os participantes passaram a realizar visitas domiciliares para conhecer a realidade das comunidades e identificar demandas relacionadas à saúde, proteção social, participação cidadã e violações de direitos.

Ao longo de quase um ano de visitas, histórias, memórias e experiências foram compartilhadas em encontros que, muitas vezes, duravam mais do que o previsto. “Às vezes, o que parecia uma simples visita fazia uma diferença enorme para aquela pessoa. Sentar, tomar um café, ouvir uma história, dedicar um tempo. Isso pode mudar o humor e até a forma como alguém encara a própria vida”, relata Ana Carina.

Conhecimento que fortalece direitos

(Foto: Tatiana Nahuz/MDHC)
(Foto: Tatiana Nahuz/MDHC)

Uma das agentes formadas pelo programa foi Shirlei de Araújo, de 34 anos, também moradora do povoado de Amoras. Acostumada a cuidar de familiares idosos, ela decidiu participar da iniciativa ao perceber que muitas pessoas da comunidade precisavam de atenção e acolhimento.

“Em todos os lugares que eu visitei, as pessoas falavam que gostaram muito da visita e que, antes, se sentiam muito excluídas, muito abandonadas”, conta.

Durante as visitas, Shirlei descobriu que boa parte das pessoas idosas desconhecia direitos garantidos por lei, como atendimento prioritário, gratuidade no transporte e acesso a benefícios específicos. “Quem mora na roça, muitas vezes não tem internet e não sabe dos direitos que possui. Então, conversar sobre isso é importante demais”, afirma.

Ela também destaca que as visitas se transformavam em verdadeiras rodas de conversa. O que começava como uma entrevista frequentemente se convertia em horas de troca de experiências.

“Eu gostava muito, porque a gente ia fazer umas perguntas e a pessoa começava a contar a história da vida dela. Tinha visita que durava mais de uma hora. Foi uma experiência muito boa conhecer mais esse pessoal da minha comunidade”, destaca.

Para Shirlei, a valorização da pessoa idosa é uma responsabilidade coletiva. “Temos que defender os direitos deles porque, um dia, a gente vai chegar nessa idade também. E a vamos querer ter os nossos direitos respeitados”, completa.

Política pública que chega aos territórios

Instituído pela Portaria nº 561, de 4 de setembro de 2023, o Programa Envelhecer nos Territórios tem como objetivo promover o direito de envelhecer e fortalecer os direitos humanos das pessoas idosas em todo o Brasil.

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A iniciativa atua por meio da formação de agentes de direitos humanos da pessoa idosa, do fortalecimento da gestão local das políticas públicas voltadas ao envelhecimento e da ampliação da participação social nos territórios.

(Foto: Tatiana Nahuz/MDHC)
(Foto: Tatiana Nahuz/MDHC)

Além de produzir informações que ajudam a orientar políticas públicas, o programa também possibilita a identificação de situações de vulnerabilidade, negligência e violência, permitindo o encaminhamento aos órgãos competentes para atendimento e acompanhamento.

Para o secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Alexandre da Silva, histórias como as de Maria e Vicente também são possíveis porque o governo federal quer garantir condições dignas para o envelhecimento de todas as pessoas. “O capinar do senhor Vicente, o cuidar da horta da dona Maria e outras atividades são desejos e vontades das pessoas idosas, e cabe ao Estado garantir todas as condições de direitos, acessibilidade, equipamentos e segurança para que elas estejam nos seus territórios, em suas casas, com a liberdade, o respeito e a segurança que merecem”, destaca.

De acordo com o gestor, os programas do MDHC servem para garantir os direitos dessa população e, sempre que necessário, reduzir todas as formas de violência e violações que ainda afetam milhões de pessoas idosas em todo o país.

“Estamos felizes porque temos tido resultados positivos dos programas, mas estamos preocupados porque o cenário ainda demanda mais ações de mitigação de violência e mais ações na garantia de direitos. Por isso, estamos em expansão para atender cada vez mais municípios e comunidades, principalmente povos das águas, das florestas, dos campos e das periferias”, explica. “São movimentos da gestão para ampliar a garantia do direito desses grupos e melhorar as articulações e construção de mais respostas intersetoriais para as pessoas idosas contempladas pelos nossos programas”, finaliza.

Ao fortalecer vínculos comunitários, ampliar o acesso à informação e promover o protagonismo das pessoas idosas, o Envelhecer nos Territórios demonstra que envelhecer com dignidade também significa ser ouvido, respeitado e reconhecido.

E, para dona Maria, isso faz toda a diferença. “Todas as pessoas idosas têm direito”, reforça, com a mesma convicção de quem segue caminhando todos os dias e mostrando que envelhecer também pode ser sinônimo de autonomia, participação e vida plena.

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Texto: E.G.

Edição: F.T.

Atendimento exclusivo à imprensa:

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Assessoria de Comunicação Social do MDHC

(61) 2027-3538

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Fonte: Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

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MIDR viabiliza primeira fase da extensão da Malha Norte e novo terminal ferroviário em Mato Grosso

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Brasília (DF) — Mais um passo histórico para o fortalecimento da logística nacional e do desenvolvimento regional. Foram inauguradas, no último sábado (20), estruturas integrantes da Ferrovia Estadual de Mato Grosso (FMT): a primeira fase da extensão da Malha Norte e o novo terminal ferroviário da BR-070, no município de Dom Aquino (MT). Desenvolvido pela concessionária Rumo, o projeto integra o Novo PAC do Governo do Brasil e soma mais de R$ 5 bilhões em investimentos privados nesta fase. Os recursos foram captados por meio de financiamento via Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), autarquia vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), além de debêntures pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A participação do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO) foi aprovada em julho de 2022 pela Diretoria Colegiada da Sudeco. O repasse financeiro entre a Rumo S.A. e o Banco do Brasil ocorreu em duas etapas estratégicas: a liberação de R$ 312,5 milhões em 2024 e R$ 154,8 milhões em novembro de 2025.

A cerimônia de inauguração contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, do secretário nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros do MIDR, Eduardo Tavares, e do ministro dos Transportes, George Santoro. Durante o evento, o vice-presidente Geraldo Alckmin enfatizou a mudança histórica de posicionamento do país na produção de alimentos e a urgência de modais eficientes. “O Brasil, que era importador de alimentos há 70 anos, hoje está entre os três maiores produtores e exportadores do mundo. Nós precisamos chegar aos portos. E para chegar aos portos, precisamos de ferrovia. Com melhor logística, vai melhorar a nossa competitividade”, ressaltou Alckmin.

As entregas desse final de semana incluem a implantação de 162 quilômetros de trilhos, que compreendem a primeira fase da extensão da Malha Norte, além do novo terminal ferroviário da BR-070, em Dom Aquino, que terá capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano, ampliando a eficiência do transporte de cargas no principal corredor logístico do agronegócio brasileiro.

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O secretário nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros destacou que a participação dos Fundos Regionais de Desenvolvimento em projetos de infraestrutura estratégica reflete o compromisso com a Política Nacional de Desenvolvimento Regional. “A liberação dos recursos do FDCO para a Ferrovia Rumo aliada à força do Novo PAC representam o esforço do Governo Federal com o desenvolvimento regional. Quando garantimos esse fomento, o MIDR promove uma interiorização do desenvolvimento que transforma as cidades e eleva a competitividade do Centro-Oeste”, afirmou Tavares.

Quando concluída, a extensão total da FMT terá 743 quilômetros de trilhos entre Rondonópolis (MT) e Lucas do Rio Verde (MT), incluindo um ramal para a capital, Cuiabá (MT). O traçado cortará 16 municípios, conectando definitivamente a força produtiva mato-grossense à malha ferroviária nacional e aos principais portos de exportação. As operações do terminal terão início em fase de comissionamento, com testes operacionais. A execução da obra movimentou a economia local, mobilizando mais de 65 empresas contratadas e registrando mais de 5 mil profissionais em campo.

O diretor-presidente da Rumo, Pedro Palma, destacou o esforço conjunto entre os poderes Executivo (municipal, estadual e federal) e Legislativo para tirar o projeto do papel, sempre pautado por alianças estratégicas e responsabilidade socioambiental. “O Governo Federal reconheceu a importância dessa obra, não só para Mato Grosso, como também para toda infraestrutura do país, apoiando com a inclusão dela no Novo PAC, com o processo de investimento, como o BNDES – que é um dos nossos grandes parceiros de financiamento – e com a criação dessa infraestrutura”, afirmou Palma.

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Expansão das malhas ferroviárias pelo Brasil

A entrega em Mato Grosso reflete o momento de retomada de investimentos estratégicos no modal ferroviário pelo Governo do Brasil por meio do Novo PAC. Sob um ambiente de maior previsibilidade regulatória e segurança jurídica, as concessionárias ampliam seus aportes enquanto o Governo Federal injeta recursos na recuperação e expansão da infraestrutura sobre trilhos.

No Nordeste, mais uma etapa fundamental para a operação integrada da Ferrovia Transnordestina foi alcançada nesta semana. A concessionária Transnordestina Logística S.A. (TLSA) assinou, na terça-feira (16), a Ordem de Serviço para o início da construção do terminal logístico que conectará a ferrovia ao Complexo Portuário do Pecém, no Ceará.

As obras do terminal nordestino começarão a partir do ramal de integração da Transnordestina ao Terminal de Uso Privado da Nordeste Logística S.A. (TUP NELOG), do grupo Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Assim como no Centro-Oeste, o avanço histórico da malha ferroviária no Nordeste conta com o apoio dos Fundos de Desenvolvimento Regional. A obra é viabilizada por um financiamento de R$ 4,4 bilhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE).

 


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Fonte: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional

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