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Seminário debate papel do Estado diante das transformações no mundo do trabalho

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A quinta edição do States in Transitions debateu, nesta segunda-feira (22), o papel do Estado diante das mudanças tecnológicas e das novas formas de organização do trabalho. Promovido pela Secretaria Extraordinária para a Transformação do Estado (Sete) do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o encontro ocorreu no prédio da Dataprev, em Brasília, e reuniu representantes do governo federal e especialistas para tratar de regulação, qualificação profissional, soberania digital e proteção social.

Participaram da abertura do evento José Celso, secretário de Gestão de Pessoas e Jose Lopez Feijóo, secretário de relações de trabalho, ambos do MGI. A mesa também contou com a participação de Francisco Macena da Silva, secretário executivo do Ministério de Trabalho e Emprego (MTE) que destacou como a plataformização contribui para a desregulamentação do trabalho. O governo como um todo vem enfrentando debates como a fim da escala 6 por 1 e a plataformização do trabalho. A gente tem acompanhado que muitos setores da economia estão caminhando para essa plataformização e, com isso, até para uma certa desregulamentação econômica em algumas atividades“, contextualizou.

Para José Celso, o fortalecimento das capacidades estatais é fundamental para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças tecnológicas e pelas novas formas de organização do trabalho. Ele defendeu a necessidade de romper com a ideia que limita a atuação do Estado como regulador das relações trabalhistas e promotor do desenvolvimento. O Estado foi capturado nos últimos 30 anos por um paradigma neoliberal de gestão do Estado, que não prevê a sua atuação mais ativa, incisiva, como gerador de empregos”, afirmou.

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As medidas de valorização dos servidores e a tramitação do projeto de lei que regulamenta a convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho foram outros temas de destaque na abertura. A convenção 151, que define as regras de negociação para servidores públicos, foi tratada recentemente em evento que apresentou um balanço das conquistas e medidas de valorização da força de trabalho, que foram alcançadas ao longo desta gestão.

Ao encerrar a mesa de abertura, Feijóo argumentou que a democracia e a soberania digital são essenciais para garantir os direitos dos trabalhadores e para construir relações de trabalho mais equilibradas. Nenhum trabalhador ou trabalhadora, individualmente, pode enfrentar o seu patrão em igualdade de condições”, citou.

Sobre a soberania digital, Feijóo defendeu a posição de um país soberano para superar o desafio da precarização do trabalho. Se nós não caminharmos para a soberania tecnológica, não tem como, em nenhuma hipótese, achar que nós teremos soberania. Quando todos os nossos dados estiverem em nuvens estrangeiras, nos data centers estrangeiros, controlados por empresas estrangeiras, não teremos como enfrentar esse desafio, pontuou.

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Após a abertura do evento, o primeiro painel aprofundou a discussão e trouxe a participação de Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MTE. Ela abordou os riscos que a informalidade representa para os direitos do trabalhador e para o funcionamento de fundos como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). “Se temos emprego formal crescendo, temos mais recolhimentos e mais recursos. Se a gente tem a destruição de empregos formais ou a sua transformação em empregos precarizados, esse sistema anda para trás”, comparou.

O seminário ainda contou com outros dois painéis temáticos dedicados à análise das mudanças no mercado de trabalho, ao uso de sistemas digitais e ferramentas de inteligência artificial na gestão das transições de emprego. As discussões também abordaram estratégias de qualificação profissional necessárias para preparar a força de trabalho para os desafios do futuro.

Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos

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Brasil recebe 75,6 mil pedidos de refúgio em 2025 e ultrapassa 165 mil refugiados reconhecidos

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Brasília, 22/6/2026 – O Brasil recebeu 75,6 mil novos pedidos de reconhecimento da condição de refugiado em 2025 e soma 165.774 pessoas reconhecidas como refugiadas pelo Estado brasileiro. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (22) na publicação Refúgio em Números 2026, apresentada pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), anuário produzido em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), durante evento em celebração ao Dia Mundial do Refugiado e aos 75 anos da Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951, realizado em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (Acnur).

O levantamento mostra que o número de pessoas reconhecidas como refugiadas cresceu 5,9% entre 2024 e 2025. Desde 2010, o País acumulou 551.072 solicitações de reconhecimento da condição de refugiado.

Realizado no Palácio da Justiça, em Brasília (DF), o evento reuniu representantes do Governo Federal, organismos internacionais, academia, sociedade civil e comunidades refugiadas para debater os desafios da proteção internacional e os avanços do Brasil no acolhimento e na integração de pessoas refugiadas.

O relatório também registra uma mudança no perfil dos solicitantes de refúgio. Pela primeira vez, Cuba ultrapassou a Venezuela em número de novos pedidos e respondeu por 55,4% das solicitações registradas em 2025. Os venezuelanos representaram 28,1% do total. O levantamento identificou ainda solicitantes oriundos de 177 países.

Durante a abertura do evento, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, enfatizou a importância histórica da Convenção de 1951 e o compromisso brasileiro com a proteção internacional.

“Essa data não marca apenas a assinatura de um tratado, mas a reafirmação da própria dignidade da pessoa humana diante do desafio do deslocamento forçado. Ao reconhecer a pessoa refugiada como sujeito de direitos, o Estado cumpre uma de suas funções mais elevadas: servir à lei, à justiça e à dignidade humana”, afirmou.

O ministro ressaltou ainda que o Brasil tem consolidado políticas voltadas à proteção e à integração de pessoas refugiadas, citando instrumentos como o reconhecimento da condição de refugiado, os vistos humanitários e o Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário.

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“Os relatórios apresentados hoje reforçam a relevância de políticas públicas baseadas em dados e evidências para qualificar a atuação estatal. O Brasil segue sendo reconhecido internacionalmente como um País capaz de proteger, acolher e reconhecer em cada pessoa refugiada uma vida com direitos, capacidades e futuro”, declarou.

Dia Mundial do Refugiado
Dia Mundial do Refugiado. Foto: Isaac Amorim/ MJSP

Acolhimento e integração

A secretária nacional de Justiça e presidente do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), Maria Rosa Loula, destacou que a política de refúgio tem papel estratégico para o desenvolvimento social e para a promoção dos direitos humanos.

“O refúgio é um instrumento de transformação da sociedade brasileira e do mundo. O Brasil consegue dar exemplo de um paradigma que reúne segurança, direitos humanos, acolhimento e desenvolvimento social”, enfatizou.

Segundo a secretária, o trabalho desenvolvido pelo Estado brasileiro é resultado da atuação articulada entre Governo Federal, organismos internacionais, academia e sociedade civil. “Trata-se de uma política pública fundamental, construída coletivamente e comprometida com a proteção da dignidade humana”, acrescentou.

Desafios globais

O representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, Davide Torzilli, destacou que o contexto atual reforça a relevância da Convenção de 1951 e da cooperação internacional para garantir proteção às pessoas deslocadas à força.

Segundo ele, os números globais evidenciam a necessidade de fortalecer os sistemas de proteção. “Mais de 117 milhões de pessoas estão deslocadas à força em todo o mundo. Esses dados lembram que a necessidade de proteção internacional não diminuiu; ela se tornou ainda mais urgente”, observou.

Torzilli também reconheceu o papel desempenhado pelo Brasil no fortalecimento das políticas de acolhimento e integração. “O Acnur agradece ao Brasil por continuar promovendo espaços de diálogo, fortalecendo seu sistema de proteção internacional e buscando soluções que permitam não apenas proteger, mas também integrar pessoas refugiadas, deslocadas e apátridas”, disse.

O relatório Tendências Globais, com dados sobre deslocamento forçado no mundo e nas Américas, também foi apresentado no primeiro painel do evento. Acesse o relatório aqui: https://www.acnur.org/br/noticias/comunicados-imprensa/relatorio-tendencias-globais-2025

Cantora e refugiada iraniana Mah Mooni compartilha sua trajetória de deslocamento, acolhida e reconstrução de vida no Brasil. Foto: Isaac Amorim/MJSP
Cantora e refugiada iraniana Mah Mooni compartilha sua trajetória de deslocamento, acolhida e reconstrução de vida no Brasil. Foto: Isaac Amorim/MJSP
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Programa é institucionalizado

Durante o evento, o ministro Wellington Lima assinou o ato de institucionalização do Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário. Coordenado pelo MJSP, em articulação com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e outros órgãos do Governo Federal, e implementado em parceria com a sociedade civil, o Acnur e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o programa constitui uma iniciativa inovadora da política brasileira de acolhida humanitária.

Implementado inicialmente como projeto-piloto voltado à população afegã, o programa tem promovido a acolhida, a proteção e a integração de pessoas em situação de vulnerabilidade por meio do engajamento direto de organizações da sociedade civil e comunidades locais. Sua institucionalização representa um passo importante para consolidar a experiência e permitir sua expansão gradual a outros grupos que necessitam de proteção e acolhida humanitária.

Programação

Além da apresentação dos relatórios Refúgio em Números 2026, o encontro contou com um bate-papo com a cantora e refugiada iraniana Mah Mooni, que compartilhou sua trajetória de deslocamento, acolhida e reconstrução de vida no Brasil.

A programação também incluiu um painel dedicado aos 75 anos da Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951, reunindo especialistas, representantes do governo, da academia, da sociedade civil e de organismos internacionais para discutir os desafios atuais da proteção internacional e as perspectivas para o fortalecimento das políticas de refúgio no Brasil.

Também compuseram a mesa de abertura o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; a secretária-executiva adjunta do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Isadora Lacava; a secretária de Comunidades Brasileiras no Exterior e Assuntos Consulares do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Márcia Loureiro; o subprocurador-geral da República, André de Carvalho Ramos; e o representante do Acnur no Brasil, Davide Torzilli.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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