CIDADE JARDIM
MP aponta dano milionário e pede suspensão de condomínio
Promotores afirmam que empreendimento da Ginco provocou desmatamento, intervenções em áreas ambientais protegidas
JURÍDICO
Um dos maiores empreendimentos imobiliários em implantação em Cuiabá pode ser barrado na Justiça após o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) apontar uma série de irregularidades ambientais e urbanísticas na área destinada ao condomínio Cidade Jardim, da Ginco. Segundo a ação, os danos provocados pelo projeto já chegam a quase R$ 68 milhões.
A ação civil pública foi ajuizada contra a Cidade Jardim Incorporações, empresa do grupo Ginco, além da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e da Prefeitura de Cuiabá. O Ministério Público pede a suspensão imediata das licenças concedidas ao empreendimento, a paralisação das obras, o bloqueio da comercialização dos lotes e a recuperação das áreas degradadas.
De acordo com os promotores, a implantação do condomínio provocou desmatamento de centenas de hectares de vegetação nativa, incluindo intervenções em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e em áreas de Reserva Legal. O MP também aponta alterações em cursos d’água e risco de comprometimento dos recursos hídricos da região.
A estimativa apresentada na ação é de que os danos ambientais e urbanísticos somem R$ 67,9 milhões.
Segundo o Ministério Público, embora o projeto tenha sido apresentado oficialmente como um conjunto de sítios de recreio, na prática ele possui características de um grande núcleo urbano. O empreendimento prevê mais de 800 unidades residenciais, áreas comerciais e infraestrutura típica de cidade, mas estaria localizado em área rural e sem cumprir exigências legais aplicáveis a loteamentos urbanos.
A ação sustenta que o condomínio recebeu autorizações ambientais e urbanísticas mesmo apresentando características incompatíveis com a destinação da área e com o planejamento territorial do município.
Outro ponto questionado pelo Ministério Público é a falta de garantia para o abastecimento de água. Conforme a ação, não existe solução efetivamente implantada para atender a futura demanda dos moradores. A viabilidade apresentada dependeria de obras futuras e de licenças que ainda não foram emitidas.
A situação se repete em relação ao esgotamento sanitário. Segundo os promotores, o empreendimento não apresentou uma solução considerada adequada para coleta, tratamento e destinação dos efluentes. Um parecer técnico elaborado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) apontou riscos ambientais na proposta apresentada pela empresa.
Além das questões estruturais, o Ministério Público afirma que os impactos ambientais já podem ser observados na área. Análises técnicas e levantamentos geoespaciais realizados durante a investigação indicaram supressão de vegetação nativa em áreas protegidas e intervenções que alteraram a dinâmica hídrica local.
Para os promotores, a continuidade das obras e da comercialização dos lotes pode ampliar os danos ambientais e tornar ainda mais difícil uma eventual recuperação da área.
No processo, o Ministério Público também pede que a Justiça declare a ilegalidade do empreendimento, anule as licenças expedidas pela Sema e pela Prefeitura de Cuiabá e determine a recuperação integral das áreas degradadas. Caso os pedidos sejam acolhidos, os envolvidos poderão ser condenados ao pagamento de indenização milionária pelos prejuízos ambientais e urbanísticos apontados na ação.
JURÍDICO
Denúncia aponta pacto de silêncio para proteger mandante
Justiça tornou nove pessoas rés pelo assassinato do advogado; MP sustenta que grupo negociou pagamentos de R$ 750 mil para evitar delações
A denúncia que transformou nove investigados em réus pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri revela que integrantes do grupo teriam atuado para impedir que o suposto mandante do crime fosse entregue às autoridades. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), após as primeiras prisões relacionadas ao caso, foram articuladas negociações envolvendo pagamentos de até R$ 750 mil para manter envolvidos em silêncio e evitar delações.
A acusação foi recebida pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, que deu início à ação penal contra os denunciados por homicídio qualificado e organização criminosa.
De acordo com os promotores responsáveis pelo caso, a estratégia tinha um objetivo claro: proteger o empresário Aníbal Manoel Laurindo, apontado como mandante da execução do advogado. A denúncia cita que as negociações teriam ocorrido após a prisão de integrantes considerados peças-chave na engrenagem do crime.
O Ministério Público sustenta que a morte de Zampieri foi resultado de uma ação planejada e executada por um grupo com funções definidas. Na avaliação dos investigadores, o assassinato não foi uma decisão isolada, mas uma operação estruturada que envolveu contratação, intermediação, logística e execução.
A motivação estaria ligada a uma disputa pela Fazenda Lagoa Azul. Conforme a denúncia, Roberto Zampieri atuava em processos judiciais envolvendo a propriedade e teria identificado irregularidades documentais que enfraqueceram a posição defendida pela família Laurindo na disputa.
A investigação aponta que Aníbal Laurindo e a esposa, Elenice Ballarotti Laurindo, teriam financiado o homicídio. O coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini aparece na denúncia como responsável pela articulação operacional do plano, enquanto Hedilerson Fialho Martins teria atuado na intermediação e fornecimento da arma usada no crime.
O executor apontado pelo Ministério Público é Antônio Gomes da Silva, que confessou ter efetuado os disparos que mataram o advogado em dezembro de 2023.
Além de receber a denúncia, a juíza determinou a prisão preventiva de Elenice Ballarotti Laurindo. A magistrada entendeu que existem indícios de participação dela na contratação e no pagamento do crime, além de risco para a instrução processual.
A ordem de prisão, contudo, foi suspensa no domingo (14) pelo desembargador plantonista Gilberto Giraldelli, que concedeu decisão liminar em habeas corpus apresentado pela defesa.
O assassinato de Roberto Zampieri ocorreu na noite de 5 de dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. O advogado acabava de deixar o escritório quando foi surpreendido pelo atirador ao entrar em seu veículo. Imagens de segurança registraram a execução e mostraram o criminoso fugindo a pé após os disparos.



