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SIÁ MARIANA

Promotoria mira demolição de mansões no Pantanal em MT

Imóvel usado como casa de veraneio por políticos foi demolido em Barão de Melgaço; outras construções irregulares devem ser alvo de ações

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JURÍDICO

O processo se arrastou por 27 anos e chegou até o Supremo Tribunal Federal

Após quase três décadas de disputa judicial, o Ministério Público de Mato Grosso conseguiu demolir, no dia 1º, uma mansão construída em área de preservação permanente no Pantanal. O imóvel ficava na baía de Siá Mariana, em Barão de Melgaço, e era conhecido por ser frequentado por políticos como casa de veraneio. A informação foi publicada em reportagem da Folha de S. Paulo.

A chamada “casa amarela” estava registrada em nome de Clélio Nogueira, servidor aposentado da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Segundo o MP, além de estar em área ambientalmente protegida, a construção também restringia o acesso de pescadores à baía.

O processo se arrastou por 27 anos e chegou até o Supremo Tribunal Federal. De acordo com o promotor Joelson Campos Maciel, a demora para o cumprimento da decisão judicial ocorreu por causa da resistência e da influência política em torno do caso. “Houve uma série de obstáculos ao longo do tempo”, afirmou à Folha.

Mesmo com ordem judicial para a demolição, a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra-MT) alegou inicialmente que seria necessário realizar uma licitação para executar o serviço. Para viabilizar a medida, os promotores conseguiram autorização para utilizar recursos do Juizado Especial Volante Ambiental de Cuiabá, formado por valores arrecadados com multas ambientais.

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Segundo o Ministério Público, a mansão demolida não é um caso isolado. Nas regiões das baías de Siá Mariana e Chacororé, haveria diversas casas erguidas em áreas de preservação permanente ou com licenças ambientais consideradas irregulares. Uma ação civil pública mais ampla, chamada pelo MP de “guarda-chuva”, já pede o levantamento completo dessas construções.

A responsabilidade por identificar os imóveis irregulares é atribuída à Sema. Em nota, a secretaria informou que casas de veraneio não são passíveis de licenciamento ambiental e que sua atuação se limita à análise da atividade exercida no local. Disse ainda que realizou fiscalizações, notificações e autuações na região, mas não soube informar quantos imóveis estariam em situação irregular.

O MP também pretende apurar o alteamento de uma estrada vicinal feito pela Sinfra-MT, que dá acesso às casas de veraneio da baía. A obra teria sido executada sem licitação, sob a justificativa de facilitar a captação de água pelo Corpo de Bombeiros em caso de incêndios no Pantanal. A secretaria afirmou que as melhorias tiveram exclusivamente esse objetivo e que não têm relação com o processo de demolição.

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A defesa de Clélio Nogueira afirma que outros proprietários da região firmaram termos de ajustamento de conduta, mas que seu cliente não recebeu o mesmo tratamento. O advogado Fernando Biral disse que a decisão não respeitou o princípio da isonomia e que chegou a propor a cessão de parte do imóvel para uso da Sema. “Esperamos que o mesmo rigor aplicado aqui seja adotado em relação às demais casas”, afirmou.

Segundo o Ministério Público, novas demolições podem ocorrer, caso sejam confirmadas outras irregularidades em áreas protegidas do Pantanal.

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JURÍDICO

MP aponta dano milionário e pede suspensão de condomínio

Promotores afirmam que empreendimento da Ginco provocou desmatamento, intervenções em áreas ambientais protegidas

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A estimativa apresentada na ação é de que os danos ambientais e urbanísticos somem R$ 67,9 milhões

Um dos maiores empreendimentos imobiliários em implantação em Cuiabá pode ser barrado na Justiça após o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) apontar uma série de irregularidades ambientais e urbanísticas na área destinada ao condomínio Cidade Jardim, da Ginco. Segundo a ação, os danos provocados pelo projeto já chegam a quase R$ 68 milhões.

A ação civil pública foi ajuizada contra a Cidade Jardim Incorporações, empresa do grupo Ginco, além da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e da Prefeitura de Cuiabá. O Ministério Público pede a suspensão imediata das licenças concedidas ao empreendimento, a paralisação das obras, o bloqueio da comercialização dos lotes e a recuperação das áreas degradadas.

De acordo com os promotores, a implantação do condomínio provocou desmatamento de centenas de hectares de vegetação nativa, incluindo intervenções em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e em áreas de Reserva Legal. O MP também aponta alterações em cursos d’água e risco de comprometimento dos recursos hídricos da região.

A estimativa apresentada na ação é de que os danos ambientais e urbanísticos somem R$ 67,9 milhões.

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Segundo o Ministério Público, embora o projeto tenha sido apresentado oficialmente como um conjunto de sítios de recreio, na prática ele possui características de um grande núcleo urbano. O empreendimento prevê mais de 800 unidades residenciais, áreas comerciais e infraestrutura típica de cidade, mas estaria localizado em área rural e sem cumprir exigências legais aplicáveis a loteamentos urbanos.

A ação sustenta que o condomínio recebeu autorizações ambientais e urbanísticas mesmo apresentando características incompatíveis com a destinação da área e com o planejamento territorial do município.

Outro ponto questionado pelo Ministério Público é a falta de garantia para o abastecimento de água. Conforme a ação, não existe solução efetivamente implantada para atender a futura demanda dos moradores. A viabilidade apresentada dependeria de obras futuras e de licenças que ainda não foram emitidas.

A situação se repete em relação ao esgotamento sanitário. Segundo os promotores, o empreendimento não apresentou uma solução considerada adequada para coleta, tratamento e destinação dos efluentes. Um parecer técnico elaborado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) apontou riscos ambientais na proposta apresentada pela empresa.

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Além das questões estruturais, o Ministério Público afirma que os impactos ambientais já podem ser observados na área. Análises técnicas e levantamentos geoespaciais realizados durante a investigação indicaram supressão de vegetação nativa em áreas protegidas e intervenções que alteraram a dinâmica hídrica local.

Para os promotores, a continuidade das obras e da comercialização dos lotes pode ampliar os danos ambientais e tornar ainda mais difícil uma eventual recuperação da área.

No processo, o Ministério Público também pede que a Justiça declare a ilegalidade do empreendimento, anule as licenças expedidas pela Sema e pela Prefeitura de Cuiabá e determine a recuperação integral das áreas degradadas. Caso os pedidos sejam acolhidos, os envolvidos poderão ser condenados ao pagamento de indenização milionária pelos prejuízos ambientais e urbanísticos apontados na ação.

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