INFILTRADOS
Servidores são suspeitos de usar Prefeitura para favorecer facção
Investigação aponta ligação de ocupantes de cargos de confiança com o CV e uso de eventos para ampliar influência do grupo criminoso
POLÍCIA
Uma investigação do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) aponta que integrantes do Comando Vermelho podem ter encontrado apoio dentro da estrutura da Prefeitura de Sinop para ampliar sua atuação no município. Dois servidores com cargos de confiança são suspeitos de manter vínculos com a facção e de facilitar ações que beneficiariam o grupo criminoso.
As suspeitas surgiram a partir da análise de celulares apreendidos com traficantes em operações anteriores. O material revelou indícios de que eventos populares financiados pela facção estavam sendo utilizados como ferramenta para fortalecer a presença da organização criminosa junto à população, especialmente entre jovens.
Segundo a investigação, as festas eram apresentadas como atividades de entretenimento, mas serviriam para promover a imagem do grupo criminoso, ampliar sua aceitação social e consolidar sua influência em comunidades da cidade.
Os investigadores também apuram se servidores municipais teriam utilizado a estrutura pública para favorecer interesses da facção e contribuir para a expansão de suas atividades.
As evidências levaram ao cumprimento de mandados de busca e apreensão contra os suspeitos. Durante a ação, foram recolhidos celulares, documentos e dispositivos eletrônicos que agora passarão por perícia.
A suspeita de infiltração de integrantes ou colaboradores de organizações criminosas em órgãos públicos tem sido uma das principais preocupações das forças de segurança nos últimos anos. O objetivo dos grupos é utilizar a máquina pública para obter informações privilegiadas, facilitar operações ilícitas e ampliar sua influência política e social.
No caso investigado em Sinop, a apuração busca esclarecer qual era o grau de participação dos servidores e se outras pessoas ligadas ao poder público também mantinham relações com a facção.
O material apreendido poderá indicar a extensão da atuação do grupo e revelar novos envolvidos. A investigação segue em andamento e não está descartada a adoção de novas medidas judiciais nos próximos dias.
O Comando Vermelho é apontado pelas autoridades como uma das principais organizações criminosas em atuação em Mato Grosso, com forte presença em crimes ligados ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e disputas territoriais.
POLÍCIA
Facções perderam R$ 2,5 bilhões em drogas, aviões e armas
Mais de 118 toneladas de entorpecentes foram apreendidas nos últimos sete anos; quase 3 mil pessoas acabaram presas
O tráfico internacional de drogas sofreu um prejuízo estimado em R$ 2,5 bilhões na fronteira entre Mato Grosso e Bolívia nos últimos sete anos. O valor é resultado das apreensões de drogas, aeronaves, veículos, armas e munições ligadas às atividades de facções criminosas que utilizam a região como uma das principais rotas de entrada de entorpecentes no país.
Entre janeiro de 2019 e maio de 2026, as forças de segurança retiraram de circulação 118 toneladas de drogas que abasteceriam organizações criminosas em diversos estados brasileiros. No mesmo período, também foram apreendidas 77 aeronaves utilizadas pelo narcotráfico, 2.052 veículos, 414 armas de fogo e mais de 14 mil munições.
Os números revelam a dimensão da estrutura logística mantida pelas facções na faixa de fronteira de Mato Grosso, considerada uma das principais portas de entrada de cocaína produzida em países vizinhos.
Além das apreensões, 2.913 pessoas foram presas por crimes relacionados ao tráfico de drogas, contrabando, roubos, furtos e outras atividades criminosas. Entre os detidos estão 159 estrangeiros.
A utilização de aeronaves, caminhonetes e veículos adaptados demonstra o grau de sofisticação das organizações criminosas que atuam na região. Em muitos casos, as drogas são transportadas por vias terrestres e aéreas antes de seguirem para centros consumidores em outras regiões do país.
Somente neste ano, entre janeiro e maio, as ações de combate ao crime organizado na fronteira já consumiram R$ 17 milhões em investimentos públicos voltados à repressão ao tráfico e à prevenção da violência. O trabalho é realizado ao longo de aproximadamente 900 quilômetros de fronteira seca e alagada entre Mato Grosso e Bolívia.
Segundo as forças de segurança, as apreensões de drogas e aeronaves representam um dos golpes mais significativos contra as facções porque atingem diretamente a capacidade financeira e operacional dos grupos criminosos.
A região de fronteira segue sendo monitorada por operações integradas que envolvem forças estaduais e federais, numa tentativa de conter o avanço das organizações criminosas que utilizam Mato Grosso como corredor estratégico para o tráfico internacional de drogas.
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