FEDERAÇÃO UNIÃO/PP
Impasse entre Jayme e Pivetta pode ir à nacional
Cidinho Santos afirma que a composição do comando estadual não foi criada para prejudicar o senador e impasse pode chegar à nacional
POLÍTICA
A formação do comando estadual da Federação União Progressista reacendeu os bastidores da disputa pelo Governo de Mato Grosso em 2026. Embora o senador Jayme Campos (União) mantenha a pré-candidatura ao Palácio Paiaguás, o ex-senador Cidinho Santos (PP), escolhido como vice-presidente da federação no Estado, negou que a composição tenha sido montada para enfraquecer o projeto político do parlamentar.
A federação será presidida pelo governador Mauro Mendes (União), principal defensor da candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) à sucessão estadual. Como a maioria dos integrantes do colegiado estadual é formada por aliados de Mendes, surgiram interpretações de que Jayme chegaria em desvantagem nas discussões internas.
Cidinho, porém, rechaçou a tese de que a estrutura foi desenhada para barrar o senador. Segundo ele, não existe qualquer decisão prévia sobre apoio eleitoral e todas as definições dependerão das convenções partidárias previstas para agosto.
Ele explicou que a federação só atuará como instância arbitral caso União Brasil e PP adotem posições divergentes sobre a disputa estadual. Nesse cenário, o colegiado da federação seria acionado para buscar uma definição.
Cidinho também ressaltou que Jayme continua sendo uma das principais lideranças do grupo político e que não há qualquer candidatura definida antes das convenções. Segundo ele, qualquer decisão precisará passar pelo diálogo interno e pelo respeito às lideranças partidárias.
Nos bastidores, entretanto, o senador segue trabalhando para viabilizar sua candidatura. A estratégia ganhou novo fôlego após a análise do estatuto da federação, que prevê convenções separadas de União Brasil e PP para deliberar sobre apoio ou candidatura própria ao Governo do Estado.
Pelas regras internas, cerca de 50 votantes participarão das deliberações estaduais, entre membros do diretório e delegados municipais. Jayme enfrenta resistência dentro do PP, onde boa parte das lideranças estaria alinhada ao projeto de Pivetta, mas busca fortalecer sua posição dentro do União Brasil.
Caso os dois partidos cheguem a decisões diferentes, a questão será analisada inicialmente por uma comissão regional da federação. Persistindo o impasse, a palavra final caberá à direção nacional da União Progressista.
É justamente nessa etapa que Jayme deposita parte de suas expectativas. O senador aposta na interlocução construída em Brasília, especialmente junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para ampliar seu espaço nas discussões nacionais caso a disputa interna avance.
Ao comentar essa possibilidade, Cidinho minimizou a hipótese de interferência externa e afirmou que as decisões relacionadas à sucessão estadual deverão ser tomadas pelas lideranças mato-grossenses. Segundo ele, quem decidirá os rumos da eleição em Mato Grosso será o próprio Estado.
POLÍTICA
Livros superfaturados em Cuiabá entram na mira do TCE
Livros de até R$ 1 mil, materiais sem contrato e pagamentos milionários colocam compras na mira dos órgãos de controle
A suspeita de um esquema milionário na compra de materiais didáticos para a rede pública colocou a Educação de Cuiabá e também a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) no centro de uma investigação que pode revelar um prejuízo superior a R$ 80 milhões aos cofres públicos. O caso chamou a atenção do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, que anunciou a abertura de apuração sobre os contratos firmados entre 2025 e 2026.
A investigação começou após denúncias apresentadas pela Prefeitura de Cuiabá, que aponta indícios de sobrepreço, compras sem formalização contratual e aquisição de materiais considerados incompatíveis com a realidade da rede municipal. Entre os itens sob suspeita estão livros adquiridos por valores próximos de R$ 1 mil a unidade e outros comercializados por cerca de R$ 370.
Na quinta-feira (28), Sérgio Ricardo se reuniu com o prefeito Abilio Brunini para discutir as denúncias e solicitou acesso imediato aos documentos relacionados às aquisições. O conselheiro afirmou que os valores pagos, a forma de contratação e o fato de as mesmas empresas aparecerem nos fornecimentos despertaram preocupação e exigem uma análise aprofundada.
Um dia depois, equipes da Prefeitura e do TCE realizaram uma vistoria em galpões da Secretaria Municipal de Educação e em uma escola da rede municipal. Durante a fiscalização, foram encontrados materiais que, segundo a gestão, chegaram ao município sem contrato formalizado, sem ordem de serviço e sem autorização oficial de compra.
A auditoria da Prefeitura também identificou que cerca de R$ 21 milhões foram destinados à compra de livros e programas educacionais enquanto escolas enfrentavam problemas estruturais e falta de itens básicos para funcionamento. Além disso, foram localizados materiais de informática e educação financeira que não integram a grade curricular e que sequer poderiam ser utilizados adequadamente, já que parte das unidades não possui laboratórios de informática.
Outro ponto que chamou a atenção dos auditores foi a contratação simultânea de até 19 programas pedagógicos para um único ano letivo. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, a quantidade torna inviável a aplicação prática dos conteúdos em sala de aula.
A atual gestão afirma ter suspendido pagamentos e interrompido novas contratações após detectar as inconsistências. Uma investigação interna aberta em janeiro também evitou uma despesa estimada em R$ 70 milhões, embora cerca de R$ 20 milhões já tenham sido pagos. O caso foi encaminhado ao Tribunal de Contas da União, Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual.
As suspeitas, porém, não devem ficar restritas à Capital. Sérgio Ricardo anunciou que a apuração será ampliada para a Secretaria de Estado de Educação. Segundo ele, há uma forte correlação entre as aquisições realizadas pelo município e pelo Estado, o que justifica a análise dos contratos firmados pela Seduc nos últimos anos.
Agora, além da documentação, o Tribunal quer verificar se os materiais efetivamente chegaram às salas de aula, se foram utilizados pelos professores e se os valores pagos encontram justificativa pedagógica. Caso as irregularidades sejam confirmadas, os responsáveis poderão ser alvo de procedimentos administrativos, ações judiciais e pedidos de ressarcimento ao erário.
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