MERCADO DE TRABALHO
Jayme e Wellington bancam jornada flexível de 7x0
Enquanto a bancada federal votou a favor da redução da jornada para 5×2, senadores apoiam proposta que enfrenta resistência popular
POLÍTICA
Os senadores Jayme Campos (União) e Wellington Fagundes (PL) passaram a enfrentar críticas após declararem apoio à chamada PEC da Jornada Flexível, proposta que permite ao trabalhador optar por um regime baseado nas horas efetivamente trabalhadas e na remuneração proporcional.
A posição coloca os dois parlamentares em direção oposta à adotada recentemente pelos oito deputados federais de Mato Grosso, que votaram favoravelmente à proposta aprovada pela Câmara dos Deputados reduzindo a jornada semanal de 44 para 40 horas e extinguindo a escala 6×1.
Na prática, enquanto a proposta aprovada pelos deputados reduz a carga de trabalho e amplia os períodos de descanso, a PEC apoiada por Jayme e Wellington abre espaço para acordos individualizados de jornada, transferindo ao trabalhador a decisão sobre o modelo de contratação e remuneração.
Os defensores da medida argumentam que ela amplia a liberdade de escolha e permite maior adaptação às necessidades do mercado de trabalho. Já os críticos sustentam que a flexibilização tende a enfraquecer a proteção trabalhista, sobretudo em relações marcadas pela desigualdade de poder entre empregado e empregador.
O debate ganhou força após a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), autora da PEC que extingue a escala 6×1, associar a proposta do Senado à criação de uma espécie de “escala 7×0”. A crítica viralizou nas redes sociais e direcionou uma onda de cobranças aos parlamentares que apoiaram a iniciativa.
Nas páginas de Jayme Campos e Wellington Fagundes, internautas passaram a questionar o posicionamento dos senadores, argumentando que a negociação individual dificilmente ocorre em condições de igualdade e pode resultar em jornadas mais extensas e menor proteção ao trabalhador.
O desgaste ocorre em um momento delicado para a classe política. Com as eleições se aproximando, o tema da jornada de trabalho tornou-se uma das pautas de maior apelo popular. Na consulta pública aberta pelo Senado, a proposta da jornada flexível acumula ampla rejeição, com manifestações contrárias superando com larga vantagem os apoios registrados.
A pressão popular já produziu reflexos na Câmara dos Deputados. Parlamentares que inicialmente defendiam mudanças no texto que reduzia a jornada acabaram acompanhando a proposta principal diante da repercussão negativa e da mobilização nas redes sociais.
Agora, com a matéria chegando ao Senado, Jayme e Wellington terão de administrar um debate que ultrapassa a discussão técnica sobre relações de trabalho e passa a ter forte impacto político. A defesa de um modelo mais flexível de contratação pode encontrar resistência justamente entre trabalhadores que veem na redução da jornada uma das principais bandeiras sociais em discussão no país.
POLÍTICA
Medeiros acusa PSOL de atrasar Ferrogrão e prejudicar MT
Parlamentar alerta que a esquerda usa pautas ambientais para barrar uma obra que reduziria custos logísticos e emissões de carbono
Após anos de impasse judicial, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou a lei que viabiliza a construção da Ferrogrão, ferrovia que ligará Mato Grosso aos portos do Norte do país. Para o deputado federal Zé Medeiros (PL), a suspensão do projeto, motivada por uma ação do PSOL, custou caro a Mato Grosso e atrasou o desenvolvimento de uma das regiões mais produtivas do país.
A ferrovia projetada para ligar Sinop aos portos do Pará é considerada uma das principais obras de infraestrutura para o escoamento da produção agrícola de Mato Grosso e é vista como estratégica para o desenvolvimento socioeconômico da região. Para Medeiros, o atraso do projeto causou prejuízos bilionários ao Estado e ao país.
“A Ferrogrão deveria estar pronta ou em fase avançada de construção. É uma obra que reduz o custo do transporte, melhora o escoamento da safra, desafoga a BR-163 e aumenta a competitividade dos produtos brasileiros. Quem paga a conta desse atraso é o produtor, o caminhoneiro e o consumidor”, afirmou.
Medeiros também argumentou que os estudos do projeto apontam benefícios ambientais, com redução na emissão de carbono devido à diminuição do fluxo de caminhões nas rodovias. Para ele, a esquerda não está preocupada com o meio ambiente, mas utiliza essa pauta para penalizar o agronegócio, setor que produz riqueza, gera empregos e movimenta a economia brasileira.
O deputado questionou ainda o momento em que o STF autorizou a retomada dos estudos da ferrovia, sugerindo motivação política na decisão.
“Será que tem a ver com o ano eleitoral, como aconteceu com o fim da taxa das blusinhas? Você sabe que sim. Foram anos de atraso para uma obra estratégica. Agora, às vésperas de mais um processo eleitoral, o projeto volta a avançar. A estratégia de Lula é simples: voltar a falar da Ferrogrão para enganar os desinformados e fazer chantagem com o agro, defendendo a ideia de que, se não for reeleito, a obra nem sairá do papel”, concluiu
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