BRASIL & MUNDO
Copa Feminina de 2027 é oportunidade para deixar legado além dos gramados, defendem especialistas durante painel no Fórum de Mulheres no Turismo
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A realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino no Brasil convida a uma reflexão que vai muito além do esporte: durante quase 40 anos, o futebol feminino foi proibido no país, sendo permitido apenas em 1983. Nesse período, o Brasil já havia conquistado três títulos mundiais masculinos e sediado uma Copa. Esse contraste evidencia a importância do evento no ano que vem, que pela primeira vez acontece na América do Sul.
A secretária extraordinária da Copa do Mundo Feminina 2027, Juliana Agatte, afirmou, nesta quarta-feira (3), que o evento deve ser utilizado como instrumento de transformação social e de ampliação dos direitos das mulheres.
Ela destacou que a preparação para o Mundial já incorpora discussões sobre mobilidade, sustentabilidade, segurança e turismo sob uma perspectiva feminina, com o objetivo de deixar protocolos permanentes para os destinos brasileiros.
“Não estamos falando apenas dos 50 dias da competição. Queremos que as medidas construídas para a Copa permaneçam como legado para as mulheres dentro e fora dos estádios, ampliando o acesso, a segurança e a participação feminina nesses espaços”, ressaltou.
As declarações foram feitas durante o painel “Turismo, Futebol e a Copa do Mundo Feminina Brasil 2027”, realizado durante o Fórum Internacional de Turismo para Mulheres, que acontece até esta quinta-feira (4), em João Pessoa (PB).
O evento, promovido pelo Ministério do Turismo em parceria com a ONU Turismo, debate o protagonismo feminino no setor.
Agatte falou sobre a importância dos espaços de debate, fundamentais para destacar a relevância da centralidade das mulheres nessa agenda, garantindo que elas estejam no centro das discussões e das políticas públicas.
“Da mesma forma, a segurança deve ocupar lugar central. Temos dialogado com todas as forças envolvidas para assegurar um olhar diferenciado para as mulheres, com protocolos específicos dentro dos estádios e medidas que garantam ambientes seguros dentro e fora deles”, afirmou.
Durante sua participação, Agatte disse que o Mundial representa uma oportunidade para ampliar a visibilidade da história das mulheres no esporte e incorporar essa narrativa às experiências turísticas do país. Para ela, museus, espaços culturais, estádios, escolas e roteiros turísticos podem contribuir para valorizar a trajetória do futebol feminino brasileiro e fortalecer o protagonismo das mulheres em uma das principais expressões culturais nacionais.
A FIFA prevê um investimento recorde de cerca de R$ 4,2 bilhões para a edição de 2027 da Copa do Mundo Feminina Brasil, valor que corresponde ao dobro do montante destinado à Copa anterior, na Austrália e na Nova Zelândia.
Acompanhando o crescimento, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também projeta aplicar R$ 685 milhões nas competições femininas locais.
Para a representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret, a Copa do Mundo Feminina de 2027 representa uma oportunidade para acelerar políticas voltadas à autonomia econômica, à segurança e à ampliação de oportunidades para as mulheres. Segundo ela, o legado do torneio pode beneficiar desde empreendedoras e trabalhadoras do turismo até meninas que passarão a enxergar novas possibilidades de futuro a partir da maior visibilidade feminina no esporte e nos espaços de liderança.
Palayret ainda afirmou que a Copa pode gerar impactos concretos para as mulheres em diferentes níveis. “Estamos falando de ampliar o acesso a crédito, capacitação e mercados, fortalecer negócios liderados por mulheres, valorizar o artesanato, a gastronomia, o turismo comunitário e criar ambientes mais seguros para turistas e trabalhadoras. Mas também estamos falando de inspiração. Quando meninas veem mulheres ocupando espaços de liderança, elas passam a acreditar que também podem chegar lá”.
Já a jornalista Alicia Klein chamou a atenção para o papel da comunicação na construção do legado do torneio. Para ela, a Copa não deve ser encarada apenas como um evento voltado ao público feminino, mas como uma oportunidade de ampliar a visibilidade das mulheres no esporte e transformar a forma como a sociedade se relaciona com o futebol.
“A Copa tem o poder de mobilizar pessoas muito além de quem acompanha futebol. É um evento esportivo, cultural e turístico. Quanto mais tratarmos o futebol feminino com a relevância que ele merece, maior será sua capacidade de inspirar meninas, criar referências para os meninos e ampliar o espaço das mulheres dentro e fora dos estádios”, afirmou.
O debate reuniu três perspectivas sobre o Mundial: a preparação do país para receber a competição, a promoção da igualdade de gênero e dos direitos humanos e o papel da comunicação na valorização das mulheres no esporte e no turismo.
Construção de legado
Ao final do painel, as participantes foram convidadas a refletir sobre qual legado gostariam de ver a Copa do Mundo Feminina de 2027 deixar para o Brasil. Em comum, defenderam que o torneio seja capaz de ampliar oportunidades para as mulheres dentro e fora do esporte, fortalecendo sua presença como atletas, profissionais, empreendedoras, turistas e lideranças.
Juliana Agatte destacou a expectativa de que a competição impulsione oportunidades concretas para as mulheres, com impactos em áreas como turismo, geração de renda, segurança e ocupação de espaços de liderança.
Palayret ressaltou a importância de ampliar as possibilidades para meninas e mulheres e consolidar o futebol feminino como uma verdadeira paixão nacional.
Para Alicia Klein, o principal legado será romper definitivamente a ideia de que o futebol é um espaço masculino. “O futebol precisa ser entendido como algo de todos. Essa transformação beneficia não apenas o esporte, mas a sociedade como um todo”, afirmou.
Por João Pedrini
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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Do campo à escola: entenda por que o Brasil virou referência em alimentação escolar
O Brasil é reconhecido mundialmente como referência em alimentação escolar. Por meio de políticas públicas sólidas e de investimentos contínuos, o Governo do Brasil tem fortalecido programas que garantem a oferta de refeições nutritivas, equilibradas e de qualidade para milhões de estudantes da educação básica da rede pública de ensino.
O cardápio da merenda escolar tem a cara do Brasil, e quem faz sucesso são os alimentos saudáveis. Passam pelo prato, garantindo refeições saborosas e nutritivas aos estudantes, o arroz integral, feijão, carnes bovina e suína, frango, peixe, além dos alimentos que são produzidos pela agricultura familiar, como hortaliças e leguminosas.
Uma abordagem relevante para iniciar o debate sobre alimentação saudável pode ser realizada fazendo um comparativo entre os sistemas alimentares escolares do Brasil e Estados Unidos. Enquanto a base da merenda escolar dos Estados Unidos é servida com alimentos ultraprocessados, como salgadinhos de pacote, sucos artificiais, biscoitos recheados e pães contendo alto teor em açúcar, enquanto no Brasil a ordem é oferecer mais saúde, mais sabor e mais energia para aprender e brincar ao longo do dia.
Uma divulgação realizada pelo Instituto de Defesa dos Consumidores (Idec) apontou detalhes do cardápio das cantinas escolares de Nova York. Em uma delas, especificamente a de uma creche privada na qual o valor de uma mensalidade gira em torno de US$ 3.000,00, foi servido sanduíche de queijo cheddar ultraprocessado, acompanhado de uma pequena quantia de ervilhas e um tipo de fruta.
Além disso, estudo realizado pelo USA Today em 2019, mostrou que a carne servida nas escolas dos Estados Unidos tinha qualidade e segurança inferiores às exigidas pelas redes de fast-food. Além disso, segundo o livro “Lunch Lessons”, quase metade dos vegetais consumidos por crianças e adolescentes de 2 a 19 anos era composta por batatas fritas.
Por que a qualidade da merenda escolar é importante para o desenvolvimento dos alunos da rede básica de ensino?
Especialistas no assunto explicam a importância de consumir nutrientes essenciais para a manutenção de uma vida saudável. A nutricionista infantil Zuila Acioly defende que uma refeição na idade escolar deve ser priorizada pela qualidade, não pela quantidade. “Para algumas crianças, a merenda escolar é a sua principal refeição, então é importante oferecer um cardápio variado, harmônico e saudável, evitando os alimentos industrializados e ultraprocessados, para garantir o que elas precisam para manter uma boa saúde”, afirma.
Ela também destaca o impacto dos alimentos produzidos pela agricultura familiar no desenvolvimento físico e mental dos alunos. “Quando a gente fala em agricultura familiar, nesse fornecimento para as redes, para as escolas, isso é importante. A criança tem acesso a uma alimentação saudável de imediato. Os alimentos influenciam na composição corporal e no comportamento do cérebro. A forma correta de se alimentar deve começar na fase infantil, garantindo que a criança se torne um adulto mais saudável, com ganho de massa muscular, por exemplo”, conclui.
Políticas Públicas
Embora ambos os países possuam políticas públicas voltadas à alimentação dos estudantes, existem diferenças significativas em relação ao acesso e ao financiamento da alimentação no ambiente escolar.
No Brasil, os programas voltados ao impulsionamento alimentar no sistema educacional funcionam. A refeição tem custo zero para os alunos, a iniciativa é amparada pela Lei da Alimentação Escolar, que assegura a gratuidade e representa um marco para o fortalecimento dos programas de alimentação escolar do Brasil.
O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), também tem um papel fundamental no fornecimento de uma alimentação saudável aos alunos. A política determina que pelo menos 45% dos repasses federais sejam investidos na compra direta de alimentos da agricultura familiar. A iniciativa fortalece a produção no campo, garante merenda fresca aos estudantes da rede pública e valoriza os produtores rurais de todo país. Resultado: comida de verdade no prato.
Já nos Estados Unidos, a merenda escolar não é totalmente gratuita. Em geral, os estudantes precisam pagar pelas refeições, embora alunos de famílias de baixa renda possam receber alimentação gratuita ou com preço reduzido por meio do programa federal National School Lunch Program, que estabelece critérios de elegibilidade e subsidia os custos das refeições.
Mapa da Fome
Em julho de 2025, o Brasil comemorou, mais uma vez, a saída do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU). O avanço é o resultado da implementação de políticas públicas eficazes que têm garantido o direito à alimentação das famílias brasileiras. Segundo a ONU, ao atingir a marca de menos de 2,5% da população em risco de subnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente, o Brasil saiu, pela segunda vez, do Mapa da Fome. O índice classifica o país fora da zona de insegurança alimentar grave.
A recriação do MDA, em 2023, foi fundamental para impulsionar as políticas públicas voltadas à segurança alimentar e à promoção da agricultura familiar no Brasil. Políticas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA), contribuem para o aumento da produção de alimentos, beneficiando diretamente milhões de famílias no país.
Texto: Isabella Melo, Ascom/MDA
Edição: Marcelo Carota, Ascom/MDA
Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar
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