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“Democratização do audiovisual brasileiro”: Lula e Margareth Menezes lançam Tela Brasil, primeira plataforma pública gratuita de streaming

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes, lançaram neste sábado (30), durante o Rio2C 2026, no Rio de Janeiro, a Tela Brasil, primeira plataforma pública federal de streaming do audiovisual brasileiro. Gratuita e acessível, a iniciativa reúne mais de 500 obras audiovisuais nacionais, entre filmes, séries, documentários, animações e conteúdos históricos, fortalecendo o acesso da população ao cinema e à memória cultural do país.

A cerimônia também marcou a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Cultura (MinC) e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), permitindo a integração gradual do acervo da TV Brasil à plataforma e ampliando a oferta de conteúdos públicos nacionais.

O lançamento reuniu representantes do setor audiovisual brasileiro, entre eles artistas, cineastas, produtores, pesquisadores, gestores culturais, influenciadores e profissionais da comunicação pública.

Ao apresentar a iniciativa, o presidente Lula assegurou que, ao ampliar o acesso à história e à diversidade cultural brasileira por meio do audiovisual, a plataforma pode aproximar diferentes gerações das narrativas que ajudam a compreender a formação do país e a riqueza de suas expressões culturais. “Eu sonhei que a gente pudesse pegar os momentos históricos mais importantes do Brasil e fazer grandes longas-metragens para a gente conhecer profundamente esse país. E mais importante ainda: contar as histórias que não estão nos livros, do povo que lutou, do povo que permaneceu anônimo, mas que ajudou a construir o Brasil.”

Segundo o presidente, fortalecer a cultura é também fortalecer pertencimento e identidade nacional. “A gente precisa conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa cultura, nossa música, nosso teatro, nossa história. Somente através da cultura a gente consegue chegar à plenitude de dizer: eu tenho uma pátria.”

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, ressaltou que a Tela Brasil surge para enfrentar um dos principais desafios do setor audiovisual: fazer as produções nacionais chegarem ao público em todo o território brasileiro.

“Precisava haver essa ferramenta: uma plataforma gratuita onde o povo brasileiro pudesse ter acesso à nossa produção audiovisual e se reconhecer nela. A Tela Brasil é uma forma de fortalecer a identidade do nosso povo, valorizar nossa diversidade e fazer com que as histórias do Brasil cheguem a todos os brasileiros.”

Para a ministra, a plataforma permitirá que brasileiros de diferentes regiões tenham acesso a produções que retratam seus territórios, sotaques e histórias. “Quando a juventude vê os seus sotaques, os seus territórios e as suas histórias sendo contadas, isso é muito mais do que investir no cinema. A gente está investindo no país e na sociedade como um todo.”

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A primeira-dama Janja Lula da Silva enfatizou a importância da visibilidade para o cinema brasileiro e chamou atenção para a presença das mulheres na criação audiovisual. Ao lembrar produções exibidas no Cine Alvorada dirigidas por mulheres, Janja reforçou a necessidade de ampliar espaços de reconhecimento para diretoras, roteiristas e produtoras. “A gente precisa realmente continuar olhando para a presença das mulheres nesses espaços que consideramos de decisão e poder. O cinema brasileiro tem histórias extraordinárias sendo contadas por mulheres e isso precisa ganhar cada vez mais visibilidade.”

Para o secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares, a plataforma representa um marco histórico para as políticas públicas de acesso ao audiovisual e dialoga diretamente com a estratégia de fortalecimento da economia criativa e da Nova Indústria Brasil. “Esse é um serviço universal que o Ministério da Cultura está oferecendo. É uma forma de celebrar a potência do audiovisual brasileiro como indústria, mas também a potência simbólica que existe nesse conjunto de filmes e histórias.”

Márcio reiterou ainda que a plataforma nasce já entre os maiores serviços gratuitos disponíveis no país. “Esse é um serviço que iniciou grande entre os streamings disponíveis no Brasil e vai se consolidar como um serviço de alta qualidade, com muita produção, um catálogo vasto e diverso.”

Audiovisual, soberania narrativa e acesso

Visivelmente emocionada durante a cerimônia, a secretária do Audiovisual do MinC, Joelma Gonzaga, definiu a Tela Brasil como uma política pública voltada à democratização do acesso ao audiovisual brasileiro. “Tela Brasil é sobre democracia, é sobre o Brasil e, sobretudo, sobre soberania narrativa.”

Segundo a secretária, o audiovisual ocupa um papel estratégico na construção da memória, da identidade e do futuro do país, além de movimentar emprego, renda e oportunidades em todo o território nacional. “É por meio do cinema, das séries, da animação, dos games e das linguagens digitais que nós podemos contar nossas histórias, projetar nossa diversidade e fortalecer nossa presença no mundo”, disse.

Parceria com a EBC

A ampliação da plataforma por meio do acordo firmado com a EBC também contará com a incorporação gradual da programação da TV Brasil ao catálogo da plataforma. Segundo o secretário-executivo, o foco é duplicar o catálogo. “Vamos chegar muito próximo de mil obras, valorizando tanto a produção contemporânea quanto a memória audiovisual brasileira”.

Para a presidente da EBC, Antonia Pellegrino, a parceria representa um marco para a comunicação pública brasileira ao reunir, em um mesmo ambiente digital, conteúdos audiovisuais produzidos por diferentes instituições públicas. “Até o final do ano, toda a programação da TV Brasil e a memória da comunicação pública estarão integradas à Tela Brasil. São mais de 3 mil horas de conteúdo e mais de 150 obras que ampliam o acesso da população à diversidade da produção audiovisual brasileira”.

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Antonia evidenciou ainda que a iniciativa fortalece a articulação entre comunicação pública e política cultural. “A EBC encontra um pouco da sua própria vocação quando caminha ao lado do Ministério da Cultura. Essa união amplia o alcance dos conteúdos públicos e fortalece o direito da população ao acesso à cultura, à informação e à memória audiovisual do país”.

Espaço para novos realizadores

Entre os convidados do lançamento, o ator e influenciador Átila Bee destacou a importância da presença dos curtas-metragens na plataforma. “Quando comecei a acompanhar a divulgação da Tela Brasil, uma das primeiras coisas que me chamou atenção foi ver os curtas-metragens no catálogo.”

Natural de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, o artista lembrou que sua trajetória profissional foi construída a partir da produção audiovisual independente. “A maioria de nós começou fazendo curta-metragem. Eu sou fruto do movimento audiovisual da Baixada Fluminense. Se hoje estou em produções maiores, é porque fui formado artisticamente por esse circuito independente.”

Tecnologia pública a serviço da cultura

Desenvolvida pelo Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais da Universidade Federal de Alagoas (NEES/UFAL), a Tela Brasil representa uma experiência inédita de tecnologia pública aplicada à cultura, reunindo pesquisadores, desenvolvedores e estudantes de instituições públicas de ensino superior. A professora da UFAL Luciana Peixoto Santa Rita reforçou a universidade pública como pilar fundamental na construção da plataforma. “Estamos falando de uma tecnologia pública, desenvolvida dentro da universidade brasileira, com soberania tecnológica e compromisso social.”

Segundo ela, a plataforma demonstra a capacidade das universidades de desenvolver soluções inovadoras para políticas públicas. “A Tela Brasil mostra que a universidade pública é capaz de entregar soluções inovadoras, acessíveis e conectadas às necessidades da população.”

Com acesso gratuito por meio do login Gov.br, a plataforma estreia inicialmente na versão web, com aplicativos para Android e iOS previstos para os próximos 30 dias. O catálogo inicial reúne 555 obras produzidas entre 1910 e 2025, incluindo filmes premiados, documentários históricos, produções infantis, obras musicais, animações e títulos reconhecidos em festivais nacionais e internacionais.

Confira a plataforma aqui

30.05.2026 Cerimônia de lançamento da plataforma

Fonte: Ministério da Cultura

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Impacto econômico da Lei Rouanet e qualificação profissional na cultura encerram ciclo de painéis do MinC no Rio2C

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O Ministério da Cultura (MinC) encerrou, neste sábado (30), a programação do ciclo MinC Conecta na feira de criatividade Rio2C com debates dedicados às políticas de incentivo à cultura no Brasil e à expansão da qualificação profissional no setor cultural. Os painéis abordaram o estudo de impacto econômico da Lei Rouanet e as metas de atendimento técnico da Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa (Escult).

No painel “O efeito Lei Rouanet: o novo desenho do fomento cultural no Brasil”, ministrado pelo secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Thiago Rocha, e a consultora da Fundação Getúlio Vargas, Marília Tapájoz, analisaram o perfil do investimento captado e exibiram dados estatísticos extraídos de uma pesquisa realizada pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O estudo utilizou como base o banco de dados abertos do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic) referente ao ano de 2024.

“A Lei Rouanet possui um imaginário social complexo, muitas vezes alvo de desinformação, o que exige uma atuação governamental pautada em dados concretos. Diante desse cenário de questionamentos, o Ministério da Cultura encomendou um estudo integral à Fundação Getúlio Vargas para avaliar a efetividade da política pública com base em evidências estatísticas e monitorar se a entrega social supera o gasto da renúncia fiscal”, explicou Thiago Rocha. 

O secretário também destacou que o diagnóstico institucional cumpre a função de subsidiar a formulação de políticas públicas com base em evidências comprovadas do retorno econômico da política.

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A consultora da FGV Projetos, Marília Tapajóz, ressaltou as bases metodológicas do levantamento e apontou a relevância de computar os impactos indiretos da atividade cultural, como o consumo local, a mobilidade urbana e o fortalecimento de prestadores de serviços periféricos. “O principal desafio reside no convencimento de setores da sociedade que não compreendem a relevância da cultura além da dimensão subjetiva. Quando apresentamos números robustos de retorno financeiro e comparamos o setor criativo a indústrias tradicionais, como a automobilística, o valor estratégico da cultura para o desenvolvimento do país ganha materialidade. Coletamos os dados abertos do próprio ministério e aplicamos inteligência analítica para mensurar o deslocamento do público e os efeitos econômicos indiretos gerados na cadeia produtiva brasileira”, declarou Marília.

Metodologia de ensino da Escult

O dia de encerramento também contou com a oficina “Escult: caminhos para a profissionalização criativa”, voltada à apresentação da estrutura pedagógica da escola, que compõe as ações do programa Brasil Criativo. O projeto atua na intersecção entre a capacitação técnica e o aproveitamento das vocações econômicas locais das diferentes regiões do país.

O coordenador-geral de Formação e Qualificação para o Mundo do Trabalho em Cultura e Economia Criativa do MinC, Rafael Fontes, detalhou o funcionamento da plataforma e a transição para um modelo permanente de formação continuada de iniciativa pública, voltado para profissionais autônomos e trabalhadores da sociedade civil. “A Escult não se caracteriza como uma escola voltada à formação interna de quadros governamentais, mas sim como uma instituição pública aberta a toda a sociedade brasileira, concebida para capacitar os trabalhadores e trabalhadoras que movimentam o mercado cultural. O coração dessa estratégia articula a qualificação técnica de ponta à valorização dos saberes tradicionais e das vocações produtivas locais de cada território”, afirmou.

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Atualmente, o catálogo institucional da Escult oferece 29 cursos gratuitos e tem como meta atingir 45 opções de formação até o término do ano de 2026. Entre as próximas qualificações planejadas, se encontra um módulo voltado à gestão de carreiras artísticas.

Rafal também destacou que o modelo de funcionamento adota ciclos semestrais de reofertas. As inscrições e o início das aulas ocorrem de forma imediata dentro de um prazo de 90 dias. Após o encerramento das novas matrículas, a plataforma reserva um período de 30 dias exclusivo para que os alunos ativos concluam os módulos e os institutos parceiros realizem a tabulação dos dados pedagógicos.

Os cursos são desenvolvidos em cooperação com universidades públicas e institutos federais, responsáveis pela coordenação acadêmica e pela emissão dos certificados profissionais. Na região Sudeste, o Ministério da Cultura atualmente está desenvolvendo uma parceria com o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) para o planejamento e a execução das diretrizes curriculares e futuras especializações.

Fonte: Ministério da Cultura

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