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Ministério da Cultura participa de encontro internacional em Cabo Verde para fortalecer cooperação cultural com a África
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O Ministério da Cultura (MinC) participa, em Cabo Verde, do Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica, realizado entre os dias 28 e 30 de maio, na Universidade de Cabo Verde, na cidade da Praia. Promovido pela Presidência da República de Cabo Verde, o encontro reúne representantes de governos, organismos internacionais, pesquisadores, artistas e especialistas de diferentes países para debater as dinâmicas históricas, culturais e linguísticas que conectam África, Américas, Caribe e Europa no espaço atlântico.
Com o tema Edificar pontes, construir um futuro melhor, a programação propõe uma reflexão sobre os aspectos que compõem a chamada “crioulidade atlântica”, conceito proposto por Cabo Verde, a partir das experiências históricas da diáspora africana, da diversidade cultural, das línguas crioulas, da memória transatlântica e da diplomacia cultural.
A participação brasileira ocorre a convite do governo de Cabo Verde, com o apoio da Embaixada do Brasil em Praia, e integra a política de fortalecimento das relações culturais entre o Brasil e os países africanos, uma das prioridades da atuação internacional do Ministério da Cultura.
Para o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais (AEAI) do MinC, Bruno Melo, a presença brasileira no encontro reforça a estratégia de reaproximação do país com o continente africano. “Estamos aqui em Cabo Verde para o evento Crioulidade Atlântica, a convite do governo de Cabo Verde, pouco mais de um mês após a visita oficial da nossa Ministra ao país. Essa presença brasileira aqui, a presença especialmente do Ministério da Cultura, é um reforço à nossa política de reaproximação com os países de África e valorização da cultura afro-brasileira”, afirmou.
Segundo Bruno, os debates ampliam o diálogo sobre as contribuições das culturas de matriz africana na formação das sociedades da diáspora.
“Estamos discutindo toda a questão da influência das culturas de matriz africana dentro das culturas da diáspora nas Américas e a importância da diversidade linguística, da pluralidade de pensamentos também”, destacou.
Ele também ressaltou que o encontro contribui para uma agenda internacional de valorização da diversidade e enfrentamento ao racismo e à xenofobia.
“É uma contribuição importante para o debate, para o diálogo e para o aprofundamento também da construção da paz e do combate ao racismo, em todo o mundo”, completou.
Brasil no debate sobre diáspora e crioulidade
A programação do encontro inclui painéis sobre temas como Crioulidade e suas especificidades, Genealogia, História, Resistência e Modernidade, As Dinâmicas Históricas da Diasporização Atlântica, Memórias Transatlânticas e Patrimônio Vivo, Governança, Cooperação e Diplomacia Crioula e Crioulidade, Inovação e Indústrias Criativas.
Representando o Brasil, o professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e ex-presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, integrou a mesa As Dinâmicas Históricas da Diasporização Atlântica, ao lado de especialistas dos Estados Unidos e de Cabo Verde.
“Estou aqui em Cabo Verde participando do encontro Crioulidade do Atlântico, promovido pelo governo de Cabo Verde e que trata da língua crioula e da possibilidade dessa expansão no que ele chama de crioulidade”, disse Zulu.
Em sua fala, o professor abordou as relações entre a diáspora africana, os processos de formação cultural nas Américas e o papel das políticas públicas de cultura voltadas à população afrodescendente. Para ele, compreender a diáspora exige reconhecer a centralidade da África e a diversidade das manifestações culturais negras nos diferentes territórios atravessados pela experiência atlântica.
Zulu também destacou a importância da Fundação Cultural Palmares na construção desse diálogo. Muito do que eu falei aqui hoje, muito do que eu pude compartilhar com a plateia, tinha a ver com o trabalho da Fundação Cultural Palmares, o que revela a importância dessa instituição não apenas para a comunidade negra brasileira, mas para o diálogo do Brasil com o continente africano”, pontuou.

- Foto: Guilherme Bruno/ Fu dação Cultural Palmares
Fundação Cultural Palmares como ponte entre Brasil, África e diáspora
A missão brasileira em Cabo Verde conta ainda com a presença da Fundação Cultural Palmares, instituição vinculada ao Ministério da Cultura e responsável pela promoção, preservação e difusão da cultura afro-brasileira.
“A Fundação Cultural Palmares é primordial, porque é ela a responsável pela preservação, pela difusão e pela valorização das manifestações negras no Brasil”, afirmou Zulu Araújo.
Também presente no encontro, Guilherme Bruno, coordenador-Geral do Centro de Informação e Acervo da Memória e da Cultura Afro-brasileira (CIAM), departamento da Fundação Cultural Palmares (FCP), responsável pelas políticas de disseminação de informações culturais e pelo fomento a estudos e pesquisas da cultura afro-brasileira, enfatizou que a atuação da instituição ultrapassa as fronteiras brasileiras e se conecta diretamente à cooperação internacional com países africanos e da diáspora.
“A Fundação Palmares tem a missão de promover a cultura afro-brasileira através da valorização do patrimônio histórico, mas não só no Brasil. A Palmares tem a missão de fazer isso ao redor do mundo e está aqui hoje em Cabo Verde, prestigiando o Encontro da Crioulidade Atlântica, procurando enriquecer o diálogo, e diante de tudo o que está sendo discutido aqui, fica muito evidente que é importante que a Palmares se coloque nesses cenários de discussão internacional e se faça presente na disseminação, valorização e fomento da cultura afro-brasileira ao redor do mundo”.
A presença da Fundação no encontro reforça o papel da instituição como elo entre o Brasil, a África e a diáspora, contribuindo para políticas de memória, valorização das matrizes africanas, intercâmbio cultural e construção de parcerias internacionais.
Reaproximação com o continente africano
Desde 2023, o Ministério da Cultura tem ampliado iniciativas de cooperação com países africanos, com foco em memória, patrimônio, audiovisual, economia criativa, intercâmbio artístico e fortalecimento de redes institucionais.
Entre as ações recentes estão a participação brasileira no Mercado de Artes do Espetáculo de Abidjan (MASA), na Costa do Marfim; a assinatura de acordos de cooperação cultural com Angola; a implementação da cooperação cultural com o Benin; a aproximação com a Nigéria no campo do audiovisual; e a retomada do Programa CPLP Audiovisual, com participação de países africanos de língua portuguesa, como Angola, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
A agenda em Cabo Verde também dialoga com a participação brasileira em fóruns internacionais dedicados às relações entre África e diáspora, fortalecendo a cultura como instrumento de cooperação, justiça histórica, desenvolvimento e aproximação entre os povos.
Para o Ministério da Cultura, retomar e aprofundar a cooperação cultural com a África é reconhecer que Brasil e continente africano compartilham histórias, matrizes civilizatórias e possibilidades concretas de construção conjunta.
Como sintetiza o discurso institucional da pasta, fortalecer os laços com a África é, também, fortalecer o Brasil.
Fonte: Ministério da Cultura
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Operação humanitária do Governo do Brasil acolhe 36 brasileiros repatriados dos EUA
O Governo do Brasil realizou, nessa sexta-feira (29), mais uma operação de acolhimento a brasileiros repatriados dos Estados Unidos. Ao todo, 36 pessoas desembarcaram por volta das 19h30 no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG).
A operação de deportação é conduzida pelo governo dos Estados Unidos. No Brasil, a ação de recepção e acolhida é coordenada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em parceria com diversos órgãos federais, no âmbito do programa Aqui é Brasil, iniciativa lançada para assegurar um atendimento digno, humanizado e com garantia de direitos às pessoas que retornam ao país em situação de repatriação ou deportação.
Após a recepção inicial, parte do grupo foi encaminhada a um hotel com estrutura preparada para o atendimento emergencial. No local, os repatriados receberam alimentação, kits de higiene, apoio psicossocial, acompanhamento médico e psicológico, além de orientações e suporte logístico para o deslocamento até suas cidades de origem.
A coordenadora da Organização Internacional para as Migrações (OIM) na operação Aqui é Brasil e porta-voz da ação, Marina Medeiros, enfatizou que o voo estava planejado para chegar na quarta-feira (27), mas foi adiado em decorrência de problemas técnicos. Apesar do atraso, os retornados demonstraram satisfação pela recepção e acolhida no país.
“Foi um voo reduzido, e todas as pessoas ficaram aliviadas por chegarem. Um dos jovens, inclusivo, nos falou que faz aniversário no domingo (31) e está feliz porque vai poder comemorar a data com sua família”, contou.
Medeiros ainda explicou sobre os fluxos da recepção e destacou uma particularidade deste voo: “Todos os beneficiários sempre têm a possibilidade de receber janta, mas muitos acabam indo embora por conta própria do aeroporto mesmo. Especificamente nesta operação, todos vieram fazer essa refeição conosco no hotel e foram recebidos pela nossa equipe interdisciplinar.”
Perfil
O grupo de 36 brasileiros é composto por 33 homens e 3 mulheres. Entre eles, foram identificados cinco integrantes de dois núcleos familiares, incluindo duas crianças, sendo uma ainda de colo. Não houve pessoas idosas nem procuradas pela justiça neste voo.
Aqui é Brasil
O Aqui é Brasil é um programa de acolhimento humanitário coordenado pelo MDHC, em parceria com os ministérios das Relações Exteriores (MRE), do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), da Saúde (MS) e da Justiça e Segurança Pública (MJSP), além de governos estaduais, Polícia Federal (PF), Defensoria Pública da União (DPU), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e organismos internacionais, como a OIM.
Para mais informações, acesse: Aqui é Brasil.
A iniciativa tem como foco garantir assistência emergencial e acompanhamento continuado, assegurando acesso a serviços essenciais e a proteção da dignidade e dos direitos humanos de todos os brasileiros atendidos.
Como parte do compromisso com a transparência e o aprimoramento das políticas públicas, o MDHC e a OIM lançaram um painel informativo que amplia o acesso da sociedade a informações atualizadas sobre as operações, fortalecendo o controle social e a formulação de políticas baseadas em evidências.
Também está em funcionamento o Centro de Referência em Direitos Humanos para Pessoas Repatriadas e Migrantes (CREDH-RM), instalado no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG). O espaço oferece atendimento interdisciplinar em direitos humanos, realizado por equipe técnica especializada, com foco na qualificação da escuta, na identificação adequada das demandas e na promoção da cidadania.
Operações anteriores
Desde sua criação, no ano passado, o programa Aqui é Brasil já contabiliza 55 operações realizadas, possibilitando o retorno de mais de 4,3 mil brasileiros em situação de vulnerabilidade, majoritariamente oriundos dos Estados Unidos.
Em 2026, as ações seguem em ritmo contínuo, com operações registradas nos dias 7, 14 e 30 de janeiro; 5, 11, 16 e 28 de fevereiro; 6, 11, 18 e 26 de março; 2, 8, 15 e 29 de abril; e 6, 13, 20 e 29 de maio, reforçando o compromisso permanente do Estado brasileiro com a recepção humanizada e a proteção de seus cidadãos no processo de retorno ao país.
Leia também:
Texto: F.T.
Edição: R.F.
Atendimento exclusivo à imprensa:
Assessoria de Comunicação Social do MDHC
(61) 2027-3538
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