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EM VELÓRIO

Ex-servidora acusa defensor público de tentar beijá-la à força

Rogério Borges Freitas é investigado pela Delegacia da Mulher de Mato Grosso após segunda servidora relatar tentativa de beijo à força

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JURÍDICO

O defensor público está afastado do cargo desde 13 de maio por um período de 60 dias

O defensor público Rogério Borges Freitas, afastado cautelarmente do cargo de 1º Subdefensor Público-Geral da Defensoria Pública de Mato Grosso, voltou a ser alvo de novas acusações de assédio moral e sexual. Documentos obtidos pela coluna revelam que uma segunda mulher denunciou o defensor em junho deste ano, relatando investidas físicas e verbais ocorridas quando trabalhava na instituição.

Em depoimento prestado em 1º de junho deste ano, a ex-servidora da Defensoria afirmou que Rogério se aproveitou de um momento de vulnerabilidade emocional pelo qual ela passava para se aproximar.

Segundo o relato, após um velório ocorrido em 2023, o defensor teria permanecido por cerca de uma hora circulando de carro com ela antes de estacionar em um local escuro e isolado. Nesse momento, de acordo com a denúncia, Rogério segurou sua mão, puxou-a em sua direção e tentou beijá-la à força.

A mulher afirmou ter conseguido evitar o beijo.

Ainda conforme o depoimento, o defensor fazia comentários frequentes sobre sua aparência física, dizendo frases como “sua boca é linda” e “você está muito cheirosa”, além de manter contatos físicos considerados invasivos, como segurar ou acariciar suas mãos sem consentimento.

Ela também relatou que Rogério costumava lembrar que ela permanecia no cargo graças à sua influência dentro da instituição.

Após resistir às investidas, segundo a ex-servidora, suas atribuições teriam sido gradualmente esvaziadas. Ela afirmou que passou períodos sem receber demandas de trabalho e que faltas indevidas teriam sido lançadas em seus registros funcionais. A exoneração ocorreu em fevereiro de 2024.

No depoimento, a mulher declarou acreditar que sua saída da Defensoria foi uma forma de retaliação por não corresponder aos interesses do então gestor.

Ela também conta que Rogério utiliza, frequentemente, referências religiosas e discursos relacionados à fé cristã para transmitir uma imagem de integridade e confiança.

Outro caso

A nova denúncia se junta a um inquérito policial instaurado em maio para apurar acusações de importunação sexual e constrangimento ilegal contra Rogério, ocorridos ao longo de quase 10 anos. A investigação começou após a denúncia de uma também servidora ser registrada na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá (MT), em maio deste ano.

A investigação, divulgada anteriormente pela coluna, apura possíveis crimes de importunação sexual e constrangimento ilegal supostamente praticados por Rogério.

Conforme os documentos obtidos pela reportagem, a vítima relata que os episódios começaram em janeiro de 2017, quando o defensor teria oferecido carona e se lançado sobre ela dentro de um veículo sob o pretexto de auxiliá-la com o cinto de segurança.

Em outro episódio, ocorrido em janeiro de 2018, Rogério teria chamado a servidora para acompanhá-lo em uma atividade dentro de seu gabinete e passou a ler trechos da Bíblia para ela e outro colega.

Já em julho de 2019, segundo a denúncia, o defensor teria elevado o tom de voz e humilhado a servidora ao exigir que realizasse tarefas para as quais ela não possuía capacitação técnica adequada.

A coluna teve acesso à gravação de uma reunião realizada em março deste ano, após conflitos internos em um setor da Defensoria, envolvendo a vítima.

Durante o encontro, Rogério afirma que a servidora possuía um “espírito faccioso” e comportamento de “rebeldia”.

“Você é uma pessoa maravilhosa, extraordinária, mas tem uma língua grande. Não aquieta a língua. Ninguém quer saber da sua vida. Senta, faz teu serviço e não comenta nada com ninguém”, disse o defensor em um dos trechos.

Na sequência, ele orienta que a servidora aceite as determinações da chefia sem resistência.

“Receba a ordem dele. Não tenha uma postura de adversidade, de oposição, de rebeldia. Procura manter a submissão ali. Porque ali nós acolhemos você e abrimos as portas do setor. Eu tenho respeito e carinho por você, mas às vezes alguns comportamentos precisam ser ajustados”, falou.

Ao responder, a servidora relata o sofrimento psicológico decorrente do ambiente de trabalho e afirma que passou a fazer acompanhamento psiquiátrico e psicológico.

“Eu estou sobre medicação, tratamento psiquiátrico e psicológico. O que a gente vê é que tudo é abafado. Eu só estou aqui porque eu preciso. Senão, eu já pensei até de pular lá de cima com as coisas que ele falou”, afirmou.

Ao longo do encontro, Rogério lê trechos do capítulo 12 do Evangelho de Mateus e afirma que “a boca fala do que o coração está cheio”. Em seguida, menciona que as pessoas responderão por suas palavras “no dia do juízo”.

Depois, pergunta repetidamente se a servidora conseguiria perdoar o superior apontado por ela como responsável pelos problemas. “A senhora vai perdoá-lo e ele vai pedir perdão para a senhora.”

Afastamento cautelar

Em meio às denúncias, a Defensoria Pública-Geral publicou, em 13 de maio, uma portaria determinando o afastamento cautelar de Rogério de suas atribuições como 1º Subdefensor Público-Geral. A medida foi fixada com prazo inicial de 60 dias enquanto os fatos estão sendo investigados.

A coluna procurou a Defensoria Pública do estado, que informou que o servidor será exonerado do cargo de chefia.

Em nota, a Polícia Civil confirmou que as investigações dos dois casos estão em trâmite na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá.

“Os fatos estão sendo apurados com celeridade e imparcialidade e mais detalhes não podem ser passados por se tratar de investigação com sigilo.”

 

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JURÍDICO

Paula Calil cobra prevenção após MT registrar 35 feminicídios em 2026

Presidente da Câmara de Cuiabá defendeu ações antes que a violência chegue ao extremo e pediu reforço da rede de proteção às mulheres

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A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), fez um alerta sobre o avanço da violência contra a mulher em Mato Grosso e cobrou o fortalecimento das políticas de prevenção ao feminicídio. O pronunciamento ocorreu durante o pequeno expediente da sessão, após o Estado atingir a marca de 35 feminicídios registrados em 2026.

Durante a fala, Paula citou o assassinato de Gleici Keli Geraldo, de 42 anos, ocorrido em Lucas do Rio Verde. A mulher foi morta dentro de casa e, durante o episódio, a filha do casal, de apenas sete anos, também acabou ferida.

A parlamentar mencionou ainda a divulgação de imagens de câmeras de segurança da residência, apresentadas pela defesa da família para contestar a versão de que o crime teria acontecido durante um suposto surto. Paula ponderou, entretanto, que as circunstâncias do caso ainda deverão ser avaliadas pela Justiça.

“Independentemente do que a Justiça vai concluir sobre cada detalhe daquele processo, existe uma coisa que ninguém pode questionar: uma mulher perdeu a vida e uma criança teve a infância marcada para sempre pela violência”, afirmou.

A vereadora também lembrou um caso ocorrido recentemente em Feliz Natal, onde uma mulher foi assassinada a facadas. Segundo ela, o episódio elevou para 35 o número de feminicídios registrados em Mato Grosso neste ano.

Diante do cenário, Paula questionou a forma como o poder público e a sociedade enfrentam a violência contra as mulheres e defendeu que as ações sejam antecipadas.

“Até quando nós vamos falar sobre feminicídio somente depois que uma mulher é assassinada? Nós precisamos falar antes”, declarou.

Vereadora defende atenção aos primeiros sinais

Para Paula, o combate ao feminicídio precisa começar antes da ocorrência do assassinato, com atenção a comportamentos que podem indicar a escalada da violência. Entre eles, citou ameaças, controle sobre a vítima, agressões e o descumprimento de medidas protetivas.

“Precisamos falar quando começa a ameaça, quando começa o controle, quando começa a agressão, quando uma mulher pede ajuda”, afirmou.

A presidente da Câmara classificou o feminicídio como resultado extremo de um processo de violência que, em muitos casos, se desenvolve ao longo do tempo.

“Feminicídio não começa com a morte. A morte é o último estágio de uma violência que muitas vezes começou muito antes”, disse.

A vereadora também criticou a tentativa de minimizar agressões cometidas dentro de relacionamentos. Segundo ela, comportamentos violentos não devem ser tratados como conflitos comuns entre casais.

“Não é briga de casal. Não é ciúme. Não é amor demais. Não é ‘perdeu a cabeça’. É violência. É crime e precisa ser tratado como tal”, declarou.

Campanha busca envolver homens na prevenção

Paula também destacou a campanha “Homem de Verdade Protege Mulheres”, de sua autoria, como uma das ações voltadas à conscientização e à participação dos homens no enfrentamento da violência contra a mulher.

A iniciativa, segundo a parlamentar, parte da necessidade de envolver toda a sociedade na prevenção. Ela defendeu que os homens tenham uma postura ativa na construção de relacionamentos baseados no respeito e na rejeição a atitudes violentas.

Durante o discurso, Paula ainda deixou uma mensagem às mulheres que vivem situações de violência e reforçou a necessidade de buscar apoio.

“Vocês não estão sozinhas. Procurem ajuda, denunciem, falem com alguém de confiança e procurem a rede de proteção”, afirmou.

A vereadora também cobrou investimentos e fortalecimento das políticas públicas de acolhimento, atendimento e prevenção, para que as vítimas possam receber proteção antes que a situação evolua para um crime fatal.

“Precisamos fazer a nossa parte e, principalmente, fazer com que a mulher seja protegida antes que a gente esteja aqui discutindo mais um feminicídio”, afirmou.

Ao encerrar o pronunciamento, Paula disse que o Legislativo deve manter o enfrentamento à violência contra a mulher entre suas prioridades e cobrar medidas capazes de interromper o ciclo de agressões.

“Nenhuma mulher deveria precisar morrer para que a sociedade perceba que ela precisava de ajuda. Essa Casa precisa continuar falando, cobrando e trabalhando para que a próxima mulher tenha a chance de ser protegida a tempo”, concluiu.

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