Search
Close this search box.

SALÁRIO INTEGRAL

TJ concede aposentadoria a desembargador investigado pelo CNJ

Magistrado estava afastado desde março por decisão da Corregedoria Nacional de Justiça, que apura suspeitas de venda de decisões judiciais

Publicados

JURÍDICO

Mesmo com a aposentadoria, as investigações conduzidas pela Corregedoria Nacional de Justiça continuam em andamento

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) concedeu aposentadoria voluntária ao desembargador Dirceu dos Santos, que estava afastado das funções desde março deste ano por determinação da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ). O ato foi publicado nesta terça-feira (17) e garante ao magistrado proventos integrais e paridade plena, benefícios previstos na legislação para integrantes da magistratura que cumprem os requisitos para aposentadoria.

A aposentadoria foi assinada pela presidente em exercício do TJMT, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, e passa a valer a partir da data de publicação do ato. A decisão foi aprovada em sessão extraordinária do Tribunal Pleno.

Dirceu dos Santos integrava a 3ª Câmara de Direito Privado do TJMT e foi afastado cautelarmente pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, no âmbito de uma investigação que apura suposto recebimento de vantagens indevidas em troca de decisões judiciais.

Segundo a Corregedoria Nacional de Justiça, as investigações apontaram indícios de que o magistrado teria intermediado atos decisórios por meio de terceiros, entre eles empresários e advogados. A apuração também identificou movimentação patrimonial considerada incompatível com os rendimentos declarados pelo desembargador.

Leia Também:  Denúncia aponta pacto de silêncio para proteger mandante

De acordo com informações divulgadas pelo CNJ à época do afastamento, a análise de dados bancários e fiscais apontou movimentação superior a R$ 14,6 milhões em bens nos últimos cinco anos. O órgão também informou que foram identificadas diferenças entre a evolução patrimonial e os rendimentos oficialmente declarados, especialmente entre 2021 e 2023.

Além do afastamento, a Corregedoria determinou diligências no gabinete do magistrado no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, com apoio da Polícia Federal, para coleta de arquivos digitais e espelhamento de equipamentos eletrônicos utilizados pelo desembargador.

Ao justificar a medida cautelar, o CNJ afirmou que o afastamento tinha como objetivo preservar a credibilidade do Poder Judiciário, garantir a continuidade das investigações e manter a confiança da sociedade na magistratura. O órgão ressaltou, contudo, que a medida não representava julgamento antecipado nem reconhecimento de culpa.

Mesmo com a aposentadoria concedida pelo TJMT, as investigações conduzidas pela Corregedoria Nacional de Justiça continuam em andamento.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

JURÍDICO

MP aponta dano milionário e pede suspensão de condomínio

Promotores afirmam que empreendimento da Ginco provocou desmatamento, intervenções em áreas ambientais protegidas

Publicados

em

A estimativa apresentada na ação é de que os danos ambientais e urbanísticos somem R$ 67,9 milhões

Um dos maiores empreendimentos imobiliários em implantação em Cuiabá pode ser barrado na Justiça após o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) apontar uma série de irregularidades ambientais e urbanísticas na área destinada ao condomínio Cidade Jardim, da Ginco. Segundo a ação, os danos provocados pelo projeto já chegam a quase R$ 68 milhões.

A ação civil pública foi ajuizada contra a Cidade Jardim Incorporações, empresa do grupo Ginco, além da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e da Prefeitura de Cuiabá. O Ministério Público pede a suspensão imediata das licenças concedidas ao empreendimento, a paralisação das obras, o bloqueio da comercialização dos lotes e a recuperação das áreas degradadas.

De acordo com os promotores, a implantação do condomínio provocou desmatamento de centenas de hectares de vegetação nativa, incluindo intervenções em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e em áreas de Reserva Legal. O MP também aponta alterações em cursos d’água e risco de comprometimento dos recursos hídricos da região.

A estimativa apresentada na ação é de que os danos ambientais e urbanísticos somem R$ 67,9 milhões.

Leia Também:  Denúncia aponta pacto de silêncio para proteger mandante

Segundo o Ministério Público, embora o projeto tenha sido apresentado oficialmente como um conjunto de sítios de recreio, na prática ele possui características de um grande núcleo urbano. O empreendimento prevê mais de 800 unidades residenciais, áreas comerciais e infraestrutura típica de cidade, mas estaria localizado em área rural e sem cumprir exigências legais aplicáveis a loteamentos urbanos.

A ação sustenta que o condomínio recebeu autorizações ambientais e urbanísticas mesmo apresentando características incompatíveis com a destinação da área e com o planejamento territorial do município.

Outro ponto questionado pelo Ministério Público é a falta de garantia para o abastecimento de água. Conforme a ação, não existe solução efetivamente implantada para atender a futura demanda dos moradores. A viabilidade apresentada dependeria de obras futuras e de licenças que ainda não foram emitidas.

A situação se repete em relação ao esgotamento sanitário. Segundo os promotores, o empreendimento não apresentou uma solução considerada adequada para coleta, tratamento e destinação dos efluentes. Um parecer técnico elaborado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) apontou riscos ambientais na proposta apresentada pela empresa.

Leia Também:  MP aponta dano milionário e pede suspensão de condomínio

Além das questões estruturais, o Ministério Público afirma que os impactos ambientais já podem ser observados na área. Análises técnicas e levantamentos geoespaciais realizados durante a investigação indicaram supressão de vegetação nativa em áreas protegidas e intervenções que alteraram a dinâmica hídrica local.

Para os promotores, a continuidade das obras e da comercialização dos lotes pode ampliar os danos ambientais e tornar ainda mais difícil uma eventual recuperação da área.

No processo, o Ministério Público também pede que a Justiça declare a ilegalidade do empreendimento, anule as licenças expedidas pela Sema e pela Prefeitura de Cuiabá e determine a recuperação integral das áreas degradadas. Caso os pedidos sejam acolhidos, os envolvidos poderão ser condenados ao pagamento de indenização milionária pelos prejuízos ambientais e urbanísticos apontados na ação.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍCIA

BRASIL E MUNDO

AGRO E ECONOMIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA