CERCEAMENTO DE DEFESA
TJ anula pena após interrogatório desaparecer dos autos
Gravação do interrogatório desapareceu dos autos, impedindo a revisão integral do processo pela defesa da esposa de faccionado
POLÍCIA
A Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a condenação de 10 anos e 8 meses de reclusão imposta a Cristiane Patrícia Rosa Prins, no âmbito da Operação Red Money. Cristiane é esposa de Paulo Witer Farias Paelo, o W.T.
A decisão foi tomada após a defesa da ré, conduzida pelo advogado João Octavio Ostrovski, apontar uma falha processual grave: a indisponibilidade da gravação audiovisual do interrogatório de Cristiane nos autos digitais.
“Se o conteúdo do interrogatório da embargante é inacessível nos autos, como poderia o Egrégio Colegiado ter cumprido o efeito devolutivo do recurso de apelação e reexaminado integralmente a matéria impugnada? O acórdão não responde, e é exatamente essa omissão que o torna obscuro”, argumentou a defesa.
Os advogados também alegaram que houve cerceamento de defesa, afirmando que a irregularidade somente foi identificada após a digitalização do processo e durante a tramitação da apelação, quando se constatou a impossibilidade de acessar o registro do interrogatório da acusada. As mídias audivisuais são consideradas elementos essenciais para o exercício da ampla defesa.
Ao acolher os argumentos, o relator, desembargador José Zuquim Nogueira, destacou que o desaparecimento das mídias audiovisuais gerou um prejuízo processual “concreto e insuperável” para a ré.
Conforme o voto, o Código de Processo Penal determina que depoimentos e interrogatórios sejam registrados por gravação eletrônica ou audiovisual, justamente para garantir maior fidelidade na produção da prova e possibilitar sua revisão pelas partes e pelos tribunais.
Para o colegiado, a gravação do interrogatório constitui uma garantia indispensável ao exercício da ampla defesa. “A ausência do registro eletrônico do interrogatório da ré, sem que o ato tenha sido integralmente reduzido a termo, equivale à falta de defesa, acarretando nulidade absoluta do julgamento”, concluiu o relator.
OPERAÇÃO RED MONEY
A Operação Red Money deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso em agosto de 2018, com o objetivo principal de descapitalizar e desarticular o sistema financeiro da facção criminosa Comando Vermelho em Mato Grosso. A investigação revelou que a facção possuía uma estrutura financeira altamente organizada, funcionando de forma semelhante a um sistema bancário próprio.
O grupo criminoso movimentou mais de R$ 52 milhões em contas bancárias por meio de atividades ilícitas. O dinheiro era arrecadado principalmente por meio do tráfico de drogas, de extorsões contra comerciantes e da cobrança de taxas mensais (“mensalidades”) de seus próprios integrantes.
POLÍCIA
Jovem é mantida sem celular e impedida de falar com a família
Vítima de 20 anos relatou agressões frequentes e restrição de liberdade; companheiro foi localizado e detido
Uma jovem de 20 anos foi encontrada em situação de isolamento após ser mantida sem celular e impedida de entrar em contato com familiares pelo próprio companheiro, em Várzea Grande. Segundo o boletim de ocorrência, ela também era agredida com frequência e vivia sob constante controle dentro da residência.
O caso foi descoberto na madrugada de domingo (2), após vizinhos denunciarem um novo episódio de violência doméstica. A vítima contou que havia sido agredida com um cabo de vassoura e atingida no rosto. Ela sofreu uma lesão na mão ao tentar se proteger dos golpes.
Ainda conforme o relato, o companheiro, de 21 anos, levou a jovem do Acre para Mato Grosso e, desde então, passou a impedir que ela mantivesse contato com a família. A vítima afirmou que não possuía aparelho celular porque o suspeito não permitia o acesso.
Vizinhos disseram aos policiais que as agressões eram recorrentes e que a jovem vivia sob restrição de liberdade. Por medo de represálias, eles preferiram não se identificar, mas indicaram aos militares a residência onde ocorria a violência.
O suspeito já havia fugido quando a equipe chegou ao imóvel. Após buscas nas proximidades, ele foi localizado na casa de familiares, onde, segundo o registro policial, estava sendo escondido. O jovem foi detido e encaminhado para as providências cabíveis.
A ocorrência foi registrada por sequestro e cárcere privado, ameaça e lesão corporal. O boletim também incluiu violência política contra a mulher, mas não descreve qualquer fato relacionado ao exercício de direitos políticos pela vítima. A eventual adequação das acusações deverá ser analisada durante a investigação.
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