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CERCEAMENTO DE DEFESA

TJ anula pena após interrogatório desaparecer dos autos

Gravação do interrogatório desapareceu dos autos, impedindo a revisão integral do processo pela defesa da esposa de faccionado

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POLÍCIA

A Operação Red Money deflagrada pela ⁠Polícia Civil de Mato Grosso em agosto de 2018

A Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a condenação de 10 anos e 8 meses de reclusão imposta a Cristiane Patrícia Rosa Prins, no âmbito da Operação Red Money. Cristiane é esposa de Paulo Witer Farias Paelo, o W.T.

A decisão foi tomada após a defesa da ré, conduzida pelo advogado João Octavio Ostrovski, apontar uma falha processual grave: a indisponibilidade da gravação audiovisual do interrogatório de Cristiane nos autos digitais.

“Se o conteúdo do interrogatório da embargante é inacessível nos autos, como poderia o Egrégio Colegiado ter cumprido o efeito devolutivo do recurso de apelação e reexaminado integralmente a matéria impugnada? O acórdão não responde, e é exatamente essa omissão que o torna obscuro”, argumentou a defesa.

Os advogados também alegaram que houve cerceamento de defesa, afirmando que a irregularidade somente foi identificada após a digitalização do processo e durante a tramitação da apelação, quando se constatou a impossibilidade de acessar o registro do interrogatório da acusada. As mídias audivisuais são consideradas elementos essenciais para o exercício da ampla defesa.

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Ao acolher os argumentos, o relator, desembargador José Zuquim Nogueira, destacou que o desaparecimento das mídias audiovisuais gerou um prejuízo processual “concreto e insuperável” para a ré.

Conforme o voto, o Código de Processo Penal determina que depoimentos e interrogatórios sejam registrados por gravação eletrônica ou audiovisual, justamente para garantir maior fidelidade na produção da prova e possibilitar sua revisão pelas partes e pelos tribunais.

Para o colegiado, a gravação do interrogatório constitui uma garantia indispensável ao exercício da ampla defesa. “A ausência do registro eletrônico do interrogatório da ré, sem que o ato tenha sido integralmente reduzido a termo, equivale à falta de defesa, acarretando nulidade absoluta do julgamento”, concluiu o relator.

OPERAÇÃO RED MONEY

A Operação Red Money deflagrada pela ⁠Polícia Civil de Mato Grosso em agosto de 2018, com o objetivo principal de descapitalizar e desarticular o sistema financeiro da facção criminosa Comando Vermelho em Mato Grosso. A investigação revelou que a facção possuía uma estrutura financeira altamente organizada, funcionando de forma semelhante a um sistema bancário próprio.

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O grupo criminoso movimentou mais de R$ 52 milhões em contas bancárias por meio de atividades ilícitas. O dinheiro era arrecadado principalmente por meio do tráfico de drogas, de extorsões contra comerciantes e da cobrança de taxas mensais (“mensalidades”) de seus próprios integrantes.

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POLÍCIA

Jovem é mantida sem celular e impedida de falar com a família

Vítima de 20 anos relatou agressões frequentes e restrição de liberdade; companheiro foi localizado e detido

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O caso foi descoberto na madrugada de domingo (2), após vizinhos denunciarem um novo episódio de violência doméstica

Uma jovem de 20 anos foi encontrada em situação de isolamento após ser mantida sem celular e impedida de entrar em contato com familiares pelo próprio companheiro, em Várzea Grande. Segundo o boletim de ocorrência, ela também era agredida com frequência e vivia sob constante controle dentro da residência.

O caso foi descoberto na madrugada de domingo (2), após vizinhos denunciarem um novo episódio de violência doméstica. A vítima contou que havia sido agredida com um cabo de vassoura e atingida no rosto. Ela sofreu uma lesão na mão ao tentar se proteger dos golpes.

Ainda conforme o relato, o companheiro, de 21 anos, levou a jovem do Acre para Mato Grosso e, desde então, passou a impedir que ela mantivesse contato com a família. A vítima afirmou que não possuía aparelho celular porque o suspeito não permitia o acesso.

Vizinhos disseram aos policiais que as agressões eram recorrentes e que a jovem vivia sob restrição de liberdade. Por medo de represálias, eles preferiram não se identificar, mas indicaram aos militares a residência onde ocorria a violência.

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O suspeito já havia fugido quando a equipe chegou ao imóvel. Após buscas nas proximidades, ele foi localizado na casa de familiares, onde, segundo o registro policial, estava sendo escondido. O jovem foi detido e encaminhado para as providências cabíveis.

A ocorrência foi registrada por sequestro e cárcere privado, ameaça e lesão corporal. O boletim também incluiu violência política contra a mulher, mas não descreve qualquer fato relacionado ao exercício de direitos políticos pela vítima. A eventual adequação das acusações deverá ser analisada durante a investigação.

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