OFENSIVA AO SENADO
Com Medeiros, PL quer ampliar bancada de 16 para 28 cadeiras
Partido aposta no crescimento da representação na Casa para fortalecer pautas prioritárias, mas ainda dependerá do apoio de outras legendas
POLÍTICA
O Partido Liberal (PL) pretende ampliar sua bancada no Senado dos atuais 16 para 28 parlamentares nas eleições de outubro e aposta em candidaturas em 24 estados, entre elas a do deputado federal José Medeiros em Mato Grosso. A estratégia faz parte do projeto nacional da legenda para aumentar sua influência no Congresso e reunir votos para pautas defendidas pelo campo bolsonarista, como a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Medeiros teve a candidatura ao Senado homologada na convenção estadual do PL, realizada na semana passada, e será o nome da legenda para uma das duas cadeiras que estarão em disputa em Mato Grosso. Na mesma composição, o senador Wellington Fagundes deixa o Senado ao fim do atual mandato para concorrer ao Governo do Estado.
A projeção de crescimento foi apresentada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Atualmente, o partido possui 16 dos 81 senadores, sendo que 11 foram eleitos em 2022 e ainda têm quatro anos de mandato pela frente. Pelos cálculos da direção nacional, a sigla pode conquistar aproximadamente 20 cadeiras nesta eleição e terminar o pleito com a maior bancada da Casa.
“Do jeito que estão as avaliações, e mesmo de outros partidos, nós temos oito senadores hoje que não vão disputar [governo], que têm mais quatro anos de mandato. Então, nós devemos fazer mais 20 senadores”, afirmou Valdemar ao Estadão.
A ofensiva pelo Senado é uma das prioridades do PL para 2026. Antes de ser preso, o ex-presidente Jair Bolsonaro já defendia publicamente a necessidade de eleger um número elevado de senadores para aumentar a influência de seu grupo político sobre decisões que passam pela Casa, inclusive indicações para o Supremo e eventuais processos contra ministros da Corte.
Mesmo que a projeção de Valdemar se confirme e o PL chegue aos 28 senadores, porém, o partido continuará distante dos votos necessários para aprovar sozinho algumas de suas principais bandeiras. A legenda precisará construir maioria com parlamentares de outras siglas, inclusive partidos que não integram formalmente o projeto eleitoral bolsonarista para a Presidência da República.
A diferença está nos quóruns exigidos pelo Senado. Projetos de lei podem ser aprovados por maioria simples dos parlamentares presentes, enquanto uma proposta de emenda à Constituição (PEC) precisa de pelo menos 49 dos 81 votos. Para aprovar o impeachment de um ministro do STF ou de um presidente da República são necessários 54 votos, equivalente a dois terços da Casa.
Isso significa que, mesmo alcançando as 28 cadeiras projetadas, o PL ainda precisaria buscar pelo menos outros 21 senadores para aprovar uma mudança constitucional e mais 26 votos para chegar ao número necessário em um eventual processo de impeachment de ministro do Supremo.
A estratégia eleitoral, por isso, não se limita às candidaturas próprias. O desempenho de partidos e candidatos de direita e centro-direita também será determinante para definir o tamanho do bloco que poderá se formar no Senado a partir de 2027 e a capacidade do PL de avançar com sua agenda.
O partido pretende lançar candidatos ao Senado em 24 estados. No Amapá, não haverá candidatura própria, enquanto Maranhão e Pernambuco ainda têm cenários indefinidos. Em algumas unidades da Federação, a direção nacional trabalha inclusive com a possibilidade de conquistar as duas cadeiras disponíveis.
É o caso do Distrito Federal, onde Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis são apontadas como candidatas da legenda. Valdemar aposta que a ex-primeira-dama pode liderar a disputa e ajudar a puxar a segunda candidatura do partido. Em Santa Catarina, o PL também trabalha para conquistar as duas vagas, com Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni.
A projeção nacional, no entanto, enfrenta cenários mais difíceis em outros colégios eleitorais. Levantamentos de intenção de voto citados pelo Estadão mostram candidatos do PL atrás dos principais concorrentes em estados como Minas Gerais, Ceará, Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro. Em São Paulo, maior eleitorado do país, a disputa aparece pulverizada, com nomes de outros campos políticos ocupando as primeiras posições nas pesquisas.
Em Mato Grosso, José Medeiros entra justamente nessa conta nacional do partido. O desempenho do candidato no Estado ajudará a definir até onde o PL conseguirá transformar a força eleitoral do bolsonarismo em uma bancada capaz de influenciar votações estratégicas no Senado a partir de 2027.
POLÍTICA
TRE nega pedido para retirar matérias sobre acusações de propina
Coligação tentou remover reportagens sobre declaração de ex-prefeito de Juara, que acusa senador de cobrar 20% para liberar emendas
A Justiça Eleitoral de Mato Grosso negou o pedido da coligação do senador e candidato ao Governo, Wellington Fagundes (PL), para retirar do ar reportagens dos sites MidiaNews e Olhar Direto que reproduziram uma acusação de cobrança de propina feita pelo ex-prefeito de Juara, Priminho Riva.
A decisão é da juíza auxiliar da propaganda eleitoral Glenda Moreira Borges, do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). Para a magistrada, não havia, neste momento, elementos suficientes para concluir que a acusação divulgada pelos veículos fosse objetivamente falsa.
Priminho afirma que Wellington teria condicionado a liberação de emendas para Juara ao pagamento de 20% dos valores. Segundo o ex-prefeito, o dinheiro teria sido destinado a um assessor. A declaração foi apresentada pela coligação como falsa e sem comprovação.
Além da retirada das reportagens, a defesa de Wellington pediu que Priminho fosse impedido de repetir a acusação. O pedido também não foi acolhido em caráter liminar.
Na decisão, Glenda destacou que, embora a denúncia seja grave, a análise sobre sua veracidade exige produção e avaliação mais aprofundada de provas. A juíza também considerou que o fato de Priminho afirmar ter presenciado diretamente o episódio impede, neste momento, que a Justiça conclua pela falsidade objetiva do relato.
A defesa de Wellington apresentou, entre os argumentos, uma certidão do Supremo Tribunal Federal (STF) indicando a inexistência de processo criminal de competência originária contra o senador. Para a magistrada, porém, o documento não é suficiente para comprovar que o episódio narrado pelo ex-prefeito não tenha ocorrido.
“Tal circunstância, por si só, não constitui prova de que o episódio narrado pelo primeiro representado não tenha ocorrido”, registrou Glenda.
Outro ponto analisado foi o intervalo de mais de 20 anos entre o suposto episódio e a acusação pública. Conforme a decisão, o tempo transcorrido pode ser considerado posteriormente na avaliação da credibilidade do relato, mas não permite, por si só, afirmar que a acusação seja falsa.
A magistrada também diferenciou a forma como os dois sites apresentaram as informações. No caso do Olhar Direto, destacou que a reportagem atribuiu expressamente as declarações ao ex-prefeito, utilizando termos como “acusou” e “segundo Riva”.
Já em relação ao MidiaNews, Glenda observou o uso de expressões mais assertivas, como “extorsão”, “propina” e “valores desviados”, mas considerou que o conteúdo estava relacionado à entrevista e às declarações atribuídas a Priminho.
Para a juíza, a retirada integral das reportagens antes da apresentação das defesas seria uma medida excepcional. Ela citou ainda o princípio da intervenção mínima da Justiça Eleitoral no debate público e no ambiente digital, previsto na Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“A gravidade da imputação não se confunde com a demonstração inequívoca de sua falsidade”, afirmou a magistrada.
Com a negativa da liminar, os representados foram citados para apresentar defesa no prazo de dois dias. Na sequência, o processo será encaminhado ao Ministério Público Eleitoral, que terá um dia para emitir parecer. O mérito da representação ainda será analisado pela Justiça Eleitoral.
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