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Articulação federativa e territorialização do fomento são debatidos no Seminário da Aldir Blanc
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O arranjo federativo que estrutura a Política Nacional Aldir Blanc e a distribuição territorial dos recursos da iniciativa e seus efeitos foram tratados nos painéis da tarde desta terça-feira (30) no I Seminário de Avaliação de Resultados da Política Nacional Aldir Blanc, no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.
Com mediação do assessor da Secretaria de Articulação Federativa e Comitês de Cultura (SAFCC) do MinC, Marco Acco, a mesa Articulação Federativa da Política Nacional Aldir Blanc reuniu gestores culturais e especialistas.
De acordo com o secretário-executivo adjunto do MinC, Cassius Rosa, a Aldir Blanc tem o desafio de ser o catalisador da consolidação do Sistema Nacional de Cultura (SNC).
“Nós temos a legislação que consegue estabelecer as regras, fizemos o decreto que regulamenta o sistema, tivemos um marco histórico do sistema nacional e temos também, pela primeira vez, o financiamento de cultura”, sublinhou.
Ainda conforme o dirigente, a política de fomento tem gerado resultados nos estados e municípios.
“Basta a gente ver o número de secretarias municipais de cultura e estaduais que foram criadas, algumas delas que pela primeira vez começaram a ter recurso, e as políticas culturais começaram a ser percebidas como algo estratégico”, destacou.
Por fim, ele enfatizou o papel do evento para a articulação federativa. “Seminários como esse são muito importantes para que a gente consiga se enxergar e entender que as relações federativas são o caminho, a gente pensar juntos a política nacional para que a gente consolide o Sistema Nacional de Cultura e o Ministério da Cultura”, concluiu.
Também participaram do painel a secretária estadual de Cultura do Rio Grande do Norte, Mary Land Brito; o coordenador da Política Nacional Aldir Blanc na secretaria de Cultura do Amapá; Paulo Rocha; a ex-secretária municipal de Cultura de Belo Horizonte (MG), Eliane Parreiras; o secretário municipal de Esporte, Juventude e Cultura de Breu Branco (PA), Edinaldo Bonfim; e o professor da Universidade Estadual do Ceará Alexandre Barbalho.
Experiências dos territórios
Como garantir que o investimento público em cultura alcance quem produz arte em todas as regiões do país? Essa foi a abordagem central do terceiro painel, Territorialização do Fomento na Política Nacional Aldir Blanc.
A coordenadora-geral de Informações e Indicadores Culturais do Ministério da Cultura (MinC), Sofia Mettenheim, apresentou um estudo inédito do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC), que revela o alcance territorial da política. Entre os principais resultados, 58% dos agentes culturais contemplados estão no interior do país, evidenciando a nacionalização dos recursos. Ao mesmo tempo, a pesquisa aponta desafios para ampliar o acesso em comunidades indígenas, quilombolas, periferias urbanas e outros territórios historicamente excluídos.
“Se deixarmos de considerar as diferenças dos territórios, corremos o risco de reproduzir desigualdades”, afirmou Sofia, ao defender o fortalecimento de instrumentos como busca ativa, ações afirmativas e inscrições acessíveis.
A experiência dos estados e municípios reforçou o diagnóstico apresentado pela pesquisa. A ex-secretária de Cultura do Pará, Úrsula Vidal, lembrou que a estratégia de busca ativa realizada durante a implementação da Lei Aldir Blanc mobilizou mais de 200 mediadores e cadastrou cerca de quatro mil trabalhadores da cultura em aproximadamente 700 comunidades distribuídas por 70 municípios paraenses.
“Precisamos demonstrar, com dados, o impacto da cultura para fortalecer essa política pública”, destacou.
De Contagem, Minas Gerais, a subsecretária municipal de Cultura, Aniele Sousa Leão, ressaltou que a aproximação com os territórios foi determinante para ampliar o acesso aos editais. A cidade passou de 14 para 65 Pontos de Cultura durante o primeiro ciclo da Aldir Blanc. “O caminho é caminhar pelos territórios e garantir condições para que as pessoas acessem os editais”, resumiu.
Ao apresentar a experiência de construção participativa do Plano Anual de Aplicação dos Recursos (PAAR) da Aldir, a diretora de Eventos e Projetos Culturais, Andreza Anjos, compartilhou sobre o município de Santa Cruz Cabrália, na Bahia.
No momento de reestruturação da Secretaria de Cultura do município, ela chamou a responsabilidade para si, para que a política chegasse às aldeias indígenas, comunidades tradicionais, assentamentos rurais e nos bairros periféricos.
Vamos aplicar essa política, vamos descentralizar, vamos para os nossos territórios, vamos mostrar que a gente pode fazer cultura e deve fazer cultura fora do nosso gabinete. Vamos aprender com o território, nas comunidades”, afirmou.
Representando o Ponto de Cultura Casa Viva Zona Oeste, Fernanda Rocha apresentou resultados da pesquisa Escutas da Zona Oeste, realizada com 486 trabalhadores da cultura da região. O levantamento revelou que 56% dos grupos culturais existem há mais de dez anos, mas mais de 90% nunca receberam recursos públicos nas três esferas de governo.
Também participando do painel, o professor do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), João Guerreiro, apontou como a política alterou o cenário da Baixada Fluminense. Se entre 2016 e 2020 apenas 16 projetos culturais haviam acessado mecanismos tradicionais de fomento, no primeiro ciclo da Aldir Blanc mais de 1.300 iniciativas foram contempladas, enquanto o número de Pontos de Cultura cresceu de 23 para 116.
Encerrando o debate, a secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura do MinC, Roberta Martins, afirmou que os estudos apresentados demonstram que a política conseguiu alcançar todo o país e reforçam a importância de consolidar a cultura como política de Estado.
“Isso significa que nós conseguimos comprovar que é possível a execução de recursos de maneira federativa a partir de determinadas opções que a sociedade brasileira faz”, afirmou.
E acrescentou: “Nós conseguimos, de verdade, aprofundar o sentido da necessidade da institucionalização governamental do setor cultural”.
O painel foi mediado pela subsecretária de Espaços e Equipamentos Culturais do MinC, Cecília Sá.
Fonte: Ministério da Cultura
BRASIL & MUNDO
Governo do Brasil reforça o programa Terra à Mesa com R$ 413,4 milhões para adaptação climática da agricultura familiar
Durante o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, realizado nesta terça-feira (30), no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), o Governo do Brasil anunciou o Terra à Mesa Garantia-Safra Semiárido, iniciativa que destina R$ 413,4 milhões para fortalecer a adaptação climática da agricultura familiar na região. A ação beneficiará 63,6 mil famílias de dez estados do Semiárido que aderiram ao Programa Garantia-Safra.
“São 413 milhões que vão para a agricultura familiar do semiárido para financiar a adaptação. São R$ 8 mil para cada família, a família vai receber esse recurso, vai poder fazer um projeto de sistema, sistema para produção, adaptação climática, irrigação, energia solar, isso pra vocês poderem produzir mais, garantir esse alimento diverso no semiárido”, destaca a ministra do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli.
Do total de recursos, R$ 319,8 milhões serão investidos por meio de um edital lançado pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), com recursos do Fundo Garantia-Safra, para a seleção de organizações da sociedade civil (OSCs). Os projetos selecionados vão atender 49,6 mil famílias – das quais 3,2 mil de povos e comunidades tradicionais – com ações de estruturação produtiva e adaptação climática orientadas pelos princípios da agroecologia. Os demais recursos serão repassados às entidades estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) para a execução da estratégia.
A iniciativa busca fortalecer a convivência sustentável com o semiárido, ampliar a capacidade produtiva das famílias e contribuir para a segurança alimentar e hídrica e para o aumento da renda das agricultoras e dos agricultores beneficiários do Garantia-Safra, diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Os recursos vão atender famílias dos dez estados que integram o Programa Garantia-Safra: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
“E eu digo para vocês o seguinte: Usem tudo que está disponibilizado. Porque se vocês utilizarem, será mais fácil a gente fazer aparecer mais dinheiro. Portanto, utilizem. Dito isso, eu queria pedir para vocês, quem fiscaliza esse Plano Safra são vocês. Ele vai funcionar até junho do ano que vem. Então, eu quero dizer para vocês, eu estou feliz. Feliz pelo esforço da equipe”, frisou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

- Foto: Elio Rizzo, Ascom MDA
Ampliação do programa Da Terra à Mesa Brasil
O Terra à Mesa Garantia-Safra Semiárido amplia o Da Terra à Mesa Brasil, uma das principais ações de promoção da transição agroecológica do MDA, que já beneficiou 55 organizações e quase 29 mil famílias da agricultura familiar com assistência técnica, capacitação e estruturação produtiva.
A ação integra, ainda, a Estratégia de Adaptação Climática da Agricultura Familiar no Semiárido, que reúne mais de R$ 470 milhões. A estratégia também contempla R$ 60 milhões da chamada pública de Ater do Programa Dom Hélder Câmara, voltada a 10 mil famílias.
Considerado um dos maiores investimentos já realizados pelo Governo do Brasil em adaptação climática voltada à agricultura familiar, o programa integra o conjunto de ações do novo Plano Safra da Agricultura Familiar para ampliar a capacidade produtiva das famílias rurais, incentivar sistemas sustentáveis de produção e fortalecer a permanência das populações no campo diante das mudanças do clima.
Texto: Beatriz Mendes, Ascom MDA
Edição: Marcelo Carota, Ascom MDA
Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar
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