RACHA ELEITORAL
Delegada acusa Janaína de desrespeito e fala em violência política
Ana Cristina afirma que se sentiu “usada, enganada e desrespeitada” após deixar primeira suplência; Janaina diz que troca era combinada
POLÍTICA
A delegada aposentada Ana Cristina Feldner, que chegou a ser anunciada como primeira suplente de Janaína Riva na disputa ao Senado, fez críticas públicas à candidata e afirmou ter se sentido “usada, enganada e desrespeitada” durante o processo de substituição. Em vídeo publicado nas redes sociais, Ana questionou a coerência entre o discurso de Janaína em defesa das mulheres e a forma como afirma ter sido tratada.
Sem citar diretamente detalhes da mudança, Ana disse que nunca pediu o espaço e que o convite partiu da própria Janaína. “Eu nunca te pedi esse espaço. O convite veio dela. O convite veio dela diretamente para o meu telefone. E eu aceitei unicamente porque eu acreditei que eu pudesse contribuir com essa causa. Talvez, naquele momento, o meu nome fosse importante. Depois, já nem tanto”, afirmou.
A delegada aposentada também levantou a possibilidade de ter sido vítima de violência política de gênero. “Eu nunca fui tão desrespeitada enquanto mulher, eu nunca fui tão desmerecida como eu fui nessa curta trajetória. E isso porque eu acreditava que eu estava tentando apenas ajudar”, declarou.
Ana afirmou ainda que a questão não seria o cargo, mas o respeito à sua trajetória. “Não se trata de lugares. O lugar pouco interessa, o cargo menos ainda. Indicações vêm, cargos passam. Isso nunca foi a minha prioridade. Mas o respeito e a coerência, essa sim, são minhas prioridades”, disse.
Ao final do vídeo, a ex-delegada afirmou que Janaína não a representa como mulher e indicou que pretende continuar falando sobre o episódio. Ela citou ainda uma segunda “farinha” da metáfora da padaria usada no vídeo, relacionada à honestidade e ao combate à corrupção, e afirmou que abordará o assunto em uma próxima gravação após 17 de setembro.
Substituição já estava combinada
Por outro lado, Janaína Riva rebateu as declarações e afirmou que, desde o convite, deixou claro para Ana Cristina que a participação como suplente seria temporária. Segundo a candidata, a composição original já estava definida com o presidente do Podemos, Max Rousseff, mas não havia tempo hábil para realizar a troca antes do registro.
“Quando eu convidei a Ana para ser suplente, eu disse a ela que seria temporário, porque eu não havia tempo hábil para poder fazer a troca de suplência. A suplência era do partido Podemos. Eu tinha dois suplentes definidos com o presidente Max Russi”, afirmou Janaína.
A candidata disse que perguntou diretamente se Ana aceitaria participar da chapa por período determinado e que recebeu uma resposta positiva. “Então, eu disse a ela que seria temporário e perguntei se ela toparia ser candidata por período determinado. E ela disse que sim. Depois ela fez a renúncia”, relatou.
Janaína afirmou ainda que, posteriormente, Ana teria manifestado uma expectativa diferente sobre permanecer na suplência. Segundo ela, a questão teria surgido a partir de uma expectativa criada por uma assessora, mas a candidata sustenta que sua posição não mudou desde o primeiro momento.
“Uma coisa eu tenho comigo com muita tranquilidade. O que eu precisava, eu falei desde o início. Como seria, eu expliquei desde o início. Então, da minha parte, não teve nenhuma desonestidade. Eu fui muito clara, desde o primeiro momento. Eu prefiro não julgar, sabe, porque eu também sou mulher. Eu prefiro acolher a dor dos outros, entender que às vezes não foi do jeito que desejava, ou que gostaria de ser”, respondeu.
Janaína encerrou dizendo que não pretende transformar o episódio em uma troca de ataques. “Eu lamento muito, mas eu não vou fazer nenhuma ofensa, nenhum ataque. Campanha é isso mesmo, a gente tem que estar preparado para esse tipo de coisa”.
POLÍTICA
Medeiros chama STF de “casa da mãe Joana” e defende prisão
Candidato ao Senado intensificou críticas à Corte em dois eventos nesta semana e disse que vai a Brasília para “fazer uma faxina” no Supremo
O candidato ao Senado José Medeiros (PL) elevou o tom das críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante os debates da campanha. Em dois eventos realizados nesta semana, Medeiros afirmou que a Corte precisa ser reformulada, criticou a atuação dos ministros e defendeu a retirada e até a prisão de integrantes do tribunal em casos de irregularidades.
Nesta quarta-feira (10), durante debate promovido pela Rádio Centro América FM, Medeiros afirmou que o STF deixou de cumprir o papel previsto na Constituição e classificou a Corte como uma “casa da mãe Joana”. A declaração ocorreu ao comentar o embate entre os ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Edson Fachin em torno de decisões relacionadas às investigações do Banco Master.
“A grande verdade é que o STF, como casa, como poder que a Constituição diz ser, ele acabou. Hoje nós temos ali um ninho de compadres tentando se salvar e que foram pegos com a boca na botija. E só tem como a gente resgatar com a prisão de alguns e com a retirada deles dali da casa. Virou casa da mãe Joana”, afirmou.
Medeiros também questionou a decisão de Fachin de suspender medidas tomadas por Mendonça e Dino e afirmou que o presidente do Supremo perdeu uma oportunidade de recuperar a imagem da instituição.
“O Fachin teve a grande oportunidade de deixar um legado, de resgatar o STF. Pelo visto, optou por essa decisão e talvez isso tenha sido um grande combinado para tentar jogar a decisão do Mendonça no chamado poste de pixe”, disse.
A ofensiva contra o Supremo já havia sido apresentada por Medeiros na terça-feira (09), durante o “Diálogo com os Candidatos ao Senado”, promovido por Fiemt, Fecomércio-MT e Famato. No encontro, o candidato defendeu que o Senado tenha uma postura mais firme diante do que considera abusos cometidos pela Corte.
A crise envolvendo Mendonça e Moraes também esteve no centro da manifestação. Medeiros questionou a possibilidade de o ministro Alexandre de Moraes ser investigado a partir de informações obtidas pela Polícia Federal e criticou o que considera uma tentativa de retirar Mendonça da relatoria do caso.
“Não tem equivalência entre os dois ministros, mas eles realmente, tudo o que querem é se livrar do Mendonça naquela relatoria”, afirmou.
Segundo Medeiros, a sequência de decisões e conflitos entre integrantes do STF demonstraria um problema institucional mais amplo. “Se o telefone não era dele, então, assim, a grande verdade é que o STF, como casa, como poder que a Constituição diz ser, ele acabou”, declarou.
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