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MDHC institui Comitê Intersetorial para a efetivação do ECA Digital
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O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) instituiu, na quarta-feira (6), o Comitê Intersetorial da Política Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente no Ambiente Digital. A instância colegiada visa operacionalizar as diretrizes previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente em ambientes digitais, o ECA Digital, instituído em âmbito nacional pela Lei n.º 15.211/25 e as diretrizes da Política Nacional de Promoção e Proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente no Ambiente Digital, previsto no decreto regulamentador do ECA Digital n° 12.880/2026.
Publicado no Diário Oficial da União (DOU), por meio da Portaria n.º 807, o texto estabelece a estrutura do Comitê e suas atribuições que, entre outras competências, incluem a garantia da proteção integral e da prioridade absoluta aos direitos de crianças e adolescentes no ambiente digital, o respeito ao melhor interesse e à autonomia desse público, a redução das desigualdades digitais e a proteção de dados pessoais.
Já as atividades desempenhadas pelo grupo de trabalho deverão colaborar, diretamente, para a prevenção, identificação e enfrentamento de riscos, violências e violações de direitos de crianças e adolescentes; zelar pelo bem-estar e pela promoção de experiências saudáveis no ambiente digital; e promover o equilíbrio entre a vida online e offline, de modo a fortalecer a convivência familiar, comunitária e o acesso a espaços públicos.
Além disso, o Comitê também deverá trabalhar para o desenvolvimento de práticas, produtos e serviços que incorporem as regras previstas no ECA Digital e que consolidem a segurança física, psicológica e de dados, fomentando o desenvolvimento tecnológico para a verificação de idade e a supervisão parental em produtos e serviços direcionados ou de acesso provável por crianças e adolescentes.
Segundo o Diretor de Proteção da Criança e do Adolescente do MDHC, Fábio Meirelles, “o Comitê tem como objetivo unir esforços para garantir a proteção integral de crianças e adolescentes no ambiente digital, com foco na prevenção de violências, na promoção de direitos e no uso seguro das tecnologias”.
Clique aqui e leia a publicação na íntegra.
Educação para o ambiente digital
Outra estratégia de atuação do Comitê, e da Política Nacional de Promoção e Proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente no Ambiente Digital, é a educação. O grupo investirá na educação digital e midiática, para promover o uso crítico, criativo, ético e seguro das tecnologias da informação.
A abordagem também permitirá a disseminação de informações sobre direitos humanos, fazendo com que, cada vez mais, a população brasileira conheça seus direitos e denuncie qualquer irregularidade, contribuindo para a efetivação dessas garantias.
Estrutura
Integrarão os esforços pela dignidade e integridade de crianças e adolescentes no ambiente digital, por meio do Comitê, o MDHC, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o Ministério da Saúde (MS), o Ministério da Educação (MEC), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR), a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e o Comitê de Participação de Adolescentes (CPA) do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Todas essas instituições deverão indicar um representante titular e um suplente que, no decorrer das atividades, irão coordenar, implementar, monitorar, avaliar e revisar a Política Nacional de Promoção e Proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente no Ambiente Digital; aprimorar o modelo; articular a participação intersetorial e federativa para a efetivação da política; e promover a participação social e a escuta qualificada de crianças e adolescentes nos processos decisórios que lhes dizem respeito.
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Texto: R.B.
Edição: G.O.
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MDHC debate implementação do Protocolo de Minnesota sobre Mortes Potencialmente Ilícitas com relator especial da ONU
A ministra substituta do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Caroline Reis, recebeu na quarta-feira (6), no gabinete da pasta, o Relator Especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Execuções Sumárias, Extrajudiciais e Arbitrárias, Morris Tidball-Binz, para tratar do apoio técnico de seu mandato aos órgãos do Estado brasileiro na implementação do Protocolo de Minnesota sobre investigações de mortes potencialmente ilegais.
Durante o encontro, Caroline destacou que a pasta está intensificando esforços para a aproximação entre as áreas de segurança pública e direitos humanos, buscando parcerias estratégicas e desenvolvendo novas iniciativas: “Esse diálogo e essa parceria são fundamentais, porque ações como essas são essenciais para avançarmos na política de direitos humanos no país. Em 2023, instituímos a Coordenação-Geral de Segurança Pública e Direitos Humanos (CGSP), vinculada à Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (SNDH), pensada justamente para relacionar diretamente direitos humanos e segurança pública”.
“Avaliamos que não tem como tratar de segurança pública sem defender e promover direitos humanos”, afirmou a ministra, ressaltando a visão transversal da pasta. Segundo ela, embora recém-criada, a área já está se estruturando e tem sido responsável por projetos importantes nessa área.
Entre as ações desenvolvidas pela pasta, a ministra destacou as formações e a aproximação com agentes de segurança pública para garantir uma atuação mais igualitária. Além disso, o MDHC tem trabalhado no acolhimento de vítimas de violência de Estado, reforçando a política de memória, justiça e reparação, especialmente para mães que perderam filhos ou familiares em contexto de violência estatal. Nesse sentido, o MDHC lançou na baixada santista, em março de 2026, o Centro de Memória das Vítimas de Violência do Estado (CMVV) e o Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social (CAIS) Mães por Direitos.
Na área de memória e verdade, Caroline destacou que a pauta sobre o período da ditadura militar segue sendo trabalhada, com ações de identificação de mortos e desaparecidos em parceria com o Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Universidade Federal de São Paulo (CAAF/UNIFESP). Ela também ressaltou que a educação em direitos humanos é um dos focos da pasta, incluindo a possibilidade de desenvolver cursos online em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública (Enap), ampliando a disseminação do conhecimento sobre direitos e recursos disponíveis para vítimas de violência estatal.
Outro aspecto enfatizado pela ministra foi a importância da articulação com outros órgãos e esferas de governo: “Também é nossa obrigação dar conhecimento a todas as pessoas e instituições sobre o protocolo. Não é algo simples e não depende apenas do Ministério dos Direitos Humanos, porque somos um ministério essencialmente de articulação e de uma política completamente transversal. Cabe a nós também fazer a articulação com outros entes federados e colegiados, como o Conselho Nacional de Direitos Humanos e o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). Temos tentado avançar na nossa articulação com estados e municípios, especialmente nessa pauta”.
A formação prática para agentes de segurança pública e peritos foi considerada indispensável durante o encontro, com a ressalva de que cursos virtuais, embora importantes para difusão do conteúdo, não substituem a capacitação presencial e prática: “O curso virtual é uma oportunidade de difusão, mas que não substitui o fazer junto presencialmente”, afirmou Morris Tidball-Binz, enfatizando a necessidade de treinamento em campo e em salas de autópsia.
Como exemplo de implementação, Morris apresentou a experiência de formação no Equador, que levou mais de um ano de preparação e envolveu mais de 150 participantes na etapa teórica. Ele sugeriu ainda a formação de multiplicadores para replicar o treinamento em todo o país sob a perspectiva dos direitos humanos.
No encerramento da reunião, Morris sugeriu ainda a criação de uma equipe de peritos/as capacitados/as para atuar em situações de crises envolvendo chacinas, ou, até mesmo, em emergências e desastres, além da ampliação do escopo da equipe responsável pela identificação de mortos e desaparecidos políticos.
A Chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do MDHC, Luciana Peres, ressaltou o esforço da pasta na construção de parcerias institucionais estratégicas para fortalecer a agenda de direitos humanos: “Temos esse histórico de trabalhar com instituições reconhecidas internacionalmente em análises de valas coletivas, como na Vala de Perus. Esse olhar de direitos humanos é indispensável e muito próprio e específico da nossa atuação. Além disso, temos o compromisso com o cumprimento das normas e padrões internacionais de direitos humanos nessa área”.
Por sua vez, Natália Damazio ressaltou a iniciativa “Pena Justa”, desenvolvida em parceria com o CNJ, o Ministério da Justiça e a Defensoria Pública, como uma importante oportunidade para fortalecer o diálogo interinstitucional sobre a aplicação de protocolos em casos de mortes no sistema prisional.
Por fim, o Secretário Nacional dos Direitos Humanos substituto do MDHC, Pedro Guimarães, destacou que estão em andamento acordos de cooperação técnica com a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal voltados à formação de policiais civis dos estados.
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Texto: R.M.
Edição: G.O.
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Assessoria de Comunicação Social do MDHC
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