Geral
MDHC realiza seminário para debater compromissos internacionais do Brasil no combate à tortura
Geral
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) realizou, nesta sexta-feira (26), o seminário nacional “Prevenir Tortura é Política de Estado: Compromissos Internacionais Assumidos pelo Brasil e seus Estados Federados”, em alusão ao Dia Internacional de Apoio às Vítimas de Tortura (26 de junho). Na ocasião, também foram lançadas uma cartilha voltada à orientação dos estados brasileiros sobre os compromissos assumidos pelo país e uma pesquisa sobre os custos do encarceramento para familiares e visitantes de pessoas privadas de liberdade.
O evento foi realizado em Brasília e reuniu agentes públicos, representantes de organismos internacionais, da advocacia pública, como a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal (Anape), e do sistema de justiça, representado pela Defensoria Pública da União (DPU). A programação também contou com mesas de debate sobre experiências brasileiras, boas práticas na implementação dos Sistemas Estaduais de Prevenção e Combate à Tortura e o papel das procuradorias no cumprimento dos compromissos internacionais.
Durante o seminário, a secretária-executiva do MDHC, Caroline Reis, afirmou que o Brasil, ao se tornar Estado Parte da Convenção das Nações Unidas (ONU) contra a Tortura e de seu Protocolo Facultativo, assumiu um compromisso com a proteção da dignidade humana.
“Para tanto, é fundamental garantir monitoramento independente, presença constante nos locais de privação de liberdade, escuta das pessoas privadas de liberdade, transparência, responsabilização e capacidade de transformar estruturas que ainda produzem violações”, explicou.
Segundo ela, a prevenção à tortura também exige capacitação permanente dos profissionais que atuam nos sistemas prisional e socioeducativo, participação social na formulação e no monitoramento das políticas públicas, garantia de acesso à justiça para as vítimas e efetiva responsabilização dos autores dessas violações.
Caroline também reconheceu o papel estratégico das defensorias públicas, do Ministério Público e de todos os órgãos que atuam na consolidação dos direitos humanos.
“A democracia se realiza plenamente quando a dignidade humana orienta a atuação das instituições e a proteção dos direitos, alcançando todas as pessoas”, frisou.
Custos do encarceramento no Brasil
No evento, foi apresentada a pesquisa sobre os custos do encarceramento para familiares e visitantes de pessoas privadas de liberdade. O objetivo é ampliar a compreensão sobre os impactos sociais e econômicos do sistema prisional e identificar evidências que contribuam para a formulação de políticas públicas mais justas, eficazes e comprometidas com os direitos humanos.
Desenvolvida pelo MDHC, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a pesquisa foi realizada em Belém (PA), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS).
“Produzir dados, sistematizar evidências e compreender esses impactos é essencial para enfrentar a invisibilidade que ainda marca essa realidade. Essas iniciativas demonstram que prevenir a tortura exige planejamento, informação qualificada, fortalecimento institucional e capacidade de transformar recomendações em políticas públicas efetivas”, destacou Caroline.
Dados
A pesquisa foi apresentada pelo técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, Igor Souza Machado, que coordenou parte do estudo responsável por identificar os custos financeiros e os impactos intangíveis do encarceramento no Brasil.
Os dados mostram que a maioria das pessoas entrevistadas é composta por mulheres negras, em geral mães ou companheiras de pessoas privadas de liberdade. A renda varia entre meio salário mínimo e até dois salários mínimos.
A análise também revela que, em Belém, as visitas são realizadas apenas uma vez por mês, enquanto, no Rio de Janeiro e em Porto Alegre, é possível realizar mais de quatro visitas mensais. Já o gasto com transporte para o dia de visita é mais elevado em Belém (R$ 112,31), seguido por Porto Alegre (R$ 112,21). No Rio de Janeiro, o gasto médio é de R$ 97,47.
Também foram identificadas consequências para a saúde dos familiares das pessoas privadas de liberdade, como sobrecarga de trabalho, ansiedade, privação do sono e depressão. Segundo Igor Souza Machado, muitas dessas consequências são tratadas no Sistema Único de Saúde (SUS), inclusive com medicamentos disponibilizados pelo Programa Farmácia Popular.
Igor ressaltou que o encarceramento é um vetor de sobrecarga, adoecimento, endividamento e empobrecimento, que atinge majoritariamente famílias chefiadas por mulheres, na intersecção entre raça, classe social e gênero.
Segundo ele, é necessário garantir espaço e condições para que os familiares participem do processo de implementação e avaliação das políticas públicas penais.
Cartilha OPCAT
O evento foi encerrado com a apresentação da cartilha do Governo Federal “Sistemas Estaduais de Prevenção e Combate à Tortura à Luz do Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura (OPCAT)”. O documento consolida diretrizes e orientações para a atuação dos entes federativos, abordando os compromissos assumidos pelo Brasil no âmbito do Protocolo Facultativo.
A coordenadora de Combate à Tortura do MDHC, Caroline Neves, destacou a importância da cartilha diante das dificuldades de interpretação e implementação do protocolo. Segundo ela, o documento é importante porque os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil também devem ser observados pelos estados brasileiros, em suas respectivas competências.
A cartilha apresenta os fundamentos jurídicos, o papel das instituições nacionais e internacionais, a estrutura do Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (SNPCT) e a importância da implantação e do fortalecimento dos Sistemas Estaduais de Prevenção e Combate à Tortura (SEPCTs).
Leia também:
Texto: A.L.
Edição: G.O.
Atendimento exclusivo à imprensa:
Assessoria de Comunicação Social do MDHC
(61) 2027-3538
Acesse o canal do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania no WhatsApp.
BRASIL & MUNDO
Governo do Brasil reforça o programa Terra à Mesa com R$ 413,4 milhões para adaptação climática da agricultura familiar
Durante o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, realizado nesta terça-feira (30), no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), o Governo do Brasil anunciou o Terra à Mesa Garantia-Safra Semiárido, iniciativa que destina R$ 413,4 milhões para fortalecer a adaptação climática da agricultura familiar na região. A ação beneficiará 63,6 mil famílias de dez estados do Semiárido que aderiram ao Programa Garantia-Safra.
“São 413 milhões que vão para a agricultura familiar do semiárido para financiar a adaptação. São R$ 8 mil para cada família, a família vai receber esse recurso, vai poder fazer um projeto de sistema, sistema para produção, adaptação climática, irrigação, energia solar, isso pra vocês poderem produzir mais, garantir esse alimento diverso no semiárido”, destaca a ministra do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli.
Do total de recursos, R$ 319,8 milhões serão investidos por meio de um edital lançado pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), com recursos do Fundo Garantia-Safra, para a seleção de organizações da sociedade civil (OSCs). Os projetos selecionados vão atender 49,6 mil famílias – das quais 3,2 mil de povos e comunidades tradicionais – com ações de estruturação produtiva e adaptação climática orientadas pelos princípios da agroecologia. Os demais recursos serão repassados às entidades estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) para a execução da estratégia.
A iniciativa busca fortalecer a convivência sustentável com o semiárido, ampliar a capacidade produtiva das famílias e contribuir para a segurança alimentar e hídrica e para o aumento da renda das agricultoras e dos agricultores beneficiários do Garantia-Safra, diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Os recursos vão atender famílias dos dez estados que integram o Programa Garantia-Safra: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
“E eu digo para vocês o seguinte: Usem tudo que está disponibilizado. Porque se vocês utilizarem, será mais fácil a gente fazer aparecer mais dinheiro. Portanto, utilizem. Dito isso, eu queria pedir para vocês, quem fiscaliza esse Plano Safra são vocês. Ele vai funcionar até junho do ano que vem. Então, eu quero dizer para vocês, eu estou feliz. Feliz pelo esforço da equipe”, frisou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

- Foto: Elio Rizzo, Ascom MDA
Ampliação do programa Da Terra à Mesa Brasil
O Terra à Mesa Garantia-Safra Semiárido amplia o Da Terra à Mesa Brasil, uma das principais ações de promoção da transição agroecológica do MDA, que já beneficiou 55 organizações e quase 29 mil famílias da agricultura familiar com assistência técnica, capacitação e estruturação produtiva.
A ação integra, ainda, a Estratégia de Adaptação Climática da Agricultura Familiar no Semiárido, que reúne mais de R$ 470 milhões. A estratégia também contempla R$ 60 milhões da chamada pública de Ater do Programa Dom Hélder Câmara, voltada a 10 mil famílias.
Considerado um dos maiores investimentos já realizados pelo Governo do Brasil em adaptação climática voltada à agricultura familiar, o programa integra o conjunto de ações do novo Plano Safra da Agricultura Familiar para ampliar a capacidade produtiva das famílias rurais, incentivar sistemas sustentáveis de produção e fortalecer a permanência das populações no campo diante das mudanças do clima.
Texto: Beatriz Mendes, Ascom MDA
Edição: Marcelo Carota, Ascom MDA
Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar
-
POLÍTICA5 dias atrásEstado, TJ e Prefeitura alteram expediente por jogo da Seleção
-
POLÍCIA7 dias atrásOperação contra tráfico interestadual cumpre mandados em MT
-
ESPIA AÍ5 dias atrásVereadora tenta impedir saída de idosos de lar com surto de sarna
-
POLÍCIA5 dias atrásDupla é presa após pichar shopping e provocar início de incêndio






